Woochi – The Demon Slayer

Arredado do cinema asiático há uns 5 anos, cinema que prezo e “consumi” também como uma oposição “saudável” aos produtos de pacote vindos dos EUA que nos assaltam os grandes e pequenos ecrãs, voltei a comprar três filmes asiáticos, e o primeiro a chegar foi visto ontem.
Sou fã do bom cinema de Hong Kong, nomeadamente o policial, ficando na retina a trilogia The Infernal Affairs, que deu origem ao The Departed, com Di Caprio e Jack Nicholson. Mas Johnnie To e a sua produtora MilkyWay Image, bem como muito do cinema pré-americano de John Woo ou os filmes de Wong Kar-Wai merecem destaque. O cinema de terror japonês, mais psicológico e menos sangrento do que o americano, e refeito até ao vómito pelos americanos, também me agrada (assim de repente lembro-me de The Ring, Dark Water, The Eye, filmes que fazem tão bem o que queriam fazer que me impediram de ver os remakes americanos). O cinema Sul Coreano tende a ser mais melodramático, desde The Host (uma mistura de estilos), até JSA e alguns filmes de guerra interessantes, ainda que por vezes demasiado longos. Este Woochi é longo, duas horas e um quarto, mas nada melodramático.
Woochi, The Demon Slayer é uma fantasia sul-coreana, uma espécie de Aprendiz de Feiticeiro, mas com panache.
Há 500 anos, durante a Dinastia Chosun a flauta da profecia corre o risco de cair nas mãos do ArquiDeus, dando o poder de libertar goblins (os demónios do título, que são bastante diferentes dos da imagética cristã/ocidental. Uma tem o aspeto de um coelho e outro de um rato.) Três deuses taoístas, uma espécie de três estarolas com poderes, vão pedir ajuda aos dois mestres da altura, O Mestre e Hwadam, dividindo a flauta em duas partes e ficando cada um dos mestres com uma das metades. O discípulo de O Mestre, Woochi é um tolo de bom coração, mas que não se aplica decentemente na arte da magia e causa problemas atrás de problemas.
Os primeiros 40 minutos de filme são tudo o que se espera de uma fantasia asiática passada há séculos atrás, cabelos e barbas compridas, saltos que parecem voos e os edifícios típicos daquela altura naquela zona geográfica. É esta primeira parte que nos apresenta as personagens, com bastante humor e alguma capacidade de descrição.
A primeira parte termina com a morte de O Mestre e o aprisionamento de Woochi, que será liberto já no presente pelos três deuses que o tentam usar para vencer os dois goblins já descritos que tentam encontrar a flauta para libertar os restantes companheiros.
É no presente que Woochi tenta depender menos dos talismãs que lhe dão poder e aprenderá a dominar a magia.
Já perceberam a ligação com O Aprendiz de Feiticeiro, não já? Woochi é uma clássica jornada de um herói para a maturidade, uma fantasia que não tenta ser mais do que isso, trazendo humor e diversas cenas de ação bem conseguidas. Os efeitos especiais estão um pouco abaixo do que Hollywood faz, nota-se nas poucas cenas em que os goblins aparecem de corpo inteiro, pouco mais são do que personagens de um jogo de consola.
O filme traz uma sensação de brincadeira e gozo de alguns dos filmes dos anos 80, e é mais interessante que alguns dos filmes que Hollywood produz atualmente. Obviamente que não se perde muito tempo com as diferenças temporais e dificuldades de adaptação aos tempos modernos, mas as personagens vão crescendo ao longo do filme, como é aliás comum neste tipo de filme, mas sem cair em dúvidas existenciais e brumas, já que o essencial é divertir.
No essencial, uma fantasia divertida, menos negra do que o título em inglês poderia sugerir, uma alternativa aos diversos filmes recheados de (melhores) efeitos especiais, mas normalmente mais mal construídos.
Um boa maneira de passar uma noite ou tarde de sábado.
7/10


