Sequela

Não deverá ser segredo para os que me vão lendo que gosto de filmes de terror, não do terror americano, gore, esventrado, a puxar para as vísceras. Vi dois Saw, os dois Hostels, alguns Pesadelos em Elm Street, mas já não consigo. Sangue por sangue prefiro ver wrestling.
Sou fã do terror atmosférico, daquele que nos dá a entender alguma coisa, daquele em que o som é tão importante como a imagem, daquele que nos põe o sabugo das unhas à mostra.
Filmes como The eye, Dark Water, The Ring (os originais, ok? Sejamos puristas), The Others, Los Sin Nombre, Rec, etc.
Não será à toa que todos estes títulos tenham duas proveniências, a Ásia e a Espanha. Fartei-me do terror americano, mas tenho-me, ao longo dos últimos 3 anos, deliciado com os produtos asiáticos e espanhóis.
Há algo mais que une estes títulos, ou alguns deles, a capacidade de cobrir a realidade social, os hábitos, discutir alguns acontecimentos e as suas repercussões. Neste sentido, acrescentaria o El Spinazo del Diablo, do del Toro, filme interessantíssimo, com temáticas paralelas ao Labirinto do Fauno, mas sem a aura fantasiosa.
Já escrevi anteriormente sobre Jaume Balagueró, um dos argumentistas e realizadores mais interessantes do cinema espanhol actual.
Enquanto argumentista, escreveu [Rec], Películas para no dormir: Para entrar a vivir, Frágiles, The Nun, Darkness, Los Sin nombre, um episódio da uma série de tv, “Nova ficció”, com o nome, La ciutat de la sort e as curtas metragens, Días sin luz e Alicia (filmes que invariavelmente realizou, com excepção de The Nun).
De todos os que vi (Rec, Frágeis, Los Sin Nombre, Dias sin Luz, The Nun e [Rec]) o mais fraco, tanto em termos de realização, como de argumento, é – sem dúvida – The Nun. Aliás, The Nun devia ser ignorado na carreira de Balagueró, tão mau que é, prefiro encará-lo como um chiste (mas mesmo como chiste é… mau, foleiro, kitsch).
Confesso que achei piada a Días sin Luz, mas é algo ainda demasiado inicial, com influências sado-maso, pouco recorrentes no resto da obra, embora consigamos identificar algumas características “balaguerianas”.
Continuo a ver e a interpretar os filmes de Balagueró com base no primeiro filme que vi – Los Sin Nombre – já que a temática do mal, da sintetização deste, é recorrente.
Em Los Sin Nombre, uma mãe recebe o telefonema da filha, dada como morta (identificada) há uns anos atrás. Tentará perceber se se trata realmente da filha. Ao mesmo tempo, seguimos as pisadas de um ex-polícia tentando descobrir algo sobre um grupo que tenta destilar o mal puro. Claro que no final as duas histórias se juntam num dos finais mais arrepiantes e perturbadores que me lembro (sem sangue. O que é admirável).
Ora, se neste filme o que se vê são os laços entre mãe e filha, e por outro a tentativa de definir “cientificamente” o mal, de limitá-lo ou recriá-lo, em Frágeis, há uma espécie (ou mais do que uma, mesmo) de relação entre mãe e filhos. Vemos o relacionamento de diferentes perspectivas, a do fantasma será a mais interessante, e o amor é definido, recriado, espandido e redefinido, chegando à loucura.
Depois temos um dos mais brilhantes e extenuantes filmes de terror, o acagaçante REC.
A história é simples. Angela, repórter televisiva, e Pablo, o seu cameraman, estão a fazer uma reportagem sobre a noite-a-noite dos bombeiros de um dos quartéis de Barcelona. Seguem dois bombeiros numa emergência. Os vizinhos ouviram uma vizinha idosa aos berros. Chegam ao prédio e, depois de entrar em casa da velha, esta ataca um dos bombeiros.
Em menos de nada, encontram-se num prédio em quarentena e com mais vítimas em mãos. Tudo isto filmado com uma câmara ao ombro à boa maneira de Cloverfield, mas sem as dores de cabeça. (Em BlairWitch enjoei, em Cloverfield menos, mas também! Há coisas que só lá vão com dores de cabeça).
De modo que esqueçam o Blair Witch (só hype), esqueçam as técnicas de Cloverfield. REC está gravado realmente com a câmara ao ombro, não dá dores de barriga, só ansiedade. Obviamente que há ângulos que foram propositadamente escolhidos, mas… pronto! A gente desculpa pelo resultado.
Concluindo, continua em Rec a temática do mal, mas agora o mal puro, o mal destituído de qualquer marca humana ou de personalidade, e de certa forma a ligação com Los Sin Nombre é maior (mas para isso tinha de contar o fim do filme, e isso não faço).
É por isso que anseio como se não houvesse amanhã a estreia ou saída em DVD de REC2.
Sim, sim, o sabugo vai continuar à mostra.

