Hansel and Gretel: Witch Hunters

Hansel & Gretel: Witch Hunters revisita a história clássica de Hansel e Gretel, dois irmãos que são abandonados pelo pais e vão dar a uma casa feita de doces, habitada por uma bruxa, o filme começa quando a história que conhecemos termina, os irmãos tornam-se caçadores de bruxas e encontramo-los anos mais tarde na cidade de Ausgburgo, onde são contratados pelo Presidente da Câmara para encontrar algumas crianças desaparecidas e matar a bruxa responsável.

Jeremy Renner e Gemma Arterton são os atores principais, Famke Janssen, a Jean Grey de X-Men, faz de bruxa má e inimiga mor.

Sinceramente, o filme não me convenceu, até porque aquilo que achei mais interessante seja pouco mais do que um adereço, mas já lá vamos.

A escrita é pouco mais do que redundante e adolescente, cheias de clichés e uma tentativa de humor negro, mas devo estar a ficar velho, o que esta geração quer eu dispenso, isto tendo em conta o sucesso do filme e a confirmação do seu final, aparentemente já está a ser produzida uma sequela.

As personagens pouco mais são do que caricaturas e o desenrolar do filme é demasiado óbvio. O filme foi realizado em 3D e percebe-se isso, mesmo quando se assiste à versão 2D. Quem me dera que tivessem dado a mesma atenção ao argumento que deram à coreografia de ação, ainda que, e vale a pena referir, a mesma não seja brilhante.

Sendo um filme de ação, que pisca os olhos aos filmes de terror, já que incorpora alguns dos seus elementos, não se espera que as interpretações sejam de grande calibre, mas a escrita podia ter sido mais inteligente, menos formulaica. O filme integra alguns elementos mais gore, mas tenta abranger um maior número de espectadores, o que quero dizer é que não foram tão longe como poderiam ter ido, ainda que tenham ultrapassado a marca no que a este tipo de filmes (que tenta chegar a um público jovem, mas não só) diz respeito.

No entanto, a violência é gratuita, compare-se com The Walking Dead, que é poderosíssima visualmente, que enoja em determinados segmentos, mas percebe-se que o que vemos não é gratuito, no que à história que se está a contar diz respeito. Aqui não, tudo é em função do espetáculo, e isso foi o que mais me desiludiu. O espetáculo é demasiado gratuito, “pornográfico” no sentido gráfico e não é assim tão bom. A violência é de uma quantidade e qualidade atroz, troquemos as bruxas por seres humanos, eu sei que não é assim que a coisa funciona, se as trocarmos por zombies o argumento perde força, mas troquemo-los e aquilo a que assistimos é doentio. Penso que a diferença tem a ver com a escrita e a inteligência da mesma, já vi filmes violentíssimos, que não me marcaram pela negativa, lembrei-me agora de Inglorious Basterds, que tem cenas violentas, grafica e psicologicamente falando, mas em que o conteúdo de alguma forma defende essa mesma violência. Os produtores citam Sam Raimi como inspiração, nomeadamente Army of Darkness, mas ainda que consiga perceber a tentativa de homenagem, sinceramente a escrita é muito inferior.

Os pontos fortes do filme são a caracterização e o guarda roupa, tendo o filme uma estética muito steampunk, mas também aqui podiam ter ido um pouco mais longe. A caracterização das bruxas é interessante, entre o gótico enquanto humanas e a caracterização dos filmes de terror e banda desenhada. Houve claramente uma preocupação com o design e caracterização, que tornam o filme visualmente interessante, mas que se perde no seu todo. A primeira cena de uma bruxa na vassoura cativou-me, todas as outras pareceram-me redundantes e mais desinteressantes.

Concluindo, let´s go back to classics…

(3/10)

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