A Culpa é das estrelas

Cedi a este livro pelo tema, “A culpa é das estrelas” aborda o cancro, narra a vida de alguns adolescentes com cancro, nomeadamente dois, Hazel Grace e Augustus. Cedi com cautela.

O livro tem consciência do sentimentalismo exacerbado e do politicamente correto a que o tema se presta e várias vezes refere-o. “Cancer books suck”, diz logo no início Hazel Grace, a narradora de 16 anos.

“A Culpa é das estrelas” ( John Green, editado pela Asa) é contado na primeira pessoa e narra a história de Hazel, uma jovem de 16 anos com cancro nos pulmões, que é acompanhada por uma garrafa de oxigénio. Hazel conhece Augustus (Gus), que tem uma prótese em vez de uma perna, e o livro é a história de amor entre eles os dois.  

O título é inspirado numa frase da peça Júlio César de Shakespeare, “The fault, dear Brutus, is not in our stars, / But in ourselves, that we are underlings.'”

Hazel tem um livro preferido An Imperial Affliction, sobre uma rapariga que tem cancro, mas que apesar disso vive uma vida boa. O livro termina a meio de uma frase e a ignorância do futuro das persoagens aflige Hazel. Quando conhece Gus, Hazel convence-o a ler a obra de Van Houten e juntos tentam ter sucesso onde Hazel falhou, entrar em contacto com o autor da obra preferida dela.

“A culpa é das estrelas” é um romance duro e sincero, contado por uma adolescente que recusa viver com a deferência dos outros pela sua doença, descobri entretanto o sucesso deste livro nos EUA e a definição de Young Adult Fiction, a verdade é que não é fácil de o catalogar e se este é um exemplo do que se faz em YA Fiction então o género está de muito boa saúde e é mais lato do que poderia ser.

O livro aborda a questão da fé, da religião e normalmente brinca acidamente com ela, ainda que com respeito; é acima de tudo um romance sincero que demonstra as diferentes reações daqueles que vivem com cancro e dos que estão à sua volta. Há algumas passagens fortíssimas, outras com muito humor, mas há, acima de tudo, uma preocupação com aquelas personagens, preocupação/interesse que passa para o leitor.

Há uma passagem extremamente interessante acerca do Facebook – alguém morre e uma das personagens abre o Facebook e lê (escreve também) o que outros, que ela desconhece, escrevem acerca daquele que morreu. Ficamos perante a participação ativa na vida de pessoas e a participação ativa na wall dessa mesma pessoa. Quando ela escreve na wall percebe que o mais importante não é o que escreveu ou a atenção que isso irá ter, mas aquilo que guarda da pessoa desaparecida.

Um livro extremamente interessante, uma boa surpresa neste outono editorial.

Deixo-vos o primeiro capítulo lido pelo autor.