PS. [Rec] tem sangue, muito sangue, mas o que esperavam dum filme de zombies?

PS.2 Balagueró já saiu de cena, mas Rec3 vai ser uma realidade. Oh, well…

Mean Whiles

Pela primeira vez escrevo a partir do ISCTE.
Trouxe o portátil para a escola.
No meio do burburinho ruminante da hora de almoço.
Às 15h30 encontro-me com o meu grupo para preparar o trabalho de Publicidade e Marketing.

Rute: O filme de vampiros ficou em águas de bacalhau. Ainda só o começara a (re)ver.
Para que conste é o (excelente – na minha modesta opinião) 30 Days of Night.
Mas sábado foi mesmo dia (noite) de filme asiático. As saudades que eu já tinha. E podia ter sido mais cedo, mas não tive “pica” para ver o Breaking News (de Johnnie To), na 5ª Fª. Esta semana pode ser que tenha tempo e feeling.

O Terra não gostou, achou previsível, do REC. Não tivemos tempo para discutir. Ora, na minha modesta opinão, há poucos filmes de terror verdadeiramente imprevisíveis. De momento só me lembro do excelente The Mist, com Thomas Jane.
Aquilo em que REC é mestre é na capacidade de nos assustar, na adrenalina e sensação de claustrofibia. REC é previsível? Admito que sim. Mas mesmo assim é melhor do que 4 ou 5 filmes de terror americanos juntos. Mas REC ganha mais se for visto no conjunto da obra de Balagueró. Se virmos Os Sem Nome antes, REC ganha maior consistência e sentido.
De qualquer modo, entre cinema de terror asiático e espanhol, venha o diabo e escolha. O terror nestas terras está bem de saúde e recomenda-se. De terras do Tio Sam há muito tempo que não vejo nada verdadeiramente estimulante. Mas fica prometido, rapaz, a seguir escolho-te um ou dois dos meus favoritos, via ásia.

Balagueró, otra vez

Sou cada vez mais fã deste espanhol. Enquanto argumentista, já escreveu [Rec], Películas para no dormir: Para entrar a vivir, Frágiles, de que falei aqui no início da semana, The Nun, há mais um bocado, mas também já escrevi sobre o filme, Darkness, Sin nombre, Los , um episódio da uma série de tv, “Nova ficció”, com o nome, La ciutat de la sort e as curtas metragens, Días sin luz e Alicia. (filmes que invariavelmente realizou, com excepção de The Nun).

De todos os que vi (Rec, Frágeis, Los Sin Nombre, Dias sin Luz e The Nun) o mais fraco, tanto em termos de realização, como de argumento, é – sem dúvida – The Nun. Confesso que achei piada a Días sin Luz, mas é algo ainda demasiado introdutório, embora haja algumas características “balaguerianas”, mas com influências sado-maso, pouco recorrentes no resto da obra.

Continuo a ver e a interpretar os filmes de Balagueró com base no primeiro filme que vi – Los Sin Nombre.

Em Los Sin Nombre uma mãe recebe o telefonema da filha, dada como morta (identificada) há uns anos atrás. Tentará perceber se se trata realmente da filha. Ao mesmo tempo, seguimos as pisadas de um ex-polícia tentando descobrir algo sobre um grupo que tenta destilar o mal puro.

(Isto de uma forma rápida. Já não vejo o filme há….ui!)

Ora, se neste filme o que se vê são os laços entre mãe e filha, e por outro a tentativa de definir “cientificamente” o mal, de limitá-lo ou recriá-lo, em Frágeis, há uma espécie (ou mais do que uma, mesmo) de relação entre mãe e filhos. Vemos o relacionamento de diferentes perspectivas, a do fantasma será a mais interessante, e o amor é definido, recriado, espandido e redefinido, chegando à loucura.

E chegamos a este brilhante e acagaçante REC.

