Captain America 2 : The Winter Soldier

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Ou muito me engano ou a introdução vai ser maior do que o texto sobre o filme, ficam avisados…

Tenho uma relação ambígua com adaptações, neste caso, de bandas desenhadas ao cinema, desde que me conheço que coleciono comics, sinto que as adaptações ficam quase sempre aquém, as escolhas (alterações de personagens, guarda-roupa, finais, etc) nem sempre fazem sentido e a liberdade artística numa folha de papel tem consequências enormes para a imagem ou budget de um filme, o que se traduz normalmente em diversos constrangimentos (nomeadamente, ao nível do argumento ou do guarda-roupa). 

A  ideia de construir um universo cinematográfico com base em personagens chave foi um risco bem calculado por parte dos Marvel Studios, a primeira fase consistiu em 6 filmes (Iron Man, The Incredible Hulk, Iron Man 2; Thor e Captain America: The First Avenger), que culminou em The Avengers, um dos filmes mais lucrativos de sempre.

A grande dificuldade por vezes é encarar o filme como outro media, e não estar constantemente à procura de referências, de oportunidades para criticar o fato de determinada personagem. Confesso-me desde já, The Avengers foi o meu guilty pleasure do ano passado, não é um grande filme, mas é grande entretenimento. Pessoalmente, os Iron Men pouco ou nada me dizem, talvez por nunca ter gostado muito da personagem, tirando o que Bob Layton e David Michelinie fizeram com Tony Stark na década de oitenta, nos comics; o Thor pareceu-me interessante, mas passou-me um pouco ao lado, ainda não vi o segundo filme, e penso que o primeiro é sempre o mais complicado, é tarefa ingrata tentar apresentar a personagem para um público mais vasto do que somente o seguidor de banda desenhada; o primeiro Captain America foi, surpreendentemente para mim, o meu favorito desta primeira onda de filmes. Vi o The Incredible Hulk mas sinceramente não me lembro de grande coisa.

Steve Rogers, o Capitão América, é uma personagem idealista, um peregrino em terra estranha (um homem da década de 40 no século XXI), um devoto à causa e valores americanos. Normalmente, é esta exaltação americana que me impede de relacionar totalmente com a personagem – os comics tendiam muitas das vezes a serem sermões das virtudes e espírito americanos. No entanto, o primeiro filme era uma homenagem não só à banda desenhada original, como ao espírito dessa mesma banda desenhada, dando-nos a origem da personagem, a sua utilização na propaganda de guerra é mostrada de forma cínica e em oposição à personalidade de Rogers e a participação na guerra propriamente dita é fruto dessa herança dos comics casada de forma agradável e espetacular com os efeitos especiais. De entre todos os filmes dessa primeira fase, é facilmente o filme mais divertido, simples e despretensioso, o mais direto, talvez por isso me tenha agradado tanto.

A segunda fase vai a meio, Iron Man 3, Thor: The Dark World, Captain America 2: The Winter Soldier já estrearam, faltam somente dois filmes, Guardians of Galaxy e o regresso do grupo de heróis mais conhecido da Marvel em The Avengers 2: Age of Ultron. De referir que a par do universo  cinematográfico, a Marvel Studios está já presente na televisão, com Agents of S.H.I.E.L.D. (fraquinha e penosa, na minha modesta opinião) e parece querer apostar em Agent Carter (o love interest de Steve Rogers no primeiro Captain America), sem esquecer o acordo firmado com a NetFlix, quatro séries de 13 episódios (Daredevil, Jessica Jones, Iron Fist and Luke Cage) e uma mini-série que juntará estas quatro personagens (The Defenders).

O tempo dirá se a Marvel não estará a colocar demasiados ovos no cesto, se o interesse do público não esfriará perante tanta oferta e se algumas apostas (Agents of SHIELD) não são contraproducentes.

