Da fuga aos relacionamentos

Nos últimos tempos tenho analisado os meus relacionamentos, cada um de nós tem a sua definição de amizade e dentro dela fazemos ou deixamos de fazer algumas coisas aos nossos relacionamentos, damo-nos mais ou menos em função de diversos fatores que têm a ver com a educação que nos foi dada, com a religião, ou ausência dela, que praticamos, com a nossa personalidade e feitio.

Tenho sido surpreendido pelo carinho e preocupação que alguns que não conheço assim tão bem têm para comigo, quando aqueles que me conhecem bem, que comungam comigo me ignoram, me deixam de lado.

Outrossim, ontem, tentando perceber o que fazer numa situação especial, que requer maturação e decisão, marquei um encontro com o familiar de um amigo meu, conhecido meu desde há uns anos. As dificuldades juntam-nos de formas impensáveis, marcam o encontro por nós e unem-nos forte e estranhamente.

Ouvindo aquela pessoa a perorar acerca da sua família, dos seus objetivos, da sua experiência pensei em quantas vezes nos afastamos dos relacionamentos, quantas vezes ignoramos que outros vivem os mesmos dilemas que nós, que já passaram por aquilo que não compreendemos, pelo caminho que tememos  e  pelas dúvidas que aparecem nesse trilhar.

A conversa de ontem serviu para eu perceber melhor o sistema, as dúvidas e inquietações que me apoquentam, serviu para perceber que há muitos em situações semelhantes que a minha. Deu-me confiança e paz, alegrou o meu coração. Serviu para me convencer que dois são melhor do que um…

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Portugal é fantasia?

Ando a ler Acácia, obra de fantasia de David Anthony Durham. O mundo é criado de raíz, sem semelhanças com o nosso, na página 50 lê-se “Tinha as pernas cruzadas pelo joelho e um copo de Porto entre…”

Engraçado como um país pequeno, caído em desgraça, devedor a não sei quantos credores, em crise política e financeira consegue estar presente numa obra de Fantasia. Não é crível que Portugal exista no mundo de Acácia, mas se o vinho do Porto se bebe lá…como será o reino português na fantasia?

ouvidos de mercador

“Neste Julho de 1975, pedi a O Jornal a publicação do excerto que se segue: considero-o contributo para uma leitura em profundidade dos actuais acontecimentos políticos em curso de crise. Quem aprendeu a importância que o passado tem nos actos colectivos deve aferir as suas decisões por bitolas que tenham também esse passado em conta.

A vida de milhões de portugueses e a independência do país estão neste momento em causa. Que os defensores do fragmentado poder político saibam pensar acima do acinte – seja ele de natureza ideológica, partidária ou simplesmente de vaidade.

O povo português, uma vez mais na sua história, sente-se de esperanças: que a ele seja facultado o parto, e muitos aparentes impossíveis se tornarão realidade com repercussões à escala do planeta. Senhores da política: não nos obriguem novamente a matar-nos uns aos outros; não nos vendam outra vez.”

(Nuno Brangança O Jornal, Julho de 1975 – a propósito da publicação de um excerto da obra Directa)

A Culpa é das estrelas

Cedi a este livro pelo tema, “A culpa é das estrelas” aborda o cancro, narra a vida de alguns adolescentes com cancro, nomeadamente dois, Hazel Grace e Augustus. Cedi com cautela.

O livro tem consciência do sentimentalismo exacerbado e do politicamente correto a que o tema se presta e várias vezes refere-o. “Cancer books suck”, diz logo no início Hazel Grace, a narradora de 16 anos.

“A Culpa é das estrelas” ( John Green, editado pela Asa) é contado na primeira pessoa e narra a história de Hazel, uma jovem de 16 anos com cancro nos pulmões, que é acompanhada por uma garrafa de oxigénio. Hazel conhece Augustus (Gus), que tem uma prótese em vez de uma perna, e o livro é a história de amor entre eles os dois.  

O título é inspirado numa frase da peça Júlio César de Shakespeare, “The fault, dear Brutus, is not in our stars, / But in ourselves, that we are underlings.'”