New generations

No sábado ficámos com os afilhados (com o original e o de 2ª) e fomos com eles jantar ao centro comercial (oh, well. Felizmente foram convencidos a provar a pizza em vez do McDonalds. Há que variar entre a comida de plástico).
Dei por mim a pensar sobre o que levaria tanta gente a estar ali às 18h, quando vi o cunhado e a namorada.
Fui ter com eles e descobri, era o fim de semana de estreia de Lua Nova.
Ouvi queixas de barulho e histeria na sala de cinema por parte de alguns dos espectadores perante a atitude entusiasta e entusiasmante das pituchas que viam o filme.
Lembrei-me de quando fui ver o Dracula de Bram Stoker (podia falar do frenesim da estreia de Jurassic Park, mas trata-se de vampiros, por isso…). Lembro-me que na altura, e já lá vão alguns anos, a plateia riu a boa voz, aplaudiu, assustou-se em conjunto.
Claro que não havia um interesse extremo pelos protagonistas, o que nos interessava era o mito em si, isso que a série de Meyer destruiu…

Os (livros/filmes com) vampiros não precisam de ser cócós

Um bom exemplo de uma história de amor bem realizada.
Precisamos de ser estupidificados para ver uma história de amor em que entre um vampiro?
Aqui não há pitas aparvalhadas, em vez disso há uma cleptomaníaca aparvalhada que vai muito bem no papel.
Claro que, como em todos os bons filmes, nem tudo é o que parece. Dracula de Copolla mostra como se traduz o melhor romance de vampiros para a tela. Está lá tudo. Humor, amor, terror, erotismo, tudo sem estupidificar o espectador e com algum humor negro à mistura.
Querem começar por algum lugar comecem por aqui, isto se não gostarem de filmes a preto e branco.

2009

Ignorem a vozinha irritante do americano a narrar o trailer. 2009, a um preço porreiro, é um filme interessante.
Estamos numa realidade paralela em que as Coreias fazem parte do Japão. Um grupo de Coreanos descobrem que houve quem voltasse atrás no tempo para que assim fosse. Tentam, contra as forças japonesas, voltar também atrás no tempo a bem da nação, nações, hum…. já perceberam a ideia.
O filme é engraçado, vê-se bem, as personagens são menos melodramáticas do que aquilo que conheço do cinema sul coreano.
Há, no entanto, uma coisa que entedia o abuso da música de fundo. Ainda assim, sabe bem numa tarde de Domingo.

Blood Brothers

Este fim de semana matei o prazer de ver filmes asiáticos com dois filmes, comecemos pelo primeiro, Blood Brothers, de Alexi Tan.

Blood Brothers (BB) tem tudo para ser um grande filme, será mais interessante para quem não conhecer Bullet in the Head de John Woo (que é aqui produtor).
BB é na realidade quase um remake de BB, a temática, a relação entre as personagens encontram-se lá, no entanto, quando comparado com uma das obras primas de Woo, BB fica demasiado aquém.

BB tem um elenco forte, uma boa fotografia e algumas cenas fortes, incluindo o excesso (ao nível dos sentimentos, próprio do cinema asiático), mas parece que falta um golpe de asa para ser um grande filme.

O filme conta com Daniel Wu, Shu Qi, Sun Hong-Lei, Tony Yang, Liu Ye e com Chang Chen.
Tal como em Bullet o filme conta a história de três amigos que decidem abandonar o local onde vivem e decidem tentar a sua sorte em Xangai (em Bullet partiam para o Vietname).
Ali iniciam uma carreira no mundo do crime. As temáticas existentes no filme de Woo encontram-se aqui, a irmandada, a honra, o orgulho, traição, desejo de vencer, igualmente como em Bullet há a entrada de um agente exterior ao grupo inicial (aqui de forma diferente, mas não muito).
O filme é bem mais curto que Bullet, somente uma hora e meia, e ainda que não canse, não agarra tão bem como o original, culpa também da banda sonora, que era genial em Bullet.

Fung (Daniel Wu) emigra até Xangai com os seus dois amigos, os irmãos Kang (Liu Ye) e Hu (Tony Yang). Fazem um pacto e, em Xangai, iniciam uma vida criminosa, ao serviço do Chefe Hong (Sun Hong-Lei), dono do Clube Paraíso. Aí, Fung apaixona-se por uma das dançarinas.
O resto parte do que já foi descrito, a honra, a traição, o desejo de cumprir o pacto, a cegueira do poder.

O problema pode estar, não obrigatoriamente, na hora e meia de duração. Onde Bullet gastava tempo a dar-nos a conhecer os personagens, o que os motivava e a forma como reagiam aos aocntecimentos, BB é demasiado rápido e menos consistente.
Para remake é muito fraco, já agora, para quê fazer um remake dum filme daqueles? Perfeito, a meu entender.

No entanto, poderá ser mais interessante para quem estiver interessado em conhecer o cinema que se faz em Hong Kong. Dentro da temática, se puderem escolher, optem por Bullet in the Head.