Ontem fui ver o segundo Captain America (não, não vi nem Iron Man 3, nem Thor:The Dark World), e este não podia ser mais distinto que o anterior. Se o primeiro filme funcionava como uma homenagem ao espírito das histórias criadas por Joe Simon e Jack Kirby, este segundo filme expira Ed Brubaker em todos os seus poros. O primeiro era retro, simples,  não intrusivo, divertido e até pateta,  este segundo continua a ter humor, mas é mais negro, a violência parece ser mais crua, mais realista, menos encenada, alguns dos problemas atuais estão presentes.  Os realizadores deste último filme quiseram fazer uma obra que fosse inspirada by 1970s thrillers, and working with Redford — who featured in ’70s classics like Three Days of the Condor . 

O filme essencialmente anda à volta de um ataque à Shield, com The Winter Soldier a liderá-lo, sendo que a equipa de heróis no ativo é composta por Capitão América, Viúva Negra e Falcão. O filme tem algumas surpresas, nomeadamente a alteração de alguns status quo que deverão influenciar o futuro deste universo. Como já escrevi, continua a haver humor, as cenas de luta são mais estilizadas, mais rápidas, mais imprevisíveis, pela primeira vez existe uma sensação de fraqueza/perigo para as personagens. O filme, ainda que use  efeitos especiais, parece fazer com que os espectadores os ignorem mais do que em outros filmes da Marvel. As cenas de perseguição automóvel, a presença e utilização do escudo parecem mais orgânicas e menos cinematográficas (menos festivas) do que no primeiro filme.Na primeira fase, a ligação entre os diversos filmes é por vezes ténue, mas normalmente é feita pela Shield, uma aparição aqui ou acolá, muita das vezes depois dos créditos finais (Fury no final de Iron Man; Coulson no final de Iron Man 2 e afins). Com o sucesso de The Avengers, as ligações tornam-se mais objetivas, e a presença central da Shield como agregador do universo é feito de uma forma natural e lógica.

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A grande diferença deste filme para os outros, pelo menos aqueles que vi, é a forma como consegue ressoar a realidade atual – as fugas de informação (Snowden?), a vigilância constante por parte do Estado (EUA e os recentes casos diplomáticos ou os drones na ordem do dia) – envolvendo estas questões no universo da Marvel. As questões éticas e a forma como Steve Rogers as vê, nascido e criado nos anos 40, tornam o filme extremamente interessante. As lutas de poder, as black ops, o poder e domínio da informação, as organizações terroristas são questões levantadas ao longo do filme, que se torna num thriller de conspiração ao estilo dos anos 70, sim, mas que resume muitas das histórias contadas nos últimos 10 anos nos comics, piscando o olho ao contexto em que vivemos.

O elenco, como no primeiro filme, volta a ser forte, Samuel L. Jackson (Nick Fury), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Hayley Atwell (Peggy Carter) e Cobie Smulders (Maria Hill) envolvem-se em mais um capítulo da saga da Marvel; mas Robert Redford (Alexander Pierce) e Howard Mackie (Sam Wilson/Falcão) são duas novas personagens, esta última uma personagem que conheceu maior sucesso na década de 70, nas páginas a quadradinhos.

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O filme falha um pouco naquilo que é mais característico nos filmes dos Marvel Studios, há piscares de olhos a outras personagens que poderão aparecer mais para a frente, Stan Lee faz o cameo do costume, Agente 13 aparece mais como promessa futura do que como personagem concreta. O título poderia até ter sido outro, a personagem de The Winter Soldier ainda que central e importante na mitologia de Steve Rogers deverá despontar com maiores cuidados na próxima  sequela. Quem conhece a história da personagem sabe da sua importância no universo do Capitão América, aqui divide-se a sua participação entre o papel de vilão e esse outro papel que fica guardado para o 3º filme, a sua definição foge um pouco das temáticas deste filme e acaba por ser mais uma pista para o futuro do franchise, mas diminui a unidade temática do filme, em certo sentido. Mais do que um stand-alone que é, o filme marca então a passagem de testemunho para Avengers 2 e para Captain America 3, o que pode irritar algumas pessoas, mas que é também uma marca do sucesso dos filmes e uma obrigatoriedade pelo menos enquanto os filmes forem vistos.

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Captain America 2 é uma produção segura, um filme de ação interessante, que vive da boa química entre as personagens, que pretende demonstrar a evolução do universo (cinematográfico e televisivo) e que parece conseguir fazê-lo, mas essencialmente prova que a mudança pode ser uma boa coisa, não existem grandes semelhanças entre os dois primeiros filmes de Captain America, o que é bom é que cada um funciona bem à sua maneira, a ver se a fórmula é para seguir na 3ª fase.

