O que é fé?

No meu devocional ontem, li um texto de George Muller, de quem tenho andado também a ler um pequeno livro sobre oração (e fé), sobre o que é fé.

Muller define fé como “the assurance that the thing wich God said in His Word is true, and that God will act according to what He has said in His Word.”

Parece uma definição básica, Muller vai acrescentar alguns pontos, mas somente aqui percebemos duas coisas, que Muller fala de uma fé bíblica e que essa fé é hoje pouco praticada em muitas igrejas.

Os pontos que Muller acrescenta são os seguintes:

No impressions are to be taken in connection with faith“We have to do with the written Word and not ourselves or our impressions.”

Nos últimos três anos assisti a decisões feitas com base em sentimentos muito fortes que deram errado. Se a nossa natureza é falha porque deveremos confiar nela e não na Palavra de Deus?

Probabilities are not to be taken into account“Faith has nothing to do with probabilities. The province of faith begins where probabilities cease and sight and sense fail.”

Quantas vezes na Palavra lemos que Deus mudou as circunstâncias? Ou que aquilo que era provável não aconteceu e vice-versa?

O pequeno texto que li lembrou-me duas coisas, uma questão que me foi colocada e um livro que li, de Kevin DeYoung, Just do Something – A Liberating approach to finding God´s Will.

Há uns anos, um amigo meu, crente, procurava fazer a melhor escolha relativamente ao curso que poderia escolher. Procurava perceber qual a vontade de Deus para a sua vida. Perguntei-lhe de qual gostava mais, para o qual achava ter mais aptidão, queda, talento. Perguntei-lhe se algum ia contra a Palavra de Deus, se teria de fazer coisas, no futuro, que a Bíblia condenava. Respondendo que não, lembro-me de lhe ter perguntado, porque não escolhes tu e confias em Deus? Porque há-de ser Deus a escolher por ti, quando a decisão é tua? Se confias em Deus, escolhe nessa confiança.

Se Deus fizesse tudo por nós não haveria pecado no seio da igreja, seríamos santos (separados) duplamente (não pecaríamos). Penso que estas questões nascem muito da nossa cultura, queremos coisas que nos preencham, não tanto que glorifiquem a Deus. Não queremos errar, mais por nós, do que por Deus.

Quero voltar no futuro ao livro de Kevin DeYoung, até porque esta temática é-me cara e parece-me importante à luz da nossa cultura (até da nossa cultura cristã), mas deixo, por enquanto, alguns excertos do livro já citado.

O livro de DeYoung é sobre tomada de decisões, como as fazer? Abrir a Bíblia ao calhas e esperar que Deus responda? Quantos de nós achamos que podemos errar a vontade de Deus e viver uma vida miserável? Não estou aqui a falar de pecado, estou a falar de errar a vontade divina. “God is not a magic 8-ball we shake up and peer into whenever we have a decision to make. He is a good God who gives us brains, and invites us to take risks for him.”

“Does God have a secret will of direction that He expects us to figure out before we do anything? And the answer is no. Yes, God has a specific plan for our lives. And yes, we can be assured that He works things for our good in Christ Jesus. And yes, looking back we will often be able to trace God´s hand in bringing us to where we are. But while we are free to ask God for wisdom, He does not burden us with the task of divining His will of direction for our lives ahead of time. I´m not saying that God won´t help you make decisions (it´s called wisdom). I´m not saying God doesn´t care about your future. I´m not saying God isn´t directing your path and in control amidst the chaos of your life. I believe in providence with all my heart. What i´m saying is that we should stop thinking of God´s will like a corn maze, or a tightrope, or a bull´s eye, or a choose-your-own-adventure novel.”

By and large, my grandparent´s generation expected much less out of family life, a career, recreation, and marriage. Granted, this sometimes made them unrefletive and allowed for quietly dismal marriages. But my generation is on the opposite end of the spectrum. When we marry, we expect great sex, an amazing family life, recreational adventure, cultural experiences, and personal fulfillment at work. It would be a good exercise to ask your grandparent sometimes if they felt fulfilled in their carrers. They´ll probably look at you as if you´re speaking a different language, because you are. Fulfillment was not their goal. food was, and faithfulness too. Most older folks would probably say something like, “I never thought about fulfillment. I had a job. I ate. I lived. I raised my family. I went to church. I was thankful.”

Recently, i was talking with Grandpa DeYoung, a lifelong Christina now in his eighties. I asked him if he ever thought about what God´s will was for his life. “I don´t think so,” was his short response. “God´s will was never a question presented to me or i ever thought about. I always felt that my salvation…depended on my accepting by faith the things that we believe. After that, i don´t think i ever had a problem thinking:”is this the right thing to me?”

The more my grandpa and i talked, the more i realized the will of God beyond trying to obey His moral will was an unfamiliar concept to him. “You just…do things” seemed to be my grandpa´s sentiment, and as you´re doing them as walking with the Lord, you don´t spend oodles of time trying to figure out if you like what you are doing. I guess if you keep busy and work your whole life, you don´t have time to worry about being fulfilled.”

Muitas das vezes, queremos que Deus escolha por nós, outras, achamos que é Deus que escolhe ou fazemos tudo para que a decisão e os resultados caiam em cima dele. Confio que os excertos escolhidos sejam difíceis de aceitar para a maior parte dos crentes, daí que tenha decidido voltar ao livro de DeYoung, até porque falta a base do argumento do autor.

De qualquer forma, e concluindo, deixem-me dizer duas coisas, quantas vezes tomamos decisões baseadas nos nossos sentimentos, na nossa vontade e não na Palavra de Deus? Quantas vezes tomamos essas decisões baseados em nós, e atribuímo-las a Deus, por descargo de consciência?

Sim, “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”, sim, “Não passaremos por provações maiores do que aquelas que podemos passar”, mas porque não tomar decisões baseadas naquilo que Deus nos tem revelado, não esperando que Deus as tome por nós.Vivendo, praticando e escolhendo pela fé.

Haveremos de voltar a esta temática e ao livro de DeYoung, Just do Something.