AVB

E de repente um terramoto, que sinceramente não esperava, Villas Boas sai já, já saiu, do meu FCP.
Fui daqueles que demorou tempo a acreditar no que Villas Boas podia fazer, quando foi anunciado encarei a decisão com algum pasmo, mas depois do Jesualdo aceitava tudo. Acima de tudo foi competente.
AVB mudou o futebol do FCP, tornou-o mais ofensivo, bem mais vistoso e aprazível quando comparado com o futebol praticado no ciclo de Jesualdo, aproveitou alguns jogadores (Guarin, por exemplo, Beluschi) e teve o condão de unir a equipa. Sempre duvidei da saída de AVB, pelo discurso, aliás, pelos discursos, o dele e do Presidente, pela sua história no FCP, pela próxima época. Mas está consumado.
Não me parece que se possa falar de um ciclo de Villas Boas, afinal foi só um ano, mas foi um ano marcante. À empatia com a equipa seguiu-se a empatia com os adeptos, Villas Boas foi a imagem de um treinador portista, como não tínhamos há muito,que muitas das vezes se deixou levar (iniciou, a bem da verdade) em picardias linguísticas. O nosso futebol é, infelizmente, mais fruto das picardias de café do que da qualidade do futebol praticado, AVB com os resultados e uma prosa perto da de Pinto da Costa venceu, também aqui, o campeonato.
Claro que depois de todas as juras e promessas, sair desta maneira custará algo à sua imagem, já começam as piadas com a cadeira de sonho (record, de hoje). Mas custará mais a Pinto da Costa que acaba por ter mais um “Mourinho” nas mãos, um treinador com categoria, que cedo se percebe que dará o salto, e perante os milhões oferecidos Pinto da Costa nada pode fazer. Pinto da Costa pensava que este se mantinha enquanto ele quisesse. Enganou-se. Ter-se-á enganado por causa do discurso de Villas Boas, que queria treinar equipas pequenas, que não quer(ia) andar muito tempo na cadeira de treinador, que é portista desde pequeno.
“Enfim, é a economia, estúpido.”
Sejamos francos, somos pequenos, enquanto país, enquanto futebol, enquanto economia, somos pequenos. Percebo a estupidez de negar um contrato como aparentemente é o que Abramovich lhe ofereceu, mas pode-se ter um pouco mais de tino na língua, assim morre-se pela boca e dá-se outra imagem.
André Villas Boas tem evitado as comparações com Mourinho (pessoalmente prefiro o estilo de futebol do Porto de Villas Boas ao estilo de futebol do Porto de Mourinho, menos defensivo, menos cínico, mais directo), mas AVB marcha para o Chelsea, como Mourinho (na atitude Mourinho foi mais directo, queria sair e saiu, nunca disse que ficava, AVB não), assim que lhe deram um contrato de uma vida e as condições financeiras para levar a bom porto o projecto saiu, obviamente. AVB segue os passos de Mourinho, com somente um ano de Porto, o que pode ser pouco. O Chelsea é uma máquina de triturar treinadores, é um risco, ainda que financeiramente seja uma oportunidade.
Timing
A saída de AVB pode revelar-se desastrosa para a equipa, para além de um amigo, como algumas notícias o descrevem na óptica do balneário, sai um treinador que teria algumas coisas planificadas, e faltam dez dias para a época começar.
A avaliar pelas notícias Pinto da Costa convenceu Vitor Pereira a ficar, mas dificilmente ficará como treinador principal (a época no Santa Clara convida a ter calmas, ainda que AVB também tenha tido dificuldades na Académica. são casos distintos, mas…). A verdade é que Pinto da Costa já não acerta sempre, Del Neri, Adriaanse, Couceiro, Fernandez, coloco aqui Jesualdo, foram escolhas mais ou menos falhadas, mais na realidade.
A rescisão por fax mostrará algum desconforto em estar cara-a-cara com Pinto da Costa. Aceita-se e se calhar é preferível assim, na mente dos adeptos portistas AVB torna-se o Moutinho do Dragão, aparecer em pessoa é desafiar os adeptos nortenhos.
Conclusões
O Porto é o único clube português que ganha dinheiro com os treinadores, 15 milhões com AVB, 7 milhões e tal com o Special One. Pode significar pouco quando avaliado desportivamente, mas vale o que vale.
AVB quererá levar alguns jogadores e dificilmente Pinto da Costa os venderá abaixo do preço de rescisão. Falcão parece-me barato, Moutinho deverá, como sempre ambicionou, sair de Portugal (somente para comentar os dois nomes mais falados. Por mim, podia levar Guarin também). Acho que Pinto da Costa devia apostar na venda dos jogadores vendáveis. Em teoria, duvido que a equipa valoriza tanto quanto se esperava.
O treinador estará na mente do presidente. Vitor Pereira não vai com AVB para continuar a ser o nº 2? Espero que Queiroz esteja fora das cogitações, Jesualdo idem idem aspas aspas. Via com bons olhos o regresso de Jorge Costa, o homem, mas enquanto treinador deixa-me ainda algumas dúvidas. Daqui a uns dias saber-se-á.
A saída de AVB faz mais pela moral dos adeptos do Sporting e do Benfica (pelo que tenho ouvido e pelas bocas que me são dirigidas, mais pelos benfiquistas) do que qualquer aquisição ou estratégia desportiva. Já sonham…e penso que com alguma razão.
Os próximos dias vão continuar a ser pródigos em notícias e nunca como agora o Porto ajuda a vender jornais.