Uma última nota só para enaltecer a qualidade do genérico final, muito bom!

 

 

 

 

 

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Frente à caixa estúpida

O cansaço e a falta de tempo não têm permitido avançar nas diversas séries que costumo acompanhar.
Na última semana, vi os primeiros episódios da 2ª temporada de Last Man Standing, com Tim Allen, e ontem o primeiro episódio de The Following, de Kevin Williamson (o mesmo de Scream, Dawson´s Creek, The Vampire Diaries), com Kevin Bacon e James Purefoy.
The Following é claramente uma série americana, na abordagem, nos clichés, na construção narrativa. Uma espécie de Scream com esteróides, polvilhado com Edgar Allan Poe.
O piloto apresenta-nos Ryan Hardy – Kevin Bacon, um ex-agente do FBI, que é chamado como consultor na investigação e caça ao serial killer Joe Carrol – James Purefoy, criminoso que ajudou a prender 10 anos antes.
O primeiro episódio mostra-nos a fuga e consequente captura de Carrol, que dá mote para o que vem para a frente. O título da série refere-se aos seguidores de Carrol, que continuarão a missão sangrenta do “líder” na prisão.
The Following podia ser um caso de muita parra e pouca uva, não é, a parra já é muito pouca, a série é mais violenta e gore do que o habitual para um canal como a FOX, mas a violência parece demasiado gratuita (diria que daquilo que conheço de Williamson não é propriamente uma surpresa). O episódio piloto é pouco convincente, Carrol é pouco mais do que uma caricatura e Hardy é a clássica figura do agente caído em desgraça depois de um caso bem resolvido. A série não trabalha grande coisa, tudo acontece demasiado depressa e o relacionamento entre as duas personagens parece um Silêncio dos Inocentes em mau.
Enfim, um gostinho amargo, terei vontade de ver os restantes 14 episódios?
Last Man Standing é uma série à imagem do seu protagonista e do humor que o caracteriza, a série destila Tim Allen por todos os poros.
A primeira série agradou-me, já que o sentido de humor, boçal, sarcástico e “machista” me agrada, no entanto, esta segunda série trouxe uma mudança de três atores (Alexandra Krosney cedeu o lugar a Amanda Fuller  como Kristin Baxter; Evan e Luke Kruntchev deram lugar a Flynn Morrison como o filho de Kristin, Boyd; e  Nick Jonas desapareceu para Jordan Masterson ser Ryan, o pai de Boyd), para consequentemente Boyd e Ryan terem mais tempo de antena. Pessoalmente, a troca de atriz não me convence e Boyd e Ryan são cada vez mais personagens irritantes, tanto pela forma como estão escritas, como pelos atores que as encarnam.
Provavelmente, estas duas séries vão ter o mesmo destino na minha grelha, dar lugar a duas outras…

