Saídas

Há um dito que reza mais ou menos assim, quando um cast de uma série de televisão é quebrado a própria série quebra-se.
Nem sempre é verdade, mas… é mais verdadeiro do que falso.
Uma das minhas séries favoritas, a britânica Spooks, tem tido um cast relativamente móvel. Os actores têm saído por diversas razões (experimentar novos voos no cinema, essencialmente) e os argumentistas têm feito maravilhas com esta dificuldade extra. O que fazer com uma personagem quando o actor abandona a série? Os argumentistas de Spooks têm-se divertido a chocar os fãs e a aumentar a qualidade da série. Mortes, abandonos do MI5, desertação e mais mortes tem sido o ingrediente para motivar quem assiste a série. Com sucesso, diga-se.
Este ano, há, para os fãs de Grey´s Anatomy, a luta contra o estigma do cast destruído. Addison saiu para a sua série, o que desiludiu os seus fãs, a ver se Private Practice tem o sucesso desejado ou se haverá um “boicote” de modo a que a personagem volte ao Hospital de Seattle. O actor que encarnava Burke (Isaiah Washington) foi demitido ou o contrato não foi renovado (vai dar ao mesmo) e a série pode tremer sem esta personagem. Nos dois primeiros episódios Burke tem (sem estar) muito presente e os argumentistas tentam evitar que a sua sombra paire durante muito tempo sobre a série.
Como laconicamente escrevi, uma das personagens mais queridas de Prison Break conheceu o criador ao perder a cabeça, mais uma vez a situação foi desencadeada pela não renovação do contrato, já que os argumentistas não previam a presença da personagem em toda a época e pelo actor/actriz só querer renovar por uma época inteira, outras questões se levantaram, mas não quero deixar muitas pistas.
As saídas (nomeadamente de um actor) de uma série implicarão muito nas audiências seguintes. Com a saída em cena de uma personagem pode-se estar a perder alguns (milhares, no caso americano, de) espectadores, mas pode-se também ganhar outros.
No caso de Spooks a forma como reagiram à saída de alguns actores, numa fase de sucesso crítico e de espectadores) só serviu para cimentar ainda mais a fama e qualidade da série.
No que diz respeito a Grey´s Anatomy e Prison Break ainda é cedo para saber o que vai acontecer.
Mas as audiências de Prison Break já começaram a descer e algo me diz que descerão um pouco mais antes de subirem novamente.
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Anatomia de Grey (4ª Série)

Em primeiro lugar devo dizer que esta é uma das minhas séries favoritas.

