António Costa e o Zé

Para quê comentar quando o Eduardo já disse tudo?

Dando de barato o nonsense do “acordo”, há aqui um ponto que não deve ser escamoteado: se, antes do escrutínio de 15 de Julho, Costa tivesse sequer sugerido a possibilidade de um “acordo” ulterior com José Sá Fernandes, mesmo sem pelouro, perdia logo um terço dos seus potenciais eleitores. Está escrito nas estrelas que “isto” vai acabar em desastre. É só esperar pelo próximo túnel. Quem não percebe a evidência, devia meter explicador.
Que o BE deixe de ser a força política para passar a ser partido sério (com tudo o que isto acarreta) não me choca tanto quanto o Pelouro oferecido (ganho) a Sá Fernandes. Depois da birra do túnel? Concordo com o Eduardo, isto vai acabar em desastre.

Frase

Paulo Maluf, antigo prefeito e governador de São Paulo e candidatò à Presidência disse: “Roubo, mas faço.”
Quem nos dera… cá há poucos que cumpram as premissas na totalidade, a frio todos cumprem a primeira na perfeição. Cinismo, não…realidade. Escrevi há tempos sobre João Jardim, tire-se a prepotência, os “crimes” apontados pela oposição, a verborreia e a má língua, o que fica? Obra!
Em 99% dos casos, não fica nada…

Fui-me embora para Montargil na 4ª de manhã, e vim no Sábado à tarde.
As únicas notícias que vi e ouvi foram o resultado do Benfica e do Porto !!!
Pedi que me comprassem o Expresso, já em casa acrescentei o Sol.
Reconheço a habilidade política e o acaso (divino), ontem lia num jornal sobre a semana negra de Sócrates. E penso que Sócrates está contente com o timing, resta saber se depois da crucificação das última(s) semana(s) haverá espaço para a ressurreição.

Critica-se Salazar, obviamente com razão, por ter torturado, censurado, e por não ter em conta o bem estar do povo.
Desculpem a comparação, mas passámos de um estado em que se prendia por tudo e por nada, para um Estado em que não se prende. Passámos da censura para a exaltação política, em que, provavelmente como em outros tempos, as mensagens ao país são ditadas pela hora dos telejornais. Passámos do governar contra o povo para o governar em prol do défice, o que vai dar, mais ou menos, no mesmo.

Hospitais, maternidades, SAPs são trocadas por ambulâncias, e como me diziam ontem, é mais um sinal de que o Serviço Nacional de Saúde está pelas costuras, em vez de esperar pela rotura, obriga-se os doentes a ir ao privado, não como oportunidade, mas necessidade. Assim quando o SNS der o berro, já não choraremos muito por ele.

Por outro lado, o nosso PM veio ontem a público incitar os trabalhadores sem o 12ºano completo a regressarem à escola, é necessário a requalificação, e o 12º ano é, para o PM, o “patamar mínimo de qualificação para todos os que trabalham”, todos os outros são, seguindo a ideia, incapazes e inqualificáveis. Pena que tanto trabalhador do Estado, alguns com bem mais do que o 12º sejam socialmente inqualificáveis, e umas autênticas bestas no tratamento para com o contribuinte.
“É o melhor que podem fazer por vós próprios, pelo vosso salário e pela vossa empresa mas, também, pelo vosso País”. E se depois ganharem o gosto, e pensarem na faculdade, não se queixem se ouvirem que têm qualificações a mais…
Falava com um aluno meu, que por necessidade teve de deixar de estudar, agora no curso de Engenharia Civil, congratulava-se de perceber e achar fácil uma cadeira de Física. Segundo ele, estava a recordar a Física do antigo 7º ano, os outros andam a apanhar bonés…
Precisamos de um país qualificado, entenda-se com o 12º feito; precisamos de um país tecnológico, com TGVs, OTAs e afins; precisamos de um país competitivo.
Deve ser por isso que estamos a fechar hospitais, a ver se os “velhos” morrem mais facilmente, a ver se ainda é possível salvar o SNS.
Grandes Portugueses? Para grandes males, políticas cegas…