A história é simples. Angela, repórter televisica, e Pablo, o seu cameraman, estão a fazer uma reportagem sobre a noite a noite dos bombeiros de um dos quartéis de Barcelona. Seguem dois bombeiros numa emergência. Os vizinhos ouviram uma vizinha idosa aos berros. Chegam ao prédio e, depois de entrar em casa da velha, esta ataca um dos bombeiros.

Em menos de nada, deparam-se com o prédio de quarentena e com mais vítimas em mãos. Tudo isto filmado com uma câmara ao ombro à boa maneira de Cloverfield, mas sem as dores de cabeça.

Aparentemente, os americanos não dão mesmo uma para a caixa, e porque não conseguem ver filmes legendados (tadinhos) e ver filmes dobrados stinks, já estão a fazer o remake, que deve estrear antes do final do ano. Chama-se Quarantine e as imagens do trailer mostram que seguiram o mesmo script. Para além da actriz que faz de jornalista ser bem menos interessante/expressiva que a espanhola. Ainda não percebi qual é o sentido…mas pronto!

E vocês, se forem homenzinhos ou mulherzinhas grandes vêem este, em vez do remake, isto se gostarem de filmes de terror, daqueles que assustam mesmo a gente, mesmo!

Esqueçam o Blair Witch (só hype), esqueçam as técnicas de Cloverfield. REC está gravado realmente com a câmara ao ombro, não dá dores de barriga, só ansiedade. Obviamente que há ângulos que foram propositadamente escolhidos, mas… pronto! A gente desculpa pelo resultado.

Mas, concluindo o raciocínio primeiro. Em Rec já há o mal puro, o mal destituído de qualquer marca humana ou de personalidade, e de certa forma a ligação com Los Sin Nombre é maior (mas para isso tinha de contar o fim do filme, e isso não faço).

Balaguero mostra que se faz bom cinema com pouco (ou menos, muito menos) dinheiro.

Um dos filmes do ano.

Só perderá quem tiver mesmo medo. E este deixa-nos com o coração aos pulos.

9/10

O Segredo

O Segredo, por si só, já é um nome demasiado corriqueiro, ainda para mais quando o filme que vi tem como nome original, THE NUN. Ora, isto, meus caros, é um nome à maneira, A FREIRA, mas não, a criatura esquisita e tonta que dá os nomes em português deve ter decidido que A Freira não era um nome muito apelativo. Então decidiu-se por O Segredo.
O que é pena, porque assim uma das poucas coisas que vale a pena, o título, não existe em português.

A Freira é um filme sobre uma vingança, a de uma freira morta há 30 anos para com aquelas que a mataram. Está tudo dito. Ah, e é em Espanha, mas podia não ser. Podia ser no Uzbequistão, que funcionava à mesma.

A Freira é teoricamente um filme de terror. Teoricamente, por várias razões.
Primeira, porque tenta, mas não mete medo. Um episódio de Supernatural causa mais pele de galinha do que este filme. Não mete medo, não assusta, tem suspense, mas pouco.

Em segundo lugar, os filmes de terror devem muito do seu segredo à premissa e à forma como são realizados. A premissa parece-me engraçada, a realização nem por isso. Metam o senhor a realizar outra coisa qualquer, mas não um filme de terror.

Terceira, os actores. Imaginem ver um filme de terror com actores dos Morangos. Pois… Foi essa a minha sensação. Não são muito expressivos, nem convincentes.

Quarta, a água. O filme mete água ao barulho, o fantasma da Freira está associado à àgua. Compare-se as cenas deste A Freira com as de Dark Water de Hideo Nakata e veja-se a distância enorme que existe entre um e outro. No último conseguimos sentir um ligeiro formigueiro, no A Freira parece que estamos perante um filme catástrofe dos anos 70 e vai haver uma ou outra inundação.

Há coisas boas? Deve haver. Mas, não são muitas. Não desgostei assim tanto do argumento, não é bom, mas podia ser um filme engraçado de série z. Há duas mortes que são gráficas, e que sinceramente não acrescentam nada. Oops, estava a falar das coisas boas…

hum…o final é ligeiramente engraçado, mas… é muito espanhol, já vi aquilo em filmes de terror espanhóis umas três ou quatro vezes. E nunca me pareceu convincente. Engraçado. Medianamente surpreendente. Mas forçado como o raio.
Cada vez mais que convenço que cada vez gost mais de filmes asiáticos. Principalmente, dos de terror.

