Sócrates

A bem da verdade, Sócrates percorreu um longo caminho desde a sua presença no Governo de Guterres.
Não concordo com todas as opções, ou com poucas, se quiserem, muito menos com o estilo.
Comparam-nos muitas vezes, Sócrates e o estilo, a Cavaco. Só o tempo o dirá, mas parece-me que Cavaco era mais assertivo, mais confiante, mais teimoso. Não vejo Sócrates a comer um bolo rei, ou a aceitar uma buzinadela na Ponte 25 de Abril. E não consigo ver a comparação com os protestos dos professores.
Do que me lembro, afinal tudo acaba por ser uma questão de memória, Cavaco era mais solidário com os seus ministros e falava mais, era ele que dava a cara, coisa que Sócrates, por vezes, bem ou mal, evita.
Uma das coisas que mais me irrita em Sócrates é a diarreia verbal sem consistência. Rejubila-se por ir duas vezes ao Parlamento, mas raras são as vezes em que responde ao que lhe é perguntado, muitas das vezes faz campanha pura e dura, nas restantes distorce e foge da pergunta e fala do que quer. Outra coisa que me irrita solenemente, acto demasiado português, é o responder sempre voltando ao passado,infelizmente só com fins acusativos, e poucas vezes com a intenção de dar um passo em frente. Critica o PSD, Paulo Portas, o BE, o PCP, enfim, fá-lo com a lógica de mostrar que é diferente, muitas vezes mostrando, paradoxalmente ou não, que é igual aos outros.
Este longo texto nasceu ontem de uma ideia.
Lembrei-me de Vale e Azevedo, não pelas trafulhices e enganos mil, mas pela unanimidade. Lembro-me de uma AG, em que houve violência, mas ainda assim unanimidade. Vale e Azevedo era uma vítima, todos estavam do lado dele.
Sócrates está feliz, o PS é ele e pouco mais. Toda a gente está do lado dele, malhando à direita e à esquerda.
A Comunicação Social, mesmo com as campanhas negras, tem sido benevolente com o nosso PM, bem mais do que com os Governos e Governantes anteriores.
Até quando?
Deverá ser por mais quatro anos. Duvido que não chegue à maioria absoluta. Como? Porquê?
Sócrates secou tudo à sua volta, com ou sem ajuda. Estou a pensar nos tiros nos pés do PSD. As pessoas preferem votar no diabo que conhecem…
Por outro lado, os portugueses, historicamente, socialmente, psicologicamente, tendem a ficar sentados à espera de um salvador. Somos gente de fé, em Dom Sebastião, no 5º Império, mas deixámos a acção para outros. A ideia de que os governantes são todos uns chulos, toldou-nos a mente. Nós trabalhamos, eles roubam. Nós votamos neles, cada vez menos, eles servem-se dos tachos. Tudo isto para quê? Estamos consignados à sorte que nos calhar, e quanto menos fizermos para mudar iso melhor. A culpa será sempre deles.
Porque no fim, a culpa é sempre nossa.

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Amorfos, às armas

O João voltou a vestir a camisola do Governo, o que é bom, e a defender todas e quaisquer opiniões e decisões Socráticas.
O ponto não me parece ficar a saber que “o Governo também tem dúvidas e também se engana.” Todos o fazem e em algumas situações é melhor que tal aconteça, como dizes, “Até porque não há mal nenhum em mudar de opinião. Desde que seja para melhor.”
Antes assim…
A questão é na forma como a situação é tratada, o que se diz ou deixa de dizer.
Sócrates desde sempre apostou na continuidade dos membros do Governo, quer vão fazendo alguma coisa ou não, quer abram a boca para vociferar os maiores disparates. Longe vai o tempo em que o Governo de Santana era criticado pelas maiores (ou não) alarvidades proferidas ou cometidas pelos seus membros.
Jornalistas, oposição, opinion-makers todos alardeavam a necessidade de correr com alguns ou todos os ministros.
Hoje, é a pasmaceira total. Ao “jamais” irónico nada acontece.
A criança é criada com base no castigo ou reprimenda, física, visual, oral ou outra. O que passa para o país é que Sócrates nada diz, nunca, sobre o agir dos seus Ministros. É um pai que sorri muito, elogia muito, mas perante as asneiras do filho fora de casa, fica ali, a ver o filho asneirar, complacentemente, e na primeira oportunidade diz que sim, que o seu filho é o melhor do mundo e deixa-o orgulhoso.
Não basta mudar de opinião, quando para fora se mantém a mesma forma de (re)agir. O que me pasma em tudo isto é, por um lado, o saco roto em que caem todas e quaiquer reinvidicações ou pedidos de pedidos de desculpa, por outro a forma como o país reage. Ou melhor, como não reage.

