O Cinema Clássico Americano e os Clássicos do Cinema

Gosto de cinema desde que me conheço, nascido no último ano da década de 70, reconheço o papel que a televisão pública e os clubes de vídeo tiveram nesta relação, bem como o papel do pai, ao querer rever alguns clássicos da sua juventude.

Quem cresceu, como eu, nos anos oitenta, lembra-se dos filmes de Chaplin, do Tarzan, com Johnny Weissmuller, do Errol Flynn, dos épicos de inspiração bíblica (Quo Vadis, A Túnica, Ben Hur, Dez Mandamentos e outros), dos westerns e filmes de guerra, entre tantos outros que a memória imediata esquece. A coleção de clássicos dos clubes de vídeo ajudavam a descobrir algumas pérolas.

Pouco me interessava o nome dos realizadores, alguns dos atores e atrizes iam aparecendo algumas vezes mais, o que ajudou à memorização.

Ao entrar na faculdade, aos dezoito, já conhecia alguns clássicos e atores da época dourada de Hollywood, mas a oferta começava já a ser mais escassa no que diz respeito a essa era, o cinema começava a ser dominado pelos efeitos técnicos e não pelos argumentos e atores, os efeitos especiais iam começando a ser os verdadeiros protagonistas, mas ainda assim a oferta era distinta da de hoje. Durante o período da licenciatura, tive a oportunidade de ver 2-4 filmes por semana, alguns o sucesso comercial da altura, outros eram filmes independentes ou não americanos, que o King, o Londres e, por vezes, o Picoas ofereciam.

No penúltimo ano de licenciatura assisti numa cadeira de história do cinema, dada por um professor que colaborava com a Cinemateca Portuguesa, de quem não me lembro do nome, e que demorou algum tempo nas décadas de 30 e 40 do século passado. Foi ali que vi, com olhos de ver, o meu primeiro Howard Hawks, de quem já vira alguns filmes ao longo do meu crescimento, Only Angels Have Wings. Marcou-me, ainda hoje continua a ser um dos meus filmes favoritos de Hawks, talvez pela descoberta, mas a obra do americano é tão vasta e interessante que é difícil dizer qual será o favorito, mais fácil é reconhecer que Hawks é um dos meus realizadores favoritos, juntamente com Sergio Leone e Bergman. Também Cary Grant, protagonista desse filme, é um dos meus atores favoritos.

Hoje, como tantos outros, reconheço um certo cansaço com o cinema da Hollywood atual, tanto pela escrita, como pela fórmula, não que o cinema clássico não usasse fórmulas, claro que o fazia, mas a vacuidade e a ausência por vezes de conteúdo é uma coisa que me distrai, no mau sentido da distração.

O meu obejtivo não é definir cinema clássico ou clássicos do cinema, ainda que valha a pena definir, de forma pouco concreta, o período do cinema clássico, que normalmente é integrado entre as duas primeiras guerras, avançando um pouco após o fim da última destas, já que após a década de cinquenta a indústria é marcada pelo aparecimento da Nouvelle Vague francesa e pelo Neo-realismo italiano, com a participação de outros cineastas, de diversas nacionalidades, com cunho próprio, por exemplo, Kurosawa e Bergman.

O cinema clássico tem algumas características: o star system, o gosto pelas grandes produções, o enredo/narrativa linear, o final feliz, clareza e transparência narrativas e o foco numa ou em duas personagens, há uma clara divisão por géneros, cada um com uma linguagem própria e algumas características técnicas que vou deixar em aberto.

Citizen Kane de Orson Welles rebenta com algumas destas regras, nomeadamente a nível técnico, do trabalho da câmara, e da narrativa, que não é linear.

O objetivo deste pequeno texto é estabelecer uma promessa, escrever sobre alguns clássicos, obrigando o autor destas linhas a (re)ver alguns dos filmes mais amados ou esquecidos da história do cinema, nomeadamente, do cinema americano.

É normal que alguns dos filmes mais emblemáticos, mais conhecidos demorem algum tempo a aparecer aqui, já que já foram vistos mais do que uma vez e serão guardados para outra altura, Casablanca, Citizen Kane, Bringing up Baby, My Darling Clementine, The Big Sleep, To Have and Have Not (e é incrível ver aqui a primazia de Hawks) são alguns desses que demorarão um pouco mais a aparecer.

Até já.

 

Anúncios

2 thoughts on “O Cinema Clássico Americano e os Clássicos do Cinema

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s