Terror

Nos últimos dias consegui ver dois filmes de terror, bem…terror, terror…
Mantendo o desejo de conhecer mais cinema asiático comprei História de Duas Irmãs (um filme sul coreano que há muito procurava comprar) e Spirits (um filme vietnamita).
Confesso que em adolescente vi muito cinema de terror, obrigatoriamente e naturalmente, americano. A determinada altura fartei-me. O molde era sempre o mesmo, e poucas coisas de jeito se fizeram no género nos últimos anos, e o que se fez ou é demasiado gore para o meu gosto ou remakes do cinema asiático, aliás, História de Duas irmãs sairá brevemente nos cinemas, num remake americano!
Entretanto descobri o cinema de “terror” asiático. E mais do que das histórias ou dos actores, agradam-me a ambiência de vários filmes, estes dois são um bom exemplo disso. Agrada-me por vezes a forma quase poética com que se filma, ou se quiserem, a forma como se abordam as personagens, dando-lhes um pouco de profunidade, algo estranho à fraqueza psicológica e ausência de densidade das personagens dos filmes de terror norte-americanos.
História de Duas Irmãs (HDI) subverte o filme de terror tradicional, quase que me atrevo a dizer que é um filme de não terror, filmado como se de um se tratasse. É lento, como muitos dos filmes de terror asiáticos que tenho visto o são. Da paciência do realizador e da história depende a ambiência de que falava.
HDI é um filme familiar. Duas irmãs vivem com o pai e a madrasta, tendo chegado recentemente de uma instituição psiquiátrica, aparentemente após a morte da mãe. As duas têm dificuldades de relacionamento com a madrasta, e como se isto não bastasse começam a ver fantasmas em casa e o pássaro da madrasta aparece morto.
HDI vê-se como a descoberta de um mistério, das razões do que estamos a ver, o que impele as personagens, da melancolia, do desespero.
O filme consegue ser enervante e ao mesmo tempo belo. No final, o filme é explicado através de três ou quatro momentos (flash-backs).
Um filme a ver.
7/10
Aproveito para fazer um parêntesis, tanto HDI como Spirits foram comprados a 5 ou 6 euros, na FNAC.

Spirits é um filme vietnamita, o meu primeiro. E um filme belíssimo.
Spirits não engana ninguém com o título, já que todo o filme anda à volta do espiritual, e de fantasmas, mesmo quando os não vemos.
Está dividido em 3 episódios. Cada um com a sua personagem principal, embora as restantes apareçam, e com ligeiras alterações de estilo e enquadramento.
No primeiro episódio, “the visitor”, acompanhamos um jovem escritor, loc, que chega a uma casa velha e decadente, pensando estar abandonada, e encontra hoa, única sobrevivente naquela zona. Triste, mas simpática vai cativando loc, escondendo um segredo fatal.
No segundo episódio, “only child”, loc ainda mora na velha casa. Está sob o cuidado da mãe e de uma jovem estudante de psiquiatria. Os dois acabam por casar, e o idílio conhece algumas dificuldades quando se apercebem que ela não consegue engravidar. Também ela guarda um segredo terrível, que poderá trazer conseuqência terríveis para aquela família.
A parte final, “the diviner,” passa-se anos mais tarde. Loc, já de cabelo grisalho, recebe a visita de uma espiritualista itinerante. Ao chegar àquela casa, a charlatona descobre espíritos verdadeiros.
Ao resumir o filme, fico com a sensação de que as histórias são básicas, quase telenovelescas, e podem, ao mesmo tempo, induzir o leitor em erro. A força não está tanto na história em si, o segundo episódio é fortíssimo, mas na forma como se escolhe contar a mesma. E é neste campo que o filme merece os nossos aplausos. É extremamente interessante. Muito bem realizado e estilisticamente mais do que meramente apelativo.
O filme vale pela áurea de mistério que carrega e que vai passando de história para história, mas ao mesmo tempo a noção de tragédia e peso que as personagens vão carregando, e a forma como cada uma delas reage ao seu pathos, e ao pathos dos que já morreram.
Os espíritos do filme não são os fantasmas americanos, não são almas em busca de vingança (nem todas, pelo menos), ou não o fazem de maneira sangrenta.
O que não quer dizer que não meta medo de vez em quando, ou não nos deixe indecisos quanto ao seu final (que infelizmente é um pouco expectável).