Hazel tem um livro preferido An Imperial Affliction, sobre uma rapariga que tem cancro, mas que apesar disso vive uma vida boa. O livro termina a meio de uma frase e a ignorância do futuro das persoagens aflige Hazel. Quando conhece Gus, Hazel convence-o a ler a obra de Van Houten e juntos tentam ter sucesso onde Hazel falhou, entrar em contacto com o autor da obra preferida dela.

“A culpa é das estrelas” é um romance duro e sincero, contado por uma adolescente que recusa viver com a deferência dos outros pela sua doença, descobri entretanto o sucesso deste livro nos EUA e a definição de Young Adult Fiction, a verdade é que não é fácil de o catalogar e se este é um exemplo do que se faz em YA Fiction então o género está de muito boa saúde e é mais lato do que poderia ser.

O livro aborda a questão da fé, da religião e normalmente brinca acidamente com ela, ainda que com respeito; é acima de tudo um romance sincero que demonstra as diferentes reações daqueles que vivem com cancro e dos que estão à sua volta. Há algumas passagens fortíssimas, outras com muito humor, mas há, acima de tudo, uma preocupação com aquelas personagens, preocupação/interesse que passa para o leitor.

Há uma passagem extremamente interessante acerca do Facebook – alguém morre e uma das personagens abre o Facebook e lê (escreve também) o que outros, que ela desconhece, escrevem acerca daquele que morreu. Ficamos perante a participação ativa na vida de pessoas e a participação ativa na wall dessa mesma pessoa. Quando ela escreve na wall percebe que o mais importante não é o que escreveu ou a atenção que isso irá ter, mas aquilo que guarda da pessoa desaparecida.

Um livro extremamente interessante, uma boa surpresa neste outono editorial.

Deixo-vos o primeiro capítulo lido pelo autor.

“The Lord challenges us to suffer persecutions and to confess to him. He wants those who belong to him to be brave and fearless. He himself shows how weakness of the flesh is evercome by courage of the spirit. This is the testimony of the apostles, and in particular of the representative administrating Spirit. A Christian is fearless.”

Francis Chan

“We may as well face it: the whole level of spirituality among us is low. We´ve measured ourselves by ourselves until the incentive to seek higher plateaus in the things of the Spirit is all but gone. We´ve imitated the world, sought popular favor, manufactured delights to substitute for the joy of the Lord, and produced a cheap and syntethic power to substitute for the power of the Holy Spirit.”

A. W. Tozer

Baseado nos Salmos 3 e 5

Acordo e me levanto,
porque tu me sustentas.
Clamo a ti, Tu me ouves, e respondes
Aos meus suspiros.

A Ti clamo, ouves o meu choro,
também a minha alegria.
Tu me conheces, a minha vida,
As minhas circunstâncias.

Ajuda-me a depender de ti,
a orar, a clamar, adorando-te.

Guia-me na tua justiça,
mantém-me fiel nas tormentas,
mas também quando o céu é azul.
É a tua benignidade que me sustenta.

Tu és o meu escudo,
em ti me quero gloriar,
És Tu quem levanta a minha cabeça,
quero orar.

Ajuda-me a depender de ti,
a orar, a clamar, adorando-te.

Tu me salvaste, me adotaste,
Quero ser uma pedra viva,
das águas vivas beber, 
reconhecer a voz do Bom Pastor.

Ajuda-me a depender de ti,
oro, clamo, ajuda-me a depender de ti, adorando-te.

Go on

Já falei aqui de séries de humor, mas deixem-me dizer, na minha sinceridade, que nunca consegui entender o sucesso e a piada de Friends. As personagens são demasiado burras, pelo menos duas delas, o humor não me faz sorrir e ao fim de dois minutos estou à beira do suicídio, por isso, mudo de canal…

Mas gosto de Mathew Perry, acho piada ao ator e às suas escolhas. A personagem de Matt Albie é maior do que a própria série (Studio 60 on the Sunset Strip); Mr. Sunshine, a série de humor que protagonizou o ano passado agradou-me, com um sentido de humor doentio, ao lado, mas com tempo para o lado humano. Devo ter sido dos poucos que gostou já que a série foi cancelada e os ratings miseráveis.

Agora estreia este Go On, que teve excelentes resultados nas duas primeiras semanas, em que Perry interpreta o papel de Ryan King, um apresentador de rádio que tem de lidar com a morte da esposa e que para não perder o emprego entra num grupo de terapia.