Lembro-me da primeira vez que vi o primeiro episódio, desisti ao fim de alguns minutos e pensei “Tenho mais que fazer”.
Umas semanas depois vi meia hora de um episódio da 2ª série, interessei- -me. Comprei a caixa da primeira série, e aproveitei a primeira metade da segunda estar à venda. Fiquei “hooked“.
Da terceira série acho que tem alguns dos melhores e piores episódios de sempre. Faltou equilíbrio e algumas das opções narratológicas não me agradaram assim tanto. Quase que chorei (UAU) com o episódio em que Grey quase morre, mas ia adormecendo com o episódio seguinte em que esta tem uma experiência no além. Irrita-me um pouco a forma como George anda ali, a pairar entre as amigas, e só depois de casar encontra o seu verdadeiro amor (what a rebound relationship, uh?).
Mas, assim chegamos ao primeiro episódio da 4ª Série.
SPOILERS AHEAD (como escrevem e dizem os nossos amigos anglo-saxónicos).
A palavra-chave para o episódio é Change, e na verdade muita coisa mudou.
O grupo (com excepção de George) já faz parte do quadro do hospital.
Com o final da 3ª Série os relacionamentos entraram no seu momento decisivo.
Alex e Ava, Christina a Burke, Meredith e Derek, George, Lizzie e Torres todos conheceram o clímax (positivo ou negativo – na maior parte dos casos negativo).
Burke foi-se definitivamente embora (Isaiah Washignton foi despedido depois de chamar faggot ao seu colega de trabalho, o George da série).
George não fala com Lizzie que lhe disse que estava in love por ele, e pouco fala com a esposa, Dra. Torres, nova chefe interina do hospital. George anda sem saber o que fazer, chateado (pissed off é a expressão correcta) por ter chumbado e ser obrigado a repetir o ano de internato.
Meredith não fala com Derek, e tem agora de viver com uma meia irmã que desconhecia existir, e que faz o internato com George.
A Dra. Montgomery foi-se embora, para o spin-of Private Practice, o que deixa McSteamy mais concentrado em recuperar a amizade com Derek (há um diálogo delicioso).
Portanto, nesta 4ª série um dos atractivos será ver como os 4 amigos (mais George) reagem enquanto residentes, com internos ao seu serviço.
É que eles agora estão do lado de lá.
Alex quer ser o New nazi, Christina é…Christina, mas agora como chefe, Izzie é Izzie, sempre preocupada com os outros e acaba neste episódio a tratar de um veado (no pun intended) e Grey tenta fazer o seu melhor.
Bailey tenta ultrapassar o não ter sido escolhida como chefe.
Os momentos altos são o I Love you por piscar de olhos, o descobrir ao mesmo tempo de Grey e Derek que a irmã desta é a “Girl from the bar“.
E as frases-chave são I dont want to be here e Not today. (Ficam com uma ideia geral do ambiente vivido neste primeiro episódio).
Começa em alta a 4ª série de Grey´s Anatomy.
(Amanhã – espero – Private Practice, conseguirá o spin-of de Anatomia manter-se durante muito tempo no ar?).

Anatomia de Grey

A 4ª série não terá a participação de Addison Forbes Montgomery (Kate Walsh), que será a actriz principal do spinoff, “Private Practice”. A juntar-se a Kate Walsh, mas por razões diferentes, está Isaiah Washington, o Dr. Burke.
Durante a season, Isaiah “pegou-se” com o colega Patrick Dempsey, e chamou “faggot” a T.R.Knight, o George.
A ABC entendeu mantê-lo até ao fim da corrente época, mas dispensa dos seus serviços na 4ª época.

“There is no rehab for homophobia,” disse Washington, amargurado pela forma como foi expulso pela ABC.

No último mês têm sido muitas as peças jornalísticas sobre séries televisivas.
Entre semanários e diários lembro-me de três reportagens sobre o fenómeno de vendas de séries, sobre as séries televisivas de Culto e sobre a diferença e parecença, e a qualidade entre séries televisivas e cinema.

Ora, este fenómeno é extremamente interessante. A televisão americana é por definição, mais do que a nossa, um mercado. O que não dá dinheiro é posto de parte. Isto acontece com as séries.
Algumas das séries que comecei a ver este ano, e de que estava a gostar, foram canceladas abruptamente.

Ainda este fim de semana comecei a ver uma série chamada Drive, que era uma mistura entre Prison Break e corrida de carros, foi cancelada ao 4º episódio; Kidnapped terminou ao 13º, mas ainda deu tempo para terminar as arc-stories; Vanished terminou, salvo erro, pelo 13º as well, mas só o destino da mulher do político foi conhecido, todas as outras tramas ficaram em aberto; The Nine ficou em águas de bacalhau e mais uma ou duas ficaram na mesma situação.

O meu tão amado Studio 60 foi congelado, depois aparentemente cancelado e agora diz-se que voltará, pelo menos para terminar a primeira época, no fim de Maio.

As fracas audiências são a principal, única, razão para o fim antes de tempo de todas estas, e outras, séries.
Porque é que uma série tem pouca audiência?

O que mantém uma série no ar?
Há variados factores em causa.
Um, é obviamente a série não chamar a atenção dos telespectadores. Mas nem sempre é tão preto no branco! Porquê? Já lá vamos.