Uma nota final para a péssima edição nacional (?). Aparentemente devemos este festival de erros na capa do DVD e de uma legendagem em brasileiro (não, é mesmo brasileiro) a Eurocinefilms. Uma miséria.
Traz um trailer, em espanhol. O resumo, na capa do DVD traz erros em quase todas as linhas e quem o escreveu não sabe que há uma coisa chamada vírgula.
Se o filme não fosse tão bom, pedia o meu dinheiro de volta.

8/10

Do Terror

Vi bastantes filmes de terror na minha adolescência, e antes também. Depois fartei-me um pouco.

Vi alguns Halloweens, mas cansei-me. Passar uma hora e meia a ver um tipo de máscara a andar atrás de pessoas que correm mais do que uma maratona, leva uma pessoa ao cansaço.

Vi os Pesadelos em Elm Street, gostei do primeiro e do último, último antes do que o que o coloca frente a frente com o Jason de Sexta-Feira, 13. Que também vi, mas… (a ideia da maratona, mas numa floresta…)

Hellraizers, bruxas, fantasmas, extra-terrestres, cemitérios de animais, peixes, Peter Jacksons em início de carreira. Foi um ver se te avias.

Ia adormecendo a ver O Exorcista, e nem o vomitado verde me enojou. Ok, ok, só vi o filme aos 18 anos. Pode explicar a ausência de medo, e tensão. Prefiro, de longe, o livro, que li na viagem de finalistas.
Fartei-me do cinema sangrento e gore (embora ache alguma piada aos Saw e Hostel – piada moderada), e prefiro hoje o terror psicológico.

Não deve ser à toa que o filme que mais me aumentou a tensão foi Os Outros, muito por culpa do jogo de cintura da máquina de filmar e dos momentos de suspense. Nada de novo, mas a presença de Kidman pode ter ajudado. Depois da neurose do então marido Cruise em Eyes Wide Shut, foi a neurose para com as crianças, que não podiam apanhar luz, que me convenceu.

E agora esta nova vaga de filmes de “terror” asiáticos que tenho visto. Entre aspas porque tenho difculdade em utilizar o terror. Que tenho visto e que muito me têm impressionado. Explico, uma vez mais.

The Ring e The Eye surpreenderam-me. Não tanto pela capacidade de infligir medo, mas…

Pela capacidade de fazer um excelente filme visualmente com pouco dinheiro, como The Ring que custou pouco mais de 300 mil contos e ao contrário da maioria dos filmes de terror pouco me assustou ao vê-lo, mas deixou-me uma sensação de desconforto (e medo) depois de ter terminado.

Pela humanidade, poesia, volta como mostra o medo do desconhecido sem cair nas opções narrativas de 6º Sentido. Em termos de actores será menor do que o americano, mas é na construção visual (simples) que The Eye consegue vencer, na minha óptica o já citado 6º sentido.

Esta semana, vi A Chave (gosto destes títulos, mais curtos, em contrapartida aos citados lá em cima).

O Domingos dissera-me que não gostara, mas arrisquei. Mais um , menos um. Quantas horas já perdi a ver cinema de “terror”?
O filme conta a história de uma jovem que perdeu o pai e ocupa a sua vida a cuidar de idosos à beira da morte. Uma terapia (consciente ou inconsciente) para ultrapassar a sua inacção na morte do pai.
Vai cuidar de Ben, que sofreu uma trombose, junto com a esposa deste, para a mansão deles, na Louisiana dos pântanos.
Aqui descobre a história da casa e dos criados mortos, na década de 20, por praticaram hoodoo (o voodoo é uma religião, o hoodoo é magia).
A pouco e pouco começa a desconfiar das razões da trombose de Ben, e do amor da esposa por ele, à medida que tenta desmistificar a magia do hoodoo.

O filme tem uma história interessante, e percebo que o final tenha desgostado muito boa gente, embora me tenha agradado e marcado. Acordei de manhã a pensar nas implicações tramáticas daquele final. (A alteração do final expectado fez-me pensar na criacção do texto e em como optamos por determinadas personagens como principais, e nos porquês desta questão, e como por vezes podemos mudar esta concepção através de algumas linhas no final). E quando um filme nos assalta a mente no dia seguinte, possivelmente será um bom sinal.
Em termos técnicos não será dos melhores, a realização é fraquinha, e o ambiente, ao invés do esperado, não assusta. Mas, não foi por isso que gostei, foi mesmo pela história.
Taras…