Revenge e Scandal

Do que vou vendo na tv hoje não posso dizer que acompanhe nenhuma grande série, pelo menos ao nível de The West Wing e Battlestar Galactica, duas das séries que mais me cativaram, ou de Wire in the Blood, série psicologicamente violenta e bem escrita vinda da velha Albion.
Acompanho com interesse a bem escrita Downton Abbey, mas confesso que a última série e meia me soube a telenovela, bem escrita, mas telenovela ainda assim.
The Newsroom trouxe de volta a escrita e verve esquedista de Sorkin, de quem gosto bastante e a Sherlock Holmes inglesa é um produto muito bem escrito e adaptado, mas são muito poucos episódios com imenso tempo de intervalo.
O resto é cliché, bem ou mal embrulhado em novas e velhas tentativas de fazer algo diferente ou de esticar o velho modelo até à exaustão. Cuidado de escrita como The Wire apresentou é hoje mais raro.
No meio disto, tenho acompanhado com algum gozo duas séries americanas, Revenge e Scandal. Diz a esposa que são telenovelas, sim, mas se todas as telenovelas fossem tão bem escritas ainda via telenovelas. São uma amálgama de clichés, de personagens tipo, de situações modelo, mas que fazem o que querem e prepararam de forma escorreita.
Ontem via o último episódio da primeira série de Revenge com um sentimento agridoce, matar Madeleine Stowe é lógico, mas perigoso, ainda que a personagem desta fosse já pouco mais do que uma caricatura, aliás, como boa parte das personagens. O final tenta fechar a primeira estória, mas não fecha por completo que o sucesso da série a isso obriga. A tentativa de nos convencer a ver a segunda série falha, já que as conspirações só podem convencer-nos e motivar-nos até certo ponto. Provavelmente vou continuar a vê-la, pelo menos nos entretantos, mas as fórmulas têm vida curta, um dos segredos de Battlestar Galactica foi movimentar-se e mudar o foco em cada série, alterando o status quo da coisa.
Scandal aposta num modelo semelhante de Revenge, por trás um segredo, uma conspiração, todas as semanas um caso novo. A série apresenta por enquanto a leveza e aprofundamento das personagens das primeiras séries de Anatomia de Grey, algumas personagens são histriónicas e irritantes, mas é o conjunto que ainda vai funcionando e mantendo o interesse, mesmo que a conspiração seja pouco mais do que pífia.
Se séries como Lost, 24, House e outras nos ensinaram é que o modelo pode cansar e corroer o sucesso por dentro, manter o interesse do espectador com segredos por vezes pode ser contraproducente.
Mas por enquanto estas duas dão algum gozo, moderado, mas algum gozo.

Terra Nova

Terra Nova é uma das novas apostas da FOX para a fall season de 2011, Steven Spielberg aparece como produtor e a série tem sido descrita como uma mistura de Lost com Jurassic Park.
A ação começa em 2149, no planeta terra, com a poluição e o excesso de habitantes a ameaçarem o futuro da humanidade. 
Uns cientistas malucos (redundância, eu sei) descobriram um buraco no tempo que permite a alguns escolhidos habitarem uma outra Terra (evitam-se os problemas das ações terem repercussão no presente), 85 milhões de anos no passado.
É neste contexto que conhecemos a família Shannon (Jim, o pai entretanto fugido da prisão, Elisabeth, a esposa cientista, e os três filhos Josh, Maddy e Zoe) que se juntam ao décimo grupo de “peregrinos” em Terra Nova.
O primeiro episódio (duplo, com duração de duas horas) apresenta-nos à família Shannon e ao ambiente de Terra Nova, tanto da terra, como da série.
A família tem um número anormal, já que a lei proíbe mais de dois filhos, a razão do pai ter de fugir da prisão prende-se com a decisão de terem levado avante a última gravidez. A ver vamos se a realidade futura deixada para trás terá algum impacto em episódios futuros, quando chegam a Terra Nova a indicação é que não. Há dinossauros, uns mais vegetarianos do que outros, há um grupo (sixers, do sexto grupo) de renegados e há muita história para conhecer, inclusive uma variante das pinturas de foz côa, mas com qualidade (afinal foram desenhadas por humanos do século XXII)!
Terra Nova é um produto mais cinematográfico do que televisivo, percebe-se pelos valores em causa, pela qualidade dos efeitos especiais. Cada episódio tem um orçamento de 4 milhões de dólares e foram construídos mais de 250 sets. O Presidente da Fox Entertainment, Kevin Reilly, comentou “This thing is going to be huge. It’s going to take an enormous production commitment.” Ao contrário do normal, a FOX não pediu um episódio piloto, mas avançou com uma série inicial de 13 episódios.
Por um lado, isto mostra a aposta e fé na série e sucesso desta, isto de um canal que tem apostado em Fringe (yuppii), mesmo sem grandes audiências. O primeiro episódio teve bons resultados tanto a nível de audiência, como de crítica.
Pessoalmente, não desgostei do primeiro episódio, mas também não delirei. Mas poucos são os pilotos que conseguem impressionar e, quando impressionam, poucos são os que mantêm a qualidade.
Terra Nova cativa, neste momento, mais a nível dos décors e efeitos especiais do que da narrativa; o segundo episódio foi uma desilusão, cliché atrás de cliché, nenhum mistério, nenhuma razão para me obrigar a voltar para o próximo episódio, somente dinossauros voadores. Houve construção e definição das personagens, nice, e então? Pagar 4 milhões para episódio e esquecer de contratar argumentistas é mesmo uma aposta arriscada.
Por enquanto, Terra Nova é uma aposta cara, pouco inovadora, ainda com pouca definição do que quer em termos narrativos, vai cativando, mas pouco mais. Veremos se o futuro é promissor, por enquanto, prefiro Primeval, que com poucos (comparando com os budgets americanos) meios vai fazendo maravilhas.