Portista

Desde pequeno que sou do Porto e muito levei na cabeça por sê-lo.
Ser do Porto na margem sul era quase uma novidade há 25-30 anos. Numa casa com um portista, um sportinguista e um benfiquista era motivo para algumas brincadeiras, ainda que o irmão, benfiquista, sempre tenha sido mais gozão do que eu ou o meu pai. Lembro-me de o meu pai o mandar para a cama, no célebre 6-3 do Benfica ao Sporting, porque não se calava, picava, gozava e foi, mas vinha à sala sempre que o Benfica aumentava a vantagem.
Admirei, como admiro, alguns jogadores do Porto. Jorge Costa, Madger, Baía, Aloísio, Rui Filipe, Kostadinov, outros…
Uma das maiores mágoas, enquanto adepto, foi a destruição, por parte de alguns treinadores, em conivência com a direcção, daquela dupla mortífera, Domingos e Kostadinov. Nunca percebi, continuo sem perceber. Sempre vi Domingos como um símbolo do Porto, mas os “empurranços” para Espanha, a forma como o aceitaram de volta, como nunca voltou a ter um papel preponderante na equipa, a forma como acabou a carreira. Não gostei. Sempre simpatizei com Domingos, continuo a simpatizar, já percebi que continua a ser persona non grata para Pinto da Costa, que nunca o elogiou como treinador como elogiou, por exemplo, Jorge Costa.
Sou do Porto, mas não me esqueço e há uma parte de mim que gostava de o ver ganhar a Liga Europa, mesmo!
Mas só daqui a uma semana se verá quem sairá vencedor.

O FCP cada vez joga melhor. Ontem foi um alívio ver o jogo, uma resposta para mim que andava temeroso face aos fracos resultados. Aquilo sim… jogo bem jogado, jogadores motivados, poucas perdas de bola, lances perigosos, jogadas bem pensadas.
Agora falando mais a sério, já se corria com o Jesualdo, não?

As notícias nos jornais sobre agressões entre Liedson e Sá Pinto são uma machadada na imagem de Sá Pinto. Fica-se com uma noção mais clara da recusa de Paulo Bento em tê-lo na equipa. E escolheu mal a vítima, Liedosn é bem querido dos sócios e resiliente, acredito que ganhou a fist fight. E agora?

Não gosto particularmente de Queiróz.
Não gosto nada, mesmo nada de Jesualdo.
Lá terão os seus pontos fortes, mas as carreiras recentes à frente da Selecção e do FCP são fracas.
Mas uma coisa Jesualdo pode aprender com Queiroz.
A RENTABILIZAR O RAÚL MEIRELES!!!
JÀ APRENDEU? SR. PROFESSOR; PONHA O MEIRELES NAQUELA POSIÇÃO: SERÁ ASSIM TÃO DIFÍCIL?

CHIÇA!!!

Porto em primeiro

Estive a ver as equipas que ficaram em primeiro e em segundo lugar dos grupos da Champions.
Ter ficado em primeiro (e calham-nos na rifa: Chelsea, Inter, Atlético, Vilarreal, Lyon e Real) ou em segundo lugar (apanharíamos: Roma, Panathinaikos, Liverpool, Barcelona, Manchester, Bayern e Juventus) é quase igual.
Duvido que alguma das equipas portuguesas passe dos oitavos. Ontem viu-se. Jogámos bem, vá, assim,assim, e só ganhámos por 2-0 a uma equipa de segunda.
Em Fevereiro sabemos mais.