A série é cómica, o elenco interessante e as personagens excêntricas. No grupo de terapia temos uma hispânica que perdeu a família, uma mãe que perdeu a filha, um negro que não consegue lidar com a morte cerebral do irmão, entre outros.

O que já era uma realidade em Mr. Sunshine, continua a sê-lo em Go On, trata-se de uma série de humor, que brinca com os problemas e preconceitos das personagens, dando ao mesmo tempo uma imagem das limitações e dificuldades de cada um, especialmente da personagem principal. Go On, nestes dois episódios, aposta em finais que nos tentam relacionar connosco, com as coisas simples da vida. A realidade é que não há muitas séries de humor que gastem tempo com o human angle da coisa…

Uma surpresa, e espero que esta dure.

No, People, a 4th Century Scrap Doesn’t Prove Jesus Had a Wife

Why bother writting anyhing about it? Este senhor fá-lo melhor do que eu.
Realmente, crente ou não, faz-me confusão que se dê notícia de algo que não se sabe de onde vem, de que é que faz parte. Não há escritos gnósticos, por exemplo, que adulteram a verdade bíblica?
Por haver um texto do século II que diz algo que vai contra o ensino bíblico, este cai por terra?
Imaginem que daqui a 3000 anos alguém descobre um blog que ataca o Passos Coelho, o Sócrates, o Obama ou outro… E então, é tudo verdade? Voltamos à questão da fé, mas também do racionalismo.
Boa noite…

Mais um texto que poderá interessar a alguns, aqui.

Zwinglius Redivivus

So calm yourselves.  First, what’s the provenance of the fragment?  Was it discovered in a controlled scientific dig?  Who are the excavators?  Where are the photos of the artifact’s discovery in situ?  Who deciphered it?  What is its date?

A historian of early Christianity at Harvard Divinity School has identified a scrap of papyrus that she says was written in Coptic in the fourth century and contains a phrase never seen in any piece of Scripture: “Jesus said to them, ‘My wife …’”

Again, what are the answers to the questions above.  King isn’t an archaeologist so how did she come into possession of the piece?  Furthermore, a statement on a papyrus fragment isn’t proof of anything.  It’s nothing more than a statement ‘in thin air’, without substantial context.  For all King knows (and those panting after the papyrus like it was a gold inscribed tablet dug up…

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O que é fé?

No meu devocional ontem, li um texto de George Muller, de quem tenho andado também a ler um pequeno livro sobre oração (e fé), sobre o que é fé.

Muller define fé como “the assurance that the thing wich God said in His Word is true, and that God will act according to what He has said in His Word.”

Parece uma definição básica, Muller vai acrescentar alguns pontos, mas somente aqui percebemos duas coisas, que Muller fala de uma fé bíblica e que essa fé é hoje pouco praticada em muitas igrejas.

Os pontos que Muller acrescenta são os seguintes:

No impressions are to be taken in connection with faith“We have to do with the written Word and not ourselves or our impressions.”

Nos últimos três anos assisti a decisões feitas com base em sentimentos muito fortes que deram errado. Se a nossa natureza é falha porque deveremos confiar nela e não na Palavra de Deus?

Probabilities are not to be taken into account“Faith has nothing to do with probabilities. The province of faith begins where probabilities cease and sight and sense fail.”

Quantas vezes na Palavra lemos que Deus mudou as circunstâncias? Ou que aquilo que era provável não aconteceu e vice-versa?

O pequeno texto que li lembrou-me duas coisas, uma questão que me foi colocada e um livro que li, de Kevin DeYoung, Just do Something – A Liberating approach to finding God´s Will.

Há uns anos, um amigo meu, crente, procurava fazer a melhor escolha relativamente ao curso que poderia escolher. Procurava perceber qual a vontade de Deus para a sua vida. Perguntei-lhe de qual gostava mais, para o qual achava ter mais aptidão, queda, talento. Perguntei-lhe se algum ia contra a Palavra de Deus, se teria de fazer coisas, no futuro, que a Bíblia condenava. Respondendo que não, lembro-me de lhe ter perguntado, porque não escolhes tu e confias em Deus? Porque há-de ser Deus a escolher por ti, quando a decisão é tua? Se confias em Deus, escolhe nessa confiança.