Mankell por Branagah

As últimas duas séries adquiridas foram alvo de alguma ponderação. Havia algumas na lista, logo o importante era decidir o que comprar primeiro. A caixa que me falta de Rebus, com Ken Stott (a primeira com John Hannah não me chama)? Apparitions, uma série inglesa, em que o personagem principal é um ministro da Igreja? Outras (?) de que não me lembro agora….
Optei pela 6ª Season de Spooks, uma das minhas séries favoritas. Acho que o status quo dos personagens principais está inerte há muito tempo, o que é raro nesta série, e se a season anterior manteve o nível anterior, não me matou a sede como seasons anteriores.
Mas como ia comprar duas, optei por um risco ponderado, Wallander, produzido e interpretado por Kenneth Branagh.
Porquê um risco? Não é que não goste de Branagh, pelo contrário, o que se passa é que gosto demasiado de Wallander, personagem criado pelo sueco Henning Mankell, de quem já li toda a série Wallander.
Já tinha visto 4 ou 5 episódios da versão (na  verdade há duas e vi episódios das duas) sueca de Wallander, baseados nos romances de Henning Mankell. E se é verdade que há diferenças, na série de que vi mais episódios a filha já é um personegm coadjuvante, a opção não caíu na adaptação dos livros (só daquele em que a filha entra pela primeira vez como personagem principal) mecânica, mas pela evolução dos personagens, ainda que estes sejam similares aos da versão literária.

O elenco da série sueca – Ola Rapace (Stefan Lindman), Krister Henriksson (Wallander), Johanna Sällström (Linda Wallander)

Assim, depois do Wallander em DVd chegar, sentei-me, com a esposa, frente à tv e vimos o primeiro episódio.
Demorei algum tempo a entrar. Esta demora tem duas faces distintas. Por um lado,  acho difícil “entrar”  em filmes ou séries baseados em livros que já conhecemos, mais complicado será quando já vimos adaptações, que gostamos bastante. Mas quando o que estou a ver responde ao que já foi dito e é baseado numa das minhas séries favoritas, pior ainda. O espírito crítico aumenta e penso que os primeiros 15 minutos foram dolorosos para a Sara, eu resmungava, dizia que ele não reagiria assim, enervo-me porque… já vão ver.
Branagh é um actor seco, fisicamente. Ainda assim, o seu Wallander é mais gordo do que estava à espera. Talvez por ser um actor que prezo, Branagh é o suficiente para me cativar, mas a produção e a realização, bem como algumas opções de argumento deixam-me logo de pé atrás.
Noto a presença feminina de colegas da polícia, quem são? Nos livros, o mundo é masculino. Quem são estas senhoras? O que  estão aqui a fazer?
Noto a ausência irritante da identificação dos coadjuvantes de Wallander, aqui e acolá dão-nos um doce (um nome), mas parecem-nos indicar que quem interessa mesmo é Wallander, o resto é paisagem. Nos livros esta noção não é tão acentuada. Wallander é o personagem principal, mas os seus coadjuvantes nunca são atirados para o enredo como palha. Primeira dificuldade a gerir.
Psicologicamente, a personagem de Kurt está bem definida, mas ainda assim não é o polícia que eu conheço, há diferenças quanto aos livros e a série sueca, a que melhor conheço, fá-lo melhor, até mais subtilmente. Wallander nunca passaria por uma cena de violência e continuaria impávido e sereno. Quem é este Wallander?
Se na série sueca a casa de Wallander parece-me sueca, mais não seja pela presença do IKEA, aqui parece-me estilizada, nua, mas anódina.
Vimos o primeiro episódio, 90 minutos, uma hora e meia, e nessa hora e meia Wallander não ouviu música uma única vez. Quem é este Wallander? A música é o escape de Kurt, quando descansa, pensa, come ouve música. Aqui, aparentemente, não. Comporta-se como o chefe da polícia, será? Não sei. Não tenho dados suficientes para ter uma conclusão.
Há muitos dados interessantes e contextualizadores que são deixados de fora. Irritam-me. Talvez porque conheça melhor Wallander do que muitos familiares meus, e este não é o mesmo Wallander que conheço.
Acabo por decidir abstrair-me do que já li e vi. Tento perceber quem é o Wallander de Branagh. Acabo por gostar do episódio, mais pela história em bruto do que por tudo o resto. Achei a realização fraquita, Ystad podia ser uma outra cidade, num outro país, não percebo porque foram filmar para a Suécia, tirando alguns planos da natureza, nada me leva automaticamente para aquele país nórdico.
Branagh como Wallander
A escolha mais feliz no que à caracterização diz respeito tem a ver com a presença e o relacionamento de Wallander com o seu pai. O casting foi feliz, mas para além do casting é o único aspecto do argumento em que não faço ressalvas. Encheu-me as medidas.
Faltam 2 episódios. Vou vê-los (Vamos vê-los). Espero que  a série cresça. Espero que o Wallander de Branagh seja definido, claro e cresça – já que o piloto não é brilhante, é interessante, pouco mais. O que mais me fascinou foi a história em si, mas a história é uma decopage do livro de Mankell.
Praguejo pelo preço alto que a série sueca custa, por enquanto não a troco pela versão de Kenneth Branagh, a bitola ainda não foi atingida, muito menos ultrapassada.