Dois, a série, ainda que tenha qualidade, luta contra outras que já começaram há pelo menos uma época, e que podem ter, maior ou menor, uma audiência fixa. Studio 60 começou por lutar contra Anatomia de Grey, até que decidiram trocar o dia. Nos EUA, o mercado de séries de televisão é um campeonato, e por vezes aposta-se forte numa série, sem ter em conta que a estão a lançar contra os crocodilos. Não haverá muita gente disposta a dar uma hipótese a uma série nova quando se tem de optar entre esta e 24, Anatomia de Grey, House, etc.

Três, o Tivo e o PP. O que dá dinheiro a uma estação é o número de pessoas que vêem determinada série no momento em que ela está a dar. Mas, o facto é que a nossa realidade é virtual. Na necessidade de se escolher entre duas ou três séries, o telespectador comum opta pelas três! Vê uma, e grava ou saca as outras duas. Foi o que Aaron Sorkin disse, já que a audiência de Studio 60 é um pouco maior em virtude das pessoas que gravam o programa com o TIVO.

Quatro, aparentemente o crescimento do mercado de DVDs ainda não está equacionado no que diz respeito a estas novas séries. Se é verdade que muitas delas rendem milhões depois de editadas em DVD, não haverá muitos a comprar uma série incompleta e sem um final concreto. Poderá haver retorno concreto neste mercado se se decidir editar a série completa? Possivelmente. Financeiramente é lógico terminar uma série sem saber quem a irá comprar, tendo em conta que não passou na televisão ou que foi ofuscada na mesma? Não saberei dizer. As experiências de vários canais de televisão que têm cancelado determinada série e colocado à disposição na internet os restantes, sem ocupar espaço televisivo, poderão ajudar a definir a resposta.

Quinto, o horário. Quanto mais próxima do prime-time mais cara e maiores dividendos tirará uma série. 24 nunca poderia passar num horário da tarde, só em Portugal. As séries de maior sucesso em Portugal, tanto na televisão como no mercado de DVDS, passam em horário nobre na televisão americana, cá passam durante as tardes de fim de semana ou de madrugada, se tivermos com excepção os canais Fox e AXN.

Concluindo, o que faz de uma série uma série de culto?
Eu diria que um golpe de asa. Se os críticos podem ser unânimes, nem sempre são o factor concreto e decisivo. As audiências decidem, mas também a tecnologia, os já citados PP e TIVO.
Prison Break pode ser um caso de sorte e planeamento. A FOX decidiu dar umas semanas de descanso a 24, e colocou Prison Break (PB) no seu horário, a meio da temporada televisiva. Os espectadores de 24, alguns inaptos para apreender outra série a meio, iniciaram o visionamento de PB e ficaram agarrados ao sofá, quando 24 regressou, a FOX colocou PB imediatamente antes e ganhou não uma hora de audiências, mas duas.

Se aqui o descanso de uma série, por razões de produção e não só – a duração da temporada televisiva em termos de semanas, resultou em vários dividendos, a decisão de congelar Lost entre Novembro e Fevereiro trouxe amargos de boca à ABC. A série que tomou o mundo de supresa perdeu muito do seu ímpeto na 2ª época. Na 3ª parecia voltar aos bons velhos tempos, mas a decisão de emitir 6 episódios e esperar quase três longos meses até novos episódios afastou muitos dos fãs, já um pouco fartos de tanta indecisão e mistério.

Poderia continuar, e mostrar algumas decisões que têm sido feitas para manter uma ou outra série com sucesso, ou tentar limá-la aos olhos do público, mas ficamos por aqui, pelo menos por agora.

-Um homem também chora?
-Às vezes!
-A ver televisão e cinema?
-Diria menos…
-Confesso com uma ponta de vergonha que, ainda que não tenha chorado, fiquei embargado com dois episódios da 3ª Série de anatomia de Grey. Achei que estavam muito bem escritos, e de certa maneira há uma empatia/relacionamento com aquelas personagens.
Enfim, uma das minhas séries favoritas.
-Hum…não andas a ver muitas séries para “gaijas”?
-Achas?