3 em 5

Dias Selvagens

Ontem à noite vi-me sozinho.

O que é sempre uma boa oportunidade para ver um daqueles filmes que seria tortura para ela.

Escolho Wong Kar-Wai (de que ainda só tinha visto Disponível para Amar) e vejo Dias Selvagens.

Dias Selvagens é um filme parecido (no que à realização diz respeito) a Disponível para Amar. Há, inclusive, sets extremamente parecidos, e a entrada em cena, no fim, de Tony Leung é a cereja em cima do bolo.

Há outras marcas típicas, o existencialismo que prende e paralisa as personagens, a forma sui generis de realizar, o andamento lento, mas seguro, e os comentários pessoais de algumas personagens.

O que para algumas pessoas será um filme chato, mais do que os de Manoel de Oliveira, para outros é uma pérola. Ainda que tenha gostado mais de Disponível para Amar, também gostei deste, e a vontade de ver o resto da cinematografia está mais cristalizada.

A História

Leslie Cheung é York, um homem fechado em si, que tenta, a todo o custo, que a mãe adoptiva lhe diga quem é a sua mãe real. Algo que ela sempre foge. York vive no meio de mulheres, gosta de ser o centro delas. Não há aqui amor, mas uma noção narcísica, antes. Já que acaba por as trair, vez após vez.

So Lai-Chun (Maggie Chueng), apercebe-se disto, que York só gosta dele mesmo e acaba por fugir dele, e esquecê-lo (tentar). Inicia uma relação platónica, que nunca se irá concretizar, com um polícia (Andy Lau).

York continua a sua senda pelo universo feminino, e inicia uma relação com Mimi. Também esta será terminada, mas terá que resolver a atração que um amigo de York (Jacky Cheung) sente por ela.

Pontos de interesse:

Qual é o objectivo do filme? Não me parece que haja outro que não o de mostrar o existencialismo de uma forma cinzenta. O que comanda o filme são as emoções humanas, as lógicas e as menos lógicas.

Não há finais felizes, cor-de-rosa. Não há moralismos. O fim de York é comandado por uma mulher, o que não deixa de ser irónico, já que ele acaba por fugir delas ao longo de todo o filme, perseguindo só a sua verdadeira mãe.

E este poderá ser um dos maiores problemas para alguns dos espectadores. Kar-Wai não é comercial, antes doloroso, mastigado e negro.

Mas Dias Selvagens lembra-me um outro aspecto, a arte de contar uma história. Hollywood sabe contar histórias, infelizmente, muitas vezes, ficam para segundo plano.

Dias Selvagens faz o contrário, não sem um certo esforço por parte do espectador.

Mas não estou a dizer que conta a história de uma forma sequencial, lógica, ordenada, estruturada. Paradoxalmente, o que conta menos aqui é a história, mas antes os sentimentos, as dúvidas dos personagens, mas essencialmente do espectador. Antes de contar uma história é um exercício de montagem, que é exigido a quem o vê.

Outro aspecto a salientar é a forma como os actores se portam. O realizador optou por agarrar em actores conhecidos, com uma certa escola de representação, e fá-los esquecer todos os hábitos e conceitos interiorizados. O filme é nu, cru, e despido de formalismos técnicos que não os da realização e das escolhas dos ângulos. O que merece o aplauso, dirigido, primeiramente, ao realizador, mas também aos actores.

Há outros aspectos a ter em conta, a luz, por exemplo; o temática de tempo, presente na obra; as dificuldades em escolher e os martírios da escolha; o erotismo velado, sem que haja uma única cena de sexo ou mais erótica.

Concluindo, gostei, menos do que a experiência anterior. E considero que não será para todos. De qualquer modo, um filme extremamente interessante. Para quem não gosta de Kar-Wai, esqueçam…

Filmes

Consegui ver A Better Tomorrow I e II, Next e Frágeis, e então?
A Better Tomorrow I e II são um clássico, via Hong Kong, com realização de John Woo e produção de Tsui Hark. O primeiro data de 1986 e o segundo do ano seguinte. A datação nota-se, principalmente quando comparados ou com filmes posteriores de Woo, ou com filmes mais recentes.
Os filmes contam a história de dois irmãos, um polícia e um ladrão (coisa típica no cinema de Hong Kong), da sua relação e da tentativa dum deles sair do mundo do crime. O segundo amplia o relacionamento. Tendo em conta que o segundo nasce do sucesso do primeiro, fiquei admirado por achá-lo melhor, coisa invulgar em sequelas. Mesmo assim, já vi melhor tanto de Woo, como de alguns dos actores. Mesmo assim, e comparando com alguns filmes americanos da mesma época, ou com alguns filmes de Woo nos EUA, estes dois não envergonham ninguém. E dá-nos uma ideia de com nasceram muitos dos sucessos actuais da ex-ilha britânica.

