O humor é feito de expectativas, e de gostos. Já agora de capacidade de previsão.
A verdade é que o hiato de um ano de Gato Fedorento tinha deixado um vazio enorme, pelo menos até começar Os Contemporâneos.
O humor é igual? Não é… O formato é diferente. O estilo é diferente. E neste momento os soquetes de Os Contemporãneos são menos expectáveis, menos lógicos.
Confesso que nunca adorei os Gato. Fui gostando. Sempre achei que tinham mais piada com pouco dinheiro, do que com muito. Na RTP havia dois ou três sketches com piada, era uma questão de arranjo do produto final.
Na SIC não há o peso da audiência, essa acaba por aparecer. Quando se lembrarem de lá colocar o Camilo, então serão vencedores.
Ontem foi complicado. Achei duas ou três ideias muito boas, mas o produto final fraquinho (e deve ter sido dos poucos programas em que o não apelidaram de tal).
Claro que a pergunta coloca-se: é Zé Carlos um mau programa de humor? Não, não é. Comparado com os programas de humor da restante tv portuguesa, de modo algum.
Mas se calhar sofre com o peso de toda uma cartilha humorística já produzida por eles.
É constrangedor quando eu adivinho a punch-line, e ontem aconteceu várias vezes. O humor socorre-se desse facto. Inovar. Enganar. Adiar o esperado. Ontem aconteceu poucas vezes.
Que me desculpem os fãs, mas neste momento prefiro Os Contemporâneos.
Para que conste, eu gostava de não preferir nenhum.

Era tão sorridente, estava sempre lá, nunca o ouvi queixar-se do trabalho, ainda que fosse sempre o mesmo, chato, chatíssimo. Mas ele estava lá, sempre com um sorriso na boca.
Não era uma pessoa, era um cartão. Agora que penso nisso, era um sacana de um cartão que sorria sempre que eu gastava dinheiro. O filho da mãe estava sempre lá, a rir-se de mim, enquanto a conta decrescia.
Sempre com uma atitude pedante. A apontar para as teclas, como se eu fosse uma besta quadrada. E de vez em quando, com um ar falsamente triste, a dizer que não há dinheiro. Não tenho. Ou seria, não te dou?
Pensando bem… é bom que não te volte a pôr a vista em cima.
Uma dúvida assalta-me a mente. Ó palhaço, reformaste-te ou morreste? Nem uma carta de despedida? Nem um sorriso trocista?
É bom que não te volte a pôr a vista em cima.

Do Marcador

Caro Ricardo Araújo Pereira,

comprei ontem o seu livro Boca do Inferno, e apesar de não ter nada sobre aquela maravilha da natureza ali para os lados de Cascais, não é por isso que escrevo este post.
A razão é mais forte. Sou daqueles que gostam dessa maravilhosa invenção que é o marcador de livros. Ainda assim, raramente os compro, e aproveito os que são oferecidos, nos livros, nas bibliotecas, pelas Câmaras (Municipais, pois claro), etc.
E não, não tenho nada a opôr em relação ao marcador do seu livro. É feito num material bem aceitável, com o desenho da capa e bem bonitinho. Uma boa forma de marketing, pois claro. Mas, uma forma bonita, ou “linda”.
E é pelo “linda” que começo a escrever a minha preocupação.
Aparentemente, colocar um marcador num livro não tem grande arte ou saber (antes de o livro ser vendido, não fala da actividade do leitor em marcar a página).
Ora, normalmente aceito o marcador no meio do livro. O tipo (há gente que faz disto um emprego?) abre o livro, coloca o marcador, abre mais um, coloca mais um marcador, ao fim de alguns minutos vai à casa de banho e fumar um cigarro ou beber um café, e volta à penosa tarefa.
Agora, há alturas em que a posição (ou a folha) em que o marcador está colocado pode indicar alguma coisa.
Ontem, quando abri o seu livro, o marcador estava na página 14, como que indicando a página onde o livro começa.
Eu, que nestas coisas, não me dirijo pelo pensamento de ninguém e virei as páginas, simplesmente para ver se a folha de rosto estava bonita e tal. E tirando as mariquices das folhas vermelhas (Benfiquista até mais não, chiça!!!), não desgostei, confesso. Mas, vi que havia uma única crónica dividida pelo marcador.
A crónica “linda” sobre o “mais conhecido e apreciado poeta português” da actualidade, o Grande (e “lindo”) Tony Carreira.
Fiquei siderado, pesaroso e ainda vou hoje às diferentes livrarias e grandes superfícies ver se a colocação do marcador foi falta de atenção ou um acto consciente. Claro, que antes de mais terei de ver onde está o marcador onde comprei o livro, não vou atacar toda a gente, quando o problema pode ser com um livreiro particular.
De qualquer modo, tenha cuidado, isto é uma atitude lamentável e xenófoba (belo nome para uma futura cria), não só para o poeta, mas para a sua crónica, as well.

Seu,

Ajuda para arranjar companhia

Se, e é algo que deve acontecer, sair com uma criança ao colo, que não seja a sua, e de repente as meninas/raparigas/mulheres ficarem embevecidas com tal visão aproveite algumas dicas.

Ela: Tão gira/o… Olá…Diz olá…Tá envergonhada, tadinha. Não fala comigo.
Tu: Mas eu, pelo contrário, terei todo o gosto em falar…
Ou…
Tu: é gira, não é? Aqui fica o meu nº de telefone. Podes vê-la a qualquer hora do dia.

Humor Sobrenatural

Gosto de Sobrenatural, a série de televisão.
Não se pode dizer que é excelente, ou que se tornará um clássico, mas penso que atinge os seus objectivos plenamente. E acima de tudo não tenta ser algo que não é!
Sobrenatural é uma série com tendências adolescentes, com muito sentido de humor, que renova o gosto pelo terror televisivo e que fá-lo sem grandes pretensões.
Tem uma excelente produção e alguns dos episódios estão muito bem realizados, pelo menos no que diz respeito ao objectivo dos filmes de terror. Criar emoção e suspense.

Uma das coisas que mais me agarra à série (são duas, mas comecemos pelo início) é a estrutura narrativa. Os produtores/argumentistas reconheceram a dificuldade de cativar a audiência mantendo sempre a mesma estrutura, vai daí grande parte dos episódios fogem ao sistema princípio, meio e fim, contado pelos protagonistas ou seguindo os seus olhos.
E já tivemos vários exemplos, estrutura normal, começando do fim, e explicando como se chegou aí, in media res, pelos olhos dos protagonistas, dos antagonistas, de um fantasma, etc…

Mas, aquilo que mais me prende é o humor, muitas vezes non sense, mas muitas vezes inteligente e outras conversando com outros textos.
Num dos episódios, a actriz convidada é Linda Blair, a criança de O Exorcista. No final do episódio, em que Blair faz de polícia, Dean pergunta ao irmão se não a achou parecida com alguém…
Num outro episódio, passado em Hollywood, vemos os dois irmãos a fazerem uma visita aos estúdios. O guia convida os interessados a dar um pulo ao set de Gilmore Girls, Sam faz uma cara assustada e foge dali a sete pés. Nota: Sam(Jared Padalecki) participou na série durante algumas épocas, como o namorado de Rory Gilmore, Dean.

Pode não parecer muito cómico, mas só vendo.