A LER

O Ano Zero do Neo-Salazarismo de José Medeiros Ferreira, no DN.

Interpretar a Votação de Rosado Fernandes, também no DN.

Editorial do Público.

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Salazar é Deus e Cunhal o Diabo.
Ou vice-versa.
Cunhal faz de Deus dando o lugar de Diabo a Salazar.
Branco no preto ou preto no branco.
Como se o fascismo, e os regimes (não conheço democracias) comunistas não fossem faces de uma mesma moeda.
Falo da concretização, não dos ideiais.

Ao contrário de muitos, e afinado pelo mesmo tom de outros tantos acredito que uma das causas da vitória de Salazar no passado Domingo deve-se ao ensino da História, ou mesmo por causa deste.

Como fará sentido o ensino da história unificada europeia quando desconhecemos a nossa própria história? E não falo só de Salazar, falo de Vasco da Gama, de Camões, de Pessoa, de todos os Reis, et caetera. Fará sentido conhecer mais da história da Alemanha ou da França do que da do nosso burgo?
A história ensinada, e eu sempre gostei de história, em Portugal, é pouco contextualizada, aprendemos factos, mas não aprendemos a cultura, os hábitos, as diferentes correntes de pensamento, políticas, culturais da época.
Fazendo um curso de Literaturas Modernas, com vertente em Estudos Portugueses tive duas cadeiras de História, ambas sobre os Descobrimentos.
Uma, era tipicamente uma aula de secundário. A Professora lia, e nós escrevíamos. Quando fazíamos uma pergunta que fugisse aos seus apontamentos ficávamos a olhar uns para os outros, para de seguida continuarmos o ditado.
A outra, contextualizava, explicava, problematizava, punha em contraste, defendia e atacava.
Talvez seja isto que falta ao nosso ensino da História.

E dizer que o Estado Novo tem sido ensinado…ao longo dos meus 18 anos de ensino recebi a doutrinação sobre o que aconteceu, mas não fui levado a pensar sobre o que foi, porque é que aconteceu, que virtudes, se é que as havia, e que defeitos tinha ccriticamente. Foi-me entregue e pedido que transcrevesse esses dados num teste.
É óbvio que numa situação de crise as pessoas tendam a pensar no passado, e a romancear esse mesmo passado. Não sei se foi isto que aconteceu. É normal que as pessoas, mesmo as que sofreram tendam a lembrar-se das coisas boas, eram essas que os levavam a viver, era esse o seu alento. Não sei se foram estas pequenas coisas, muitas delas perdidas na nossa sociedade, que levaram à vitória de Salazar.

Dois extremos, duas medidas

Quando um senhor austríaco ganhou as eleições no seu burgo, Jorg Haider, toda a Europa explodiu em invectivas. Os nossos amigos comunistas sofreram de irritação cutânea e verbal. Que se matem os nazis, já se esqueceram do fascismo?

Quando o Primeiro-Ministro (pleunasmo) chinês veio a Lisboa ofereceu-se a chava da cidade. Poucos se irritaram, e os que o fizeram rapidamente foram esquecidos. Aliás, um dos deputados comunistas veio uns anos depois dizer que duvidava que a Coreia do Norte não fosse uma democracia, que não havia torturas nem outros arrepios à liberdade pessoal.

Para mim, fascismo e comunismo em acção são uma e a mesma coisa. Os resultados são pavorosos em cada um dos casos. Se Hitler fica para a história, e com ele Mussolini e Franco, pelas piores razões, o que fazer a Lenine, Fidel e outros?

Isto de chamar nomes a uns de outra cor, e aplaudir os nossos camaradas irrita-me.
Distanciação poderia ajudar um pouco. digo eu.

And the winner is…Salazar (ooops)

A esta horao estomago ainda está a dar de si, a bílis deve dar uma azia dos diabos e o sabor a fel é uma realidade incómoda.
Como podem ter escolhido o fascista filho da mãe em vez do meu camarada?
É óbvio que escrevo daquilo que me manteve acordado até perto das 2h da manhã. Claramente que a vitória de Salazar trouxe algum incómodo não só aos convidados do programa, como à própria apresentadora e também à RTP.
Não nos esqueçamos de que falamos de um programa de televisão, com pouco mais de 200.000 votantes.
Não sei se é um sinal de Portugal, concordo com a opinião de alguns dos elementos do programa que muitos anti-salazaristas terão, eles próprios, votado em Salazar. É, assim, um sinal de descontentamento para com o país e os políticos que temos. É um sinal de que o país de Abril foi/é um fracasso. Mais do que estudar a pessoa política e o próprio Estado Novo o que se impunha é uma mudança de rumo, um período de nojo perante o povo, é reconhecer o que se pode fazer em conjunto e deixar de parte as quezílias políticas do dia a dia.
Eu sei, eu sei…utopias.
Por um lado, irrita-me, embora compreenda, a bílis de Odete Santos. Não porque não a compreenda, não porque seja fascista, mas porque nas críticas feitas não reconhece o erro igual do comunismo. Quando Odete falava e descrevia o Portugal de Salazar não era preciso fazer muita força para imaginar que a deputada também falava de Cuba, Urss, China, embora a mea culpa seja uma impossibilidade, e é aqui que nasce a fraqueza da sua argumentação.
Por outro, parece-me que o comunismo é uma religião, um fanatismo que impede os seus membros de pensar criticamente.

Tenho sorrido com o debate acerca da posição de Salazar e Cunhal no concurso da RTP, e diga-se de passagem como é que um programa destes dá origem a tanta discussão? Enfim…
Tenho achado piada aos arrepios comunistas, perguntam-se eles, com razão ou não, como é possível que alguém como Salazar esteja nos 10 primeiros lugares? A esta questão junta-se a “reescrita da história” quando se referem a alguns comentários menos abonatórios acerca do seu famoso líder.
Ora a minha opinião, e vale o que vale (que não é muito), é que a escolha de Salazar representa, pelo menos, uma coisa – a insatisfação geral dos portugueses para com os nossos políticos.
Em todos os quadrantes se ouve a famosa frase “se queres ganhar dinheiro vai para a política”. Salazar, apesar de todos as terríveis falhas, conseguiu, com muitos e grandes custos, devolver alguma estabilidade económica ao país. A grande perda foi efectivamente a liberdade, não falo da cultura e da censura porque o amor de Salazar pela cultura era relativamente igual à dos partidos pós 25 de Abril.
Penso que a escolha de Salazar é um cartão amarelo dos portugueses às mais variadas gerações políticas, de que outro modo explicar as taxas de abstenção nas eleições?
Outra explicação possível é a esquerda boicotar a chamada telefónica de valor acrescentado, e votar somente pela net. Comunistas sim, capitalistas nem pensar.
MAs eu acredito mais na primeira opção.