Ironias de um Primeiro-Ministro

A antipatia de Sócrates para quem não lhe afaga o ego deve aumentar nos próximos dias, muito por culpa da capa, e respectivo conteúdo, do semanário Sol.
Muito se tem escrito e discutido sobre as demarches, fortuitas e menos fortuitas, do Primeiro Ministro para com alguns órgãos de comunicação e jornalistas.
Parece-me é que nos esquecemos da causa primeira deste comportamento. O que começou por parecer uma qualidade, logo se tornou num toque algo ditatorial. Esquecemo-nos que Sócrates começa o seu primeiro mandato com a pulga atrás da orelha para com os jornalistas. Depois do sarabandum sarabandim que foi o Governo de Santana Lopes, que cometeu erros atrás de erros, que nunca foi muito unido, a quem os media agradeceram pelas inúmeras manchetes e casos tratados, Sócrates percebeu que tinha de lidar com os órgãos de comunicação de forma diferente.
Irónicamente, parece ser esta uma das causas de maior crítica ao governante mor da nossa democracia. Querendo ser tão diferente do seu antecessor, correu mais do que ele, ultrapassou-o e corre o risco de ser desclassificado. Irónico, não?