V

Uma das piores e mais cultuadas séries dos anos 80 teve direito a remake, falo de V, aquela em que os extra-terrestres eram lagartos mascarados de humanos.
Não sei se muitos deram por isso, mas a RTP1 estreou a nova série este Domingo, o que me faz dupla confusão. Dupla, porque nem anunciaram assim tanto, que eu tenha dado por isso, e porque a série vai durar quatro episódios nos EUA e só volta depois de um longo hiato, confundo, não sei se em Março ou Maio.

Depois de visto o piloto, o que me apraz dizer?
A série está recheada de rostos conhecidos, é uma profusão de actores secundários que conhecemos de outras séries. A história é mais ou menos a mesma que nos anos 80.
Os extra-terrestres chegam à terra, “ancorando” naves nas principais cidades do mundo, anunciando o desejo de paz e cura de algumas doenças.
Há medida que vamos vendo algumas das reacções descobrimos que eles estão mais tempo entre nós do que se julgaria e há até uma resistência contra eles (humanos que entretanto já descobriram que os intentos não são os melhores e aliens com problemas de consciência).

O piloto está bem conseguido, interessante, mas preocupa-me um hiato tão grande, normalmente, os hiatos ditam a morte da série nos EUA.

A ver vamos.

Na tv

Leio uma crónica no Público (P2) sobre o decréscimo da qualidade das séries de tv nos últimos tempos.
A verdade é que ficámos mal acostumados, nos últimos 5-10 anos foram produzidas algumas das séries mais interessantes e viciantes de sempre, ainda que nem todas com sucesso.
Lembro-me de The Wire, BSG, The West Wing (duh!), as primeiras duas de 24, CSI – Las Vegas, House MD, ainda que intermitentemente, entre outras, estou-me a lembrar das inglesas Spooks, Wire in the Blood, da escocesa, Rebus, das nórdicas, Wallander e Van Veeteren. Tudo de cor. Sabendo que deixo de fora outras boas ou muito boas, Lost, por exemplo.
Os últimos dois ou três anos têm sido chatos para a tv. Não há grandes séries. Há produtos interessantes, divertidos, mas nada que nos puxe pela cabeça, nos faça querer ver aquilo todas as semanas ou invejar o talento de quem as escreve.
A última série de House tem sido uma desilusão, ao voltar ao status quo. Sabe a pouco.
Chuck continua a ser uma surpresa, mas já só vai ter 13 episódios, fugindo ao cancelamento certo.
24 é demasiado repetitivo.
Supernatural continua a ser interessante, divertido e um gozo, mas o que acontecerá depois desta season terminar?
Felizmente que lá por casa há uma série de coisas boas para rever ou ver. Temos estado a ver Studio 60, temos ainda 4 episódios para terminar Jericho (têm que durar até chegar a 3ª season em bd :p) e ando com vontade de rever The West Wing, pelo menos as primeiras 4 seasons.
A ver o que os próximos meses nos guardam…

Flashforward tem uma premissa interessante, mas padece do erro da 2ª season de Lost. Demora imenso tempo para acontecer alguma coisa e se excluirmos o último minuto, o episódio é de uma pasmaceira que constrange.