Se Deus fizesse tudo por nós não haveria pecado no seio da igreja, seríamos santos (separados) duplamente (não pecaríamos). Penso que estas questões nascem muito da nossa cultura, queremos coisas que nos preencham, não tanto que glorifiquem a Deus. Não queremos errar, mais por nós, do que por Deus.

Quero voltar no futuro ao livro de Kevin DeYoung, até porque esta temática é-me cara e parece-me importante à luz da nossa cultura (até da nossa cultura cristã), mas deixo, por enquanto, alguns excertos do livro já citado.

O livro de DeYoung é sobre tomada de decisões, como as fazer? Abrir a Bíblia ao calhas e esperar que Deus responda? Quantos de nós achamos que podemos errar a vontade de Deus e viver uma vida miserável? Não estou aqui a falar de pecado, estou a falar de errar a vontade divina. “God is not a magic 8-ball we shake up and peer into whenever we have a decision to make. He is a good God who gives us brains, and invites us to take risks for him.”

“Does God have a secret will of direction that He expects us to figure out before we do anything? And the answer is no. Yes, God has a specific plan for our lives. And yes, we can be assured that He works things for our good in Christ Jesus. And yes, looking back we will often be able to trace God´s hand in bringing us to where we are. But while we are free to ask God for wisdom, He does not burden us with the task of divining His will of direction for our lives ahead of time. I´m not saying that God won´t help you make decisions (it´s called wisdom). I´m not saying God doesn´t care about your future. I´m not saying God isn´t directing your path and in control amidst the chaos of your life. I believe in providence with all my heart. What i´m saying is that we should stop thinking of God´s will like a corn maze, or a tightrope, or a bull´s eye, or a choose-your-own-adventure novel.”

By and large, my grandparent´s generation expected much less out of family life, a career, recreation, and marriage. Granted, this sometimes made them unrefletive and allowed for quietly dismal marriages. But my generation is on the opposite end of the spectrum. When we marry, we expect great sex, an amazing family life, recreational adventure, cultural experiences, and personal fulfillment at work. It would be a good exercise to ask your grandparent sometimes if they felt fulfilled in their carrers. They´ll probably look at you as if you´re speaking a different language, because you are. Fulfillment was not their goal. food was, and faithfulness too. Most older folks would probably say something like, “I never thought about fulfillment. I had a job. I ate. I lived. I raised my family. I went to church. I was thankful.”

Recently, i was talking with Grandpa DeYoung, a lifelong Christina now in his eighties. I asked him if he ever thought about what God´s will was for his life. “I don´t think so,” was his short response. “God´s will was never a question presented to me or i ever thought about. I always felt that my salvation…depended on my accepting by faith the things that we believe. After that, i don´t think i ever had a problem thinking:”is this the right thing to me?”

The more my grandpa and i talked, the more i realized the will of God beyond trying to obey His moral will was an unfamiliar concept to him. “You just…do things” seemed to be my grandpa´s sentiment, and as you´re doing them as walking with the Lord, you don´t spend oodles of time trying to figure out if you like what you are doing. I guess if you keep busy and work your whole life, you don´t have time to worry about being fulfilled.”

Muitas das vezes, queremos que Deus escolha por nós, outras, achamos que é Deus que escolhe ou fazemos tudo para que a decisão e os resultados caiam em cima dele. Confio que os excertos escolhidos sejam difíceis de aceitar para a maior parte dos crentes, daí que tenha decidido voltar ao livro de DeYoung, até porque falta a base do argumento do autor.

De qualquer forma, e concluindo, deixem-me dizer duas coisas, quantas vezes tomamos decisões baseadas nos nossos sentimentos, na nossa vontade e não na Palavra de Deus? Quantas vezes tomamos essas decisões baseados em nós, e atribuímo-las a Deus, por descargo de consciência?

Sim, “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”, sim, “Não passaremos por provações maiores do que aquelas que podemos passar”, mas porque não tomar decisões baseadas naquilo que Deus nos tem revelado, não esperando que Deus as tome por nós.Vivendo, praticando e escolhendo pela fé.

Haveremos de voltar a esta temática e ao livro de DeYoung, Just do Something.