Há duas ou três pessoas, ou a mesma em dias diferentes, a passar por aqui através do Google.
O que me entristece é que não a posso ajudar. Estabelece-se aqui, por alguns momentos, à procura de notícias sobre a Anatomia de Greg.
O Greg que me desculpe, mas prefiro a Meredith Grey. E não é sexismo…

Vi o último episódio de Studio 60. A série fica em banho maria, já que foi congelada pela NBC. É pena que nunca tenha tido a fatia de audiências desejada. É uma das minhas séries favoritas, por um dos meus criadores/argumentistas favoritos. Studio 60 sofreu com as séries com que competia, com o TIVO (espécie de videogravador digital) e com um decréscimo de audiência gradual. Não obstante ser uma das séries mais engraçadas, bem escritas e interpretadas da televisão americana no momento.

Vi o primeiro episódio de The Closer, agora posta à venda no nosso mercado, produzida pela mesma senhora que produz Nip Tuck. Voltamos ao ambiente de Prime Suspect, temos uma senhora que vai dirigir equipa de investigação, o que traz vários problemas, principalmente de ego e guerras de sexo. O piloto está bem escrito, mas por enquanto não me faz querer ver mais nenhum… Todas as criticas são unânimes, a série é excelente, mas eu devia estra ainda em ressaca, de Studio 60, porque a série não me aqueceu muito.

Comecei a ver a 3ª série de Anatomia de Grey. Não consigo descrever quão grande foi a surpresa com esta série. Já escrevi aqui que não gostei do primeiro episódio, e ia vendo cinco minutos aqui, dez acolá. Comprei a primeira série em DVD, depois a segunda e im hooked. Com o sentido de humor, com a descrição das personagens, com os casos clínicos, enfim…há vida depois de ER e de House. E a terceira série promete.
Já agora, para os fãs, sabemque está nos planos um spin-off da série? Ao que consta poderá criar-se uma série emq ue a personagem principal será a Dra. Montgomey Sheperd. Se irá para a frente, ou se será uma boa ideia o futuro responderá.

Parlamento.O parlamento acha que a RTP deve retomar o horário do tempo de antena dos partidos. O PSD, o CDS, o PCP, o BE, o PS e a ERC acham que a RTP deve colocar o tempo de antena às 20h00 ou a seguir ao jornal das 20h00. Não faço ideia, porque raramente vejo. Mas espero que Anatomia de Grey passe antes das 22h00.
Francisco José Viegas in A Origem das Espécies
Uma das minhas séries favoritas, ainda que não seja nada de outro mundo (e isto é um paradoxo) é Sobrenatural. Sobrenatural tem um quê de Ficheiros Secretos (um quê pequeno), e mistura lendas, urbanas ou não, e o folclore tradicional, monstros e demónios com um humor adolescente que me tem cativado.
A série nos EUA tem tido audiências minimamente interessantes, ainda para mais porque compete directamente com CSI e Anatomia de Grey.
Há uns 2 meses li uma entrevista com um dos produtores (e estou na dúvida se de CSI, se de Sobrenatural, embora me incline para este último) em que ele dizia que era difícil destronar Anatomia de Grey, “Who con beat sex in a hospital?”.
E realmente era esta a noção de Anatomia que eu tinha. Tinha, porque devorei em dois dias, a namorada fê-lo numa madrugada, os primeiros 5 episódios, e fiquei infeliz por me ter esquecido do segundo DVD em casa dela.
É, A Anatomia de Grey, realmente sobre sexo? É! Mas, qual a série que não o é? Já o ER era sobre sexo, não era tão directo, mas naquele hospital raros foram os médicos que não rodaram, desculpem os termos.
A Anatomia é, antes demais, uma série muito bem escrita, sobre amizade, responsabilidade e o que se faz com tudo isto num mundo cão, os primeiros anos de internato num hospital.
E concordo com FJV, prefiro ver um episódio de Grey´s Anatomy ao mundo cinzento dos nossos telejornais, e dos tempos de antena.
Livra!