Dos dias que correm

A semana passada, a primeira do outono, trouxe mudanças climatéricas, dias mais frios, enevoados, cinzentos. Esta semana o outono aproximou-se do verão.

O futebol cada vez me interessa menos, o tempo para ler é menor e custa mais, será sinal de velhice? No verão costumo ler cerca de uma dezena de livros, este ano li três, dei maior atenção a publicações jornalisticas, voltei a matar saudades com os comics, deixei os romances e livros técnicos um pouco para trás.

A situação económica, social e política do país é o que se sabe, se fala e discute. Não tenho paciência para matar neurónios a ler opiniões e factos diariamente. Há cinco anos atrás era leitor assíduo de jornais, diários e semanais, hoje contenho-me.

Hoje fui dar a primeira aula, em vão. Sinceramente, gosto de dar aulas, do nervosismo dos estudantes, da cara de pau de alguns, de poder ser útil, de ensinar coisas. Nesta altura, as praxes tomam conta do espírito e corpo estudantil, hoje não foi diferente, apareceram três ou quatro. Irritado não fico, nunca fui, ainda não sou, apoiante das praxes, envolvi-me enquanto estudante duas vezes nas praxes, nada de humilhante, nada de exacerbado, umas pinturas aqui e acolá, uma pala a Camões, um perfume que durou semanas a sair do corpo. Compreendo a ligação que se estabelece, temo a falta de senso e a necessidade de libertar alguma coisa através da humilhação, do poder, do álcool. Irrita-me sobretudo fazer quilómetros para dar aulas, perder tempo a preparar aulas, perder uma semana de aulas por causa de algo que é lateral, afinal na Academia o conhecimento devia estar em primeiro lugar. Tontices, eu sei.

Li 30 páginas de Casual Vacancy de J. K. Rowling. Os fãs de Harry Potter terão dificuldade e serão surpresos por esta obra. Daquilo que li não há ali nada que me faça querer voltar, a ação passa-se numa pequena cidade inglesa, e trata das vidas privadas e semi-secretas dos seus habitantes. Em trinta páginas já há tantos palavrões como num filme de Guy Ritchie, parece-me tudo um pouco gratuito, há pouca magia literariamente falando. Não sei se volto a abrir as páginas, acho que é desta que releio o Harry Potter.