Há imensas formas de começar um texto. Alguns exemplos.
Vejo futebol cada vez menos. Sem vontade de pagar 25 Euros mensais por um pack de canais desportivos, quedo-me pelos jogos que vão dando na televisão pública. As arbitragens não ajudam, as fracas prestações do meu clube o ano passado também não. 
Vejo cada vez mais futebol, mas futebol americano. Sim, a transmissão chega a demorar mais de três horas, mas normalmente gravo e vejo os jogos depois. Parece-me um jogo mais justo, há câmaras, há repetições, mas não são feitas a eito. Há contacto físico, os tipos chocam uns contra os outros, mas continuam de pé, alguns. Fartei-me de ver gente caída no chão depois de um sopro à espera que o árbitro mostre um cartão.
Desconfio de treinadores que têm como primeiro nome o título de Professor. Fiquem vocês com o Professor Queiroz e o Professor Jesualdo. Gente que fala muito, característica própria de um professor (sei por experiência própria), mas que falha no momento de acertar. Gente que em vez de ter jogadores para determinada posição faz adaptações,  de repente e ostracizam aqueles que falham. Gente que parece que só teve aulas de defesa, o objectivo das suas equipas é não sofrer, ou sofrer poucos, golos. Esquecem-se que o jogo ganha-se marcando golos. Gente que quando acerta, esquece.
Não gostava de Scolari, perdão, não gosto de Scolari. Como também não gosto de Queiroz. E evito fazer comparações. Queiroz foi para a África do Sul querendo imitar Mourinho, coitado. Defendeu-se em todos os jogos, menos contra a Coreia do Sul. Portugal fez um dos melhores jogos dos últimos 4/5 anos. Podem dizer que a Coreia era uma equipa fraca, concordo, mas jogámos contra outras equipas fracas, nesse período,  e não fizemos nada parecido.
Empatámos (não em termos de resultado, mas em termos exibicionais) contra a Coreia, contra o Brasil e afogámo-nos contra a Espanha, porque simplesmente não jogámos à bola. Um treinador que se gaba de ter treinado Ronaldo dia e noite, durante três ou quatro anos, devia saber onde, como e de que forma ele rende mais. Mas não! Um treinador devia levar e meter um trinco, não o Pepe, com seis meses de paragem e que é, para mim, um central interessante, mas um trinco fraquinho.
Queiroz gaba-se de ter perdido por um só golo contra a Espanha. Um treinador que diz isto, com a equipa que tem e jogando como Portugal jogou devia levar uma carga de porrada. Como Jesualdo, fala muito, a sua equipa é sempre a melhor, mas dentro de campo acobarda-se, tem medo, não joga nada.
A vitória contra a Coreia foi a única coisa positiva deste Portugal. Mas nem na vitória Queiroz soube aproveitar a equipa. Inventou contra o Brasil, continuou a senda contra a Espanha.
Infelizmente, acha que fez um trabalho meritório.

Critica-se Salazar, obviamente com razão, por ter torturado, censurado, e por não ter em conta o bem estar do povo.
Desculpem a comparação, mas passámos de um estado em que se prendia por tudo e por nada, para um Estado em que não se prende. Passámos da censura para a exaltação política, em que, provavelmente como em outros tempos, as mensagens ao país são ditadas pela hora dos telejornais. Passámos do governar contra o povo para o governar em prol do défice, o que vai dar, mais ou menos, no mesmo.

Hospitais, maternidades, SAPs são trocadas por ambulâncias, e como me diziam ontem, é mais um sinal de que o Serviço Nacional de Saúde está pelas costuras, em vez de esperar pela rotura, obriga-se os doentes a ir ao privado, não como oportunidade, mas necessidade. Assim quando o SNS der o berro, já não choraremos muito por ele.

Por outro lado, o nosso PM veio ontem a público incitar os trabalhadores sem o 12ºano completo a regressarem à escola, é necessário a requalificação, e o 12º ano é, para o PM, o “patamar mínimo de qualificação para todos os que trabalham”, todos os outros são, seguindo a ideia, incapazes e inqualificáveis. Pena que tanto trabalhador do Estado, alguns com bem mais do que o 12º sejam socialmente inqualificáveis, e umas autênticas bestas no tratamento para com o contribuinte.
“É o melhor que podem fazer por vós próprios, pelo vosso salário e pela vossa empresa mas, também, pelo vosso País”. E se depois ganharem o gosto, e pensarem na faculdade, não se queixem se ouvirem que têm qualificações a mais…
Falava com um aluno meu, que por necessidade teve de deixar de estudar, agora no curso de Engenharia Civil, congratulava-se de perceber e achar fácil uma cadeira de Física. Segundo ele, estava a recordar a Física do antigo 7º ano, os outros andam a apanhar bonés…
Precisamos de um país qualificado, entenda-se com o 12º feito; precisamos de um país tecnológico, com TGVs, OTAs e afins; precisamos de um país competitivo.
Deve ser por isso que estamos a fechar hospitais, a ver se os “velhos” morrem mais facilmente, a ver se ainda é possível salvar o SNS.
Grandes Portugueses? Para grandes males, políticas cegas…

Salazar é Deus e Cunhal o Diabo.
Ou vice-versa.
Cunhal faz de Deus dando o lugar de Diabo a Salazar.
Branco no preto ou preto no branco.
Como se o fascismo, e os regimes (não conheço democracias) comunistas não fossem faces de uma mesma moeda.
Falo da concretização, não dos ideiais.