Traumas

Acabámos a 1ª season de Jericho.
Fizemos período de nojo.
Vimos o 1º episódio da 2ª season.
Como é que acabaram com isto? O primeiro episódio, de sete!!!, consegue manter a fasquia bem lá no cimo.
Ai, ai…o vício, mas ao mesmo tempo a vontade e desejo de mantê-la viva o mais que se puder.

Jericho

Andamos a ver Jericho lá por casa. E a avaliar pela primeira metade da primeira série ainda não acredito que a série foi cancelada, nunca conseguindo captar espectadores suficientes para escapar ao cancelamento, embora os fãs que angariou tenham sido fieis, conseguindo que a série voltasse para uma breve, e mais curta, segunda temporada, à pala de 20 toneladas de amendoins enviadas para a CBS!
A verdade é que Jericho consegue ser melhor série do que muitas que se mantêm por diversas temporadas. Nos EUA, o dia e a hora a que as séries são colocadas no ar marcam as possibilidades de sucesso. E ao contrário dos filmes, é o mercado americano que manda, não havendo outras possibilidades mesmo que a série seja um grande sucesso no resto do mundo.
Jericho conta a história de uma cidade americana Jericho, no Kansas, depois de um ataque nuclear a várias grandes cidades americanas.
A primeira temporada centra-se nos residentes de Jericho e nas diferentes formas como estes reagem e sobrevivem aos desafios da sua nova condição.
Os medos comuns, mas o ataque de mercenários e a presença a poucos quilómetros de um bando de bandidos tornam-se alguns pontos de interesse e conflito nos 12 episódios já vistos.
O personagem principal é Jake Green, um dos filhos do Mayor da cidade que volta à cidade e ali permanece devido ao ataque nuclear, outro dos personagens com mais tempo de acção é Robert Hawkins, um novo habitante e que sabe mais sobre o que aconteceu do que à partida poderíamos supor.
Jake torna-se, pouco a pouco, um dos líderes de Jericho, protegendo a cidade e os seus habitantes, “dividido” entre um antigo amor e uma professora que se apaixona por ele.
A série é divertida, joga bem com o relacionamento entre os diferentes personagens e a dinâmica da pequena cidade americana, enquanto acrescenta a isto diversas e diferentes temáticas como a identidade de uma comunidade, a ordem pública, o valor da família e as generation gaps, tudo isto enquanto vai brindando o espectador com diversos mistérios, relacionados com o passado, essencialmente, dos dois personagens nomeados, mas também sobre os responsáveis dos atentados e as razões por trás deles. Acima de tudo está bem escrita, com um bom desenvolvimento dos personagens e mantendo o interesse, espicaçando, do espectador.

Ainda assim, Jericho tem-se revelado uma série algo leve, por vezes, parece demasiado telenovelesca (há demasiados casos amorosos, demasiadas mulheres com interesses amorosos que acabam por retirar algum tempo à acção), mas acaba por conseguir um equilíbrio interessante.

Já este ano, foi anunciado o regresso de Jericho em dois media diferentes, assim Jericho deverá continuar a sua carreira e a storyline, com uma terceira temporada em BD, pela Devil´s Due (entrevista aqui), e parece que há a possibilidade de terminar a história com um filme.
Diz Turteltaub: “We’re developing a feature for Jericho. It would not require you to have seen the TV show, but it gets into life after an event like this on a national scale. It would be the bigger, full on American version of what’s going on beyond the town in Jericho.”

A ver, no nosso caso, a acabar de ver a primeira season, já que a caixa com a segunda já se encontra no móvel:p