Dúvidas

Sócrates foi interrompido e vaiado por alguns eurodeputados, ontem, em Estrasburgo.
Os Eurodeputados (de esquerda, com o apoio de mais alguns deputados de outras bancadas) mereceu o repúdio de Sócrates, que disse gostar de momentos parlamentares deste género, tendo ainda acrescentado “A Europa é justamente assim. É uma Europa tolerante, mesmo para aqueles que não têm boas maneiras ou que não as usam“.
Pois… quem concorda connosco é bem educado, quem não o faz, ou é mal educado ou esqueceu-se da boa educação. MAs, o esquecimento das promessas eleitorais, insere-se no quê?Não nos esqueçamos que as promessas, ou determinadas, não são obrigatórias, são uma opção. Enfim…avancemos, Sr. PM.
E realmente, avançou e disse “A partir de hoje, e talvez para incómodo de alguns, os direitos humanos passam formalmente e de forma irreversível a fazer parte do património comum da União“.
Deduzo que o incómodo tenha a ver com a semana de atraso que os direitos humanos passam a fazer parte do património da União. Muitos gostariam de os ter visto incorporados na Cimeira UE-África.
Quer isto dizer que da próxima vez já recebemos o Dalai Lama?

Leituras

O pouco tempo da reportagem deu para chegar a uma conclusão:
Sócrates é tão bom a ler inglês que até dói. Dói-nos os ouvidos, ainda que para os nativos deve ser melhor que stand-up comedy.
Imaginem estar ali, sentados horas a fio, a ouvir líder atrás de líder, a falar do ambiente e de como podem melhorar, quando na verdade o discurso é bem diferente da acção. E um atrás do outro dizem sempre o mesmo. Até que…de um cantinho escondido da Europa aparece um espanhol, perdão português, a dizer umas coisas engraçadas, com um ar da maior seriedade. Pena que por vezes seja incompreensível. Ou o sotaque ou o sentido da frase.
Sócrates é grande. Vamos ser conhecidos e amados, amados por esse mundo fora.
Pssssssiu: Ninguém lhe dá um computador e um curso de inglês daqueles com os bonecos da Disney? Mal não há-de fazer.

Sócrates in the States speaking the english

Vi Bush a falar, perante os jornalistas, a Sócrates. Achei um pouco estranho a velocidade do discurso. Mais lento, que nunca foi rápido, do presidente americano.
A reportagem dava espaçadamente os discursos, ora de Bush, ora de Sócrates.
Sócrates a falar inglês é…caricato. O Médio Oriente transformou-se midwest, é a única gaffe que me lembro de momento, mas outras houve.
Daí que Bush falasse davagarinho, com medo que o PM não o percebesse,, ou a ver se ele percebia como se dizem as coisas nos States.

Ideias Soltas

Choca-me o facto de a Ministra da Educação ter achado natural a contratação de crianças/figurantes para anunciar a Escola do futuro.
Gostava de saber que escolha foi feita. Pediram x nº de crianças ou foi mais tipo lista de compras? “Queremos mais meninas que meninos, temos de ter um certo nº representativo das minorias, queremos um cromo, alguém com dificuldades de aprendizagem, etc…”
Trabalho infantil neste caso não há? Exploração infantil o que é?
Por outro lado tudo isto abre a possibilidade de um dia termos um governo sacado da internet ou contratado a uma agência. Aliás, o argumento do PM Sócrates foi que o quadro de ardósia era coisa do passado, um computador é que era bom. Não nos lembrávamos quando um professor tentava desenhar um hexágono e não percebíamos o que era pela sua manifesta falta de jeito? Sr. Primeiro Ministro, cuidado com os argumentos, podemos mandar o Ministro Correia de Campos embora pela sua manifesta falta de jeito, se recebermos de volta um robot que dite as suas ordens…desde que fique mais barato!