Ao contrário de muitos, e afinado pelo mesmo tom de outros tantos acredito que uma das causas da vitória de Salazar no passado Domingo deve-se ao ensino da História, ou mesmo por causa deste.

Como fará sentido o ensino da história unificada europeia quando desconhecemos a nossa própria história? E não falo só de Salazar, falo de Vasco da Gama, de Camões, de Pessoa, de todos os Reis, et caetera. Fará sentido conhecer mais da história da Alemanha ou da França do que da do nosso burgo?
A história ensinada, e eu sempre gostei de história, em Portugal, é pouco contextualizada, aprendemos factos, mas não aprendemos a cultura, os hábitos, as diferentes correntes de pensamento, políticas, culturais da época.
Fazendo um curso de Literaturas Modernas, com vertente em Estudos Portugueses tive duas cadeiras de História, ambas sobre os Descobrimentos.
Uma, era tipicamente uma aula de secundário. A Professora lia, e nós escrevíamos. Quando fazíamos uma pergunta que fugisse aos seus apontamentos ficávamos a olhar uns para os outros, para de seguida continuarmos o ditado.
A outra, contextualizava, explicava, problematizava, punha em contraste, defendia e atacava.
Talvez seja isto que falta ao nosso ensino da História.

E dizer que o Estado Novo tem sido ensinado…ao longo dos meus 18 anos de ensino recebi a doutrinação sobre o que aconteceu, mas não fui levado a pensar sobre o que foi, porque é que aconteceu, que virtudes, se é que as havia, e que defeitos tinha ccriticamente. Foi-me entregue e pedido que transcrevesse esses dados num teste.
É óbvio que numa situação de crise as pessoas tendam a pensar no passado, e a romancear esse mesmo passado. Não sei se foi isto que aconteceu. É normal que as pessoas, mesmo as que sofreram tendam a lembrar-se das coisas boas, eram essas que os levavam a viver, era esse o seu alento. Não sei se foram estas pequenas coisas, muitas delas perdidas na nossa sociedade, que levaram à vitória de Salazar.

O DN traz uma reportagem sobre a fixação de população nas grandes cidades e no interior.
Em Portugal sabemos que tudo vai mal. A baixa de Lisboa é um deserto, e tirando os subúrbios quase todo o país tende para a desertificação, ainda mais agora com a fuga de esquadras, hospitais, maternidades e outros.
Na página 32 leio “Desertificação rural é coisa que os alemães não conhecem. Grandes cidades como Hamburgo, Berlim, Bona ou Hannover são densamente povoadas e servidas por uma boa rede de transportes. Um alemão pode viver a 70 k de distância do emprego, numa vila pacata, bem organizada e sem pressão urbanística, já que o centro urbano fica acessível em meia hora. Num país com 85 milhões de habitantes, todas as vilas têminfantários, escols, unidades hospitalares e serviços sociais.
As preocupações sociais são maiores no Leste da Alemanha reunificada, devido ao desemprego que obriga os mais jovens a deslocarem-se para as grandes cidades. Para travar o êxodo, o Governo alemão dá incentivos fiscais às empresas que se instalem no Leste. A ajuda social é dada às pessoas que permaneçam nos territórios de origem. Um casal com filhos pode receber 1800€/mês, entre apoios para renda de casa, abonos e subsídios de desemprego.”


Cada um faça a sua leitura do nosso país…

Vale a pena ler

Sobre a Monarquia – no Bandeira ao Vento. Brilhante texto, com muito humor de um dos melhores cartunistas portugueses.

Sobre Isqueiros – no Hoje há Conquilhas, amanhã não sabemos. Realmente, o Governo anda preocupado com as “pequenas coisas”, isqueiros, cartão único, fim dos alugueres dos contadores e sei lá mais o quê (Ah, a ASAE). O Governo quer mostrar trabalho não tanto no que lhe compete, mas no que pode. E as questões de fundo ficam no fundo do saco. É pena!

Diz que seria uma espécie de julgamento popular

A ouvir e ler sobre a decisão (troquem por desejo utópico) de Valentim Loureiro em ser julgado na televisão não deixei de pensar em Francisco Penim.
O director da Sic terá pensado em recuperar o formato do Juíz Decide (seria este o nome daquele programa em que um juíz decidia uma querela?), é que o desejo de Valentim já foi realidade outrora, um reality-show (?) num tribunal fictício. E seria a resposta para a batalha de audiências que impede Penim de dormir há um ano.
É o país que temos…