Next é um filme de acção com Nicholas Cage, e realizado por Lee Tamaori. E se o objectivo é divertir-nos, penso que o consegue de um modo satisfatório. A ideia é interessante. Cris Johnson é um mágico com um segredo. Consegue ver dois minutos no seu futuro, com todas as hipóteses possíveis. Uma agente do FBI pede-lhe ajuda para recuperar uma bomba nuclear. É aqui que o filme é mais fraco, porque este lado da narrativa interessa, mas ao mesmo tempo é dispensado. O centro da trama é o poder de Cris.
O filme é relativamente interessante, e mais ainda tendo em conta o final, que poderá desagradar a muitos. Em vez do final tipicamente americano, decidiram fazer algo mais interessante e que joga com as cartas lançadas ao logo do filme. Sabemos que acabará bem, mas ficaremos sempre na dúvida. Depois de vermos as capacidades de Cris, é deixada ao espectador a oportunidade de terminar o filme. Uma boa surpresa…para sábados à tarde.

Frágeis é um filme de Jaume Balagueró, com Calista Flockhart. De Balagueró está nos cinemas o mais recente REC, que ainda não vi, mas quero ver. O único filme que vira até este era o excelente Os Sem Nome, e o horrível The Nun (em que assina o argumento). Se em Os Sem Nome Balagueró analisa a temática do mal, e da tentativa de destilar o mal de uma forma pura, neste Frágeis a temática é outra, ainda que haja variados pontos de contacto.
Amy Nicholls (Calista Flockhart) é uma jovem enfermeira, com um passado por resolver, que chega a um Mercy Falls Children’s Hospital a dias de encerrar. Chegada ali, nota que as crianças estão assustadas e nervosas. Acredita que elas acreditam num fantasma, e pouco a pouco irá tentar fazer crer aos colegas que as crianças têm razão. Tentando descobrir a razão dos problemas, e vencer os seus próprios medos Amy terá de descobrir a verdade, com a ajuda de uma jovem doente, Maggie.
Frágeis é um filme de terror, mas como Os Sem Nome é um pouco mais do que isso. Tenta analisar a natureza humana, e a forma como nos relacionamos com os outros. Era nos relacionamentos que se fundamentava Os Sem Nome, e aqui acontece o mesmo, embora de forma oposta.
Para quem gosta de filmes de terror, com fantasmas, Frágeis é uma excelente aposta.

Rich and Famous

Eu gosto deste tipo de filmes. Filmes que se inserem num conjunto de obras como Bullet in the Head de John Woo e Era uma vez na América de Sergio Leone. Filmes que retratam o crescer de um grupo de amigos e a introdução destes no mundo do crime e, por vezes, a traição de um deles.

Pelo que tenho lido, a maior parte das críticas na internet não mostram um grande apreço por este filme.
Eu gostei. Ainda para mais depois de o ter visto a seguir a The Nun e a Gonin de Takeshi Mike.

O filme versa sobre dois irmãos, Yung (Alex Man Chi-lung) e Kwok (Andy Lau), que se metem em confusões com uma das máfias, e são acolhidos por outro (Chow Fat) dos chefes.
Os temas em destaque são essencialmente traição e fidelidade. O filme é criticado por não ter um final completamente satisfatório, o que pode ser explicado pela sequela, que foi filmada ao mesmo tempo, e mesmo lançada antes, pelo simples facto dos produtores terem achado que tinha maiores possibilidades, financeiramente falando.
O elenco é estelar, ainda que a maior parte em início de carreira.
Toda a gente prefere a sequela – Tragic Hero – a este Rich and Famous.
Eu fiquei convencido. Já vi bem pior.
7/10