Do Reino do Dragão

Muitos me têm perguntado sobre a actual crise tripeira.
O meu comentário é multiforme. Começo por questionar o uso da palavra actual.
O ano passado quando dizia mal de Jesualdo (e sempre o fiz) acusavam-me de dizer mal de barriga cheia. Que estava à frente do campeonato, que o ganhei com 20 pontos de avanço, que era simplesmente má língua.
Fui-me ficando.
Jesualdo tem um ponto a favor. Fez o Porto ganhar campeonatos outras vez, depois da saída de Mourinho. O problema é que, na minha óptica, nada do que foi feito teve a sua base em Jesualdo. Jesualdo aproveitou o bom trabalho de Adriaanse, que tinha contra si ser um mau gestor de homens. Era a táctica do General, que deu nos resultados que deu. Mas não podemos tirar algo que pertence a Adriaanse – a capacidade do ponto de vista táctico. Adriaanse colocou alguns jogadores a praticar excelente futebol. A equipa cresceu tacticamente. Infelizmente, a personalidade não se revelou a melhor. E foi-se buscar Jesualdo, que é o contrário. Do ponto de vista humano não é excelente mas é bem melhor que o anterior, do ponto de vista táctico é uma nulidade. Fala muito, e concretiza pouco. Aliás, ele e a equipa.
Os jogadores, para além de não saberem o que devem fazer, não estão motivados, as substituições são sempre as mesmas e ao mesmo minuto. A conversa tenta convencer, a equipa nem por isso.
A resposta dada depois de ter levado 4-0 do Arsenal devia ter dado origem a uma reprimenda vinda de cima, pelo menos. Não deu.
O Porto, parece, que não vejo, joga pior a cada jogo que passa. E a desculpa é a de ter muitos jogadores novos. Que foi a mesma quando ganhou o primeiro jogo de Liga dos Campeões.
O ano passado adormeci muitas vezes a ver jogos do Porto. Este ano, sem SPORTV, não sofro dessa maleita.
O Benfica foi campeão com Trapattoni num campeonato que parece tirado a papel químico deste (pelo menos a avaliar pelas primeiras jornadas). Equipas fracas, campeonato nivelado por baixo e o grande que estiver menos mal ganha no fim. Não por mérito próprio, mas por demérito dos outros.
Claramente que este Porto não vai a lado nenhum seja com que jogadores for. O Quaresma o ano passado precisava de 10 cantos para acertar um. Isto não se resolve nos treinos? Não? Troca-se de jogador! Mas nunca houve coragem- Este ano é mais grave, parece que ninguém o pode fazer. Ninguém sabe. E a capacidade física, sem Azenha, é bem pior.
As constantes viagens de avião servem de desculpa, o número de jogadores novos serve de desculpa, o azar serve de desculpa.
Jesualdo nunca ganhou nada antes de vir para o Porto. Conseguiu-o no Porto.
Esperemos que o clube o continue a fazer depois de Jesualdo sair.

E quanto mais cedo melhor.

Nunca gostei de Jesualdo, por isso é mais fácil.

O Porto quase campeão está agora, depois de dois empates, mais próximo de ser apanhado pelo Benfica, que esmagou um Boavista miserável, que aparentemente só consegue cativar Jaime Pacheco para o lugar de Treinador.
Acho completamente estúpida a decisão de catalogar uma equipa, qualquer que seja, ao final de dois meses de campeonato, de campeã. Ainda pra mais o Porto, que o ano passado tinha a mesma distância pontual e foi campeão à rasquinha.
Escrevi que seria interessante ver como reagiria a uma derrota, afinal não foi uma derrota, foram dois empates seguidos.
Nunca gostei de Jesualdo, das suas opções tácticas, e do seu temperamento (ou falta dele). A verdade é que num Porto órfão de resultados, qualquer treinador que consiga alguma vitória parece merecer o lugar. Depois de Del Neri, Fernandez, Adrianse e Couceiro, Jesualdo pareceu uma bomba de ar. A equipa joga mal, mas tem alguns, poucos resultados. E isso parece chegar.
Até quando?
Quando falo com amigos de outros clubes todos elogiam o plantel Portista. Como jogar tão mal com um tão bom plantel, palavras deles? Não sei, por mim, que sou simpatizante e não pago cotas, Jesualdo saía. Mas, admito que o olho frio de Pinto da Costa já não é o que era.
Jesualdo deixa muito a desejar no ponto de vista táctico, e as críticas à equipa (que adormece) são certeiras, a dúvida é se ele as faz à equipa, dentro do balneário ou no local de treino.
O desabafo de Bosingwa pode abrir alguma luz, no que diz respeito a este tema:

Eu não vi o jogo todo na Amadora. Desisti, face a futebol tão pouco atractivo, depois do segundo golo do FCP. Por volta das 23h recebo um telefonema do meu irmão a perguntar-me o que tinha acontecido.
“Uh?”
“Deixaram-se empatar?”
Ouvi mudo, mas não demasiado impressionado. Estava à espera que Jesualdo fosse campeão este ano, é sabido que a maior parte dos treinadores, dos últimos 20 anos, não ficam mais do que dois campeonatos ganhos seguidos. Mas, nunca o tive como certo. Muito menos agora.