Terror

Nos últimos dias consegui ver dois filmes de terror, bem…terror, terror…
Mantendo o desejo de conhecer mais cinema asiático comprei História de Duas Irmãs (um filme sul coreano que há muito procurava comprar) e Spirits (um filme vietnamita).
Confesso que em adolescente vi muito cinema de terror, obrigatoriamente e naturalmente, americano. A determinada altura fartei-me. O molde era sempre o mesmo, e poucas coisas de jeito se fizeram no género nos últimos anos, e o que se fez ou é demasiado gore para o meu gosto ou remakes do cinema asiático, aliás, História de Duas irmãs sairá brevemente nos cinemas, num remake americano!
Entretanto descobri o cinema de “terror” asiático. E mais do que das histórias ou dos actores, agradam-me a ambiência de vários filmes, estes dois são um bom exemplo disso. Agrada-me por vezes a forma quase poética com que se filma, ou se quiserem, a forma como se abordam as personagens, dando-lhes um pouco de profunidade, algo estranho à fraqueza psicológica e ausência de densidade das personagens dos filmes de terror norte-americanos.
História de Duas Irmãs (HDI) subverte o filme de terror tradicional, quase que me atrevo a dizer que é um filme de não terror, filmado como se de um se tratasse. É lento, como muitos dos filmes de terror asiáticos que tenho visto o são. Da paciência do realizador e da história depende a ambiência de que falava.
HDI é um filme familiar. Duas irmãs vivem com o pai e a madrasta, tendo chegado recentemente de uma instituição psiquiátrica, aparentemente após a morte da mãe. As duas têm dificuldades de relacionamento com a madrasta, e como se isto não bastasse começam a ver fantasmas em casa e o pássaro da madrasta aparece morto.
HDI vê-se como a descoberta de um mistério, das razões do que estamos a ver, o que impele as personagens, da melancolia, do desespero.
O filme consegue ser enervante e ao mesmo tempo belo. No final, o filme é explicado através de três ou quatro momentos (flash-backs).
Um filme a ver.
7/10
Aproveito para fazer um parêntesis, tanto HDI como Spirits foram comprados a 5 ou 6 euros, na FNAC.

Spirits é um filme vietnamita, o meu primeiro. E um filme belíssimo.
Spirits não engana ninguém com o título, já que todo o filme anda à volta do espiritual, e de fantasmas, mesmo quando os não vemos.
Está dividido em 3 episódios. Cada um com a sua personagem principal, embora as restantes apareçam, e com ligeiras alterações de estilo e enquadramento.
No primeiro episódio, “the visitor”, acompanhamos um jovem escritor, loc, que chega a uma casa velha e decadente, pensando estar abandonada, e encontra hoa, única sobrevivente naquela zona. Triste, mas simpática vai cativando loc, escondendo um segredo fatal.
No segundo episódio, “only child”, loc ainda mora na velha casa. Está sob o cuidado da mãe e de uma jovem estudante de psiquiatria. Os dois acabam por casar, e o idílio conhece algumas dificuldades quando se apercebem que ela não consegue engravidar. Também ela guarda um segredo terrível, que poderá trazer conseuqência terríveis para aquela família.
A parte final, “the diviner,” passa-se anos mais tarde. Loc, já de cabelo grisalho, recebe a visita de uma espiritualista itinerante. Ao chegar àquela casa, a charlatona descobre espíritos verdadeiros.
Ao resumir o filme, fico com a sensação de que as histórias são básicas, quase telenovelescas, e podem, ao mesmo tempo, induzir o leitor em erro. A força não está tanto na história em si, o segundo episódio é fortíssimo, mas na forma como se escolhe contar a mesma. E é neste campo que o filme merece os nossos aplausos. É extremamente interessante. Muito bem realizado e estilisticamente mais do que meramente apelativo.
O filme vale pela áurea de mistério que carrega e que vai passando de história para história, mas ao mesmo tempo a noção de tragédia e peso que as personagens vão carregando, e a forma como cada uma delas reage ao seu pathos, e ao pathos dos que já morreram.
Os espíritos do filme não são os fantasmas americanos, não são almas em busca de vingança (nem todas, pelo menos), ou não o fazem de maneira sangrenta.
O que não quer dizer que não meta medo de vez em quando, ou não nos deixe indecisos quanto ao seu final (que infelizmente é um pouco expectável).

Uma nota final para a péssima edição nacional (?). Aparentemente devemos este festival de erros na capa do DVD e de uma legendagem em brasileiro (não, é mesmo brasileiro) a Eurocinefilms. Uma miséria.
Traz um trailer, em espanhol. O resumo, na capa do DVD traz erros em quase todas as linhas e quem o escreveu não sabe que há uma coisa chamada vírgula.
Se o filme não fosse tão bom, pedia o meu dinheiro de volta.

8/10