Orçamento de Estado

Estou na horizontal, no meu sofá, a reler os primeiros onze números de Ex Machina, uma BD sobre um Mayor de Nova Iorque, que já foi super-herói.
A televisão está ligada na apresentação do Orçamento de Estado. Ouço o Ministro, vagamente, claro, a perorar sobre o conteúdo do mesmo.
Hoje, a caminho da escola, cumpro o ritual de cada manhã. 2€ pagam o Público e o i. Leio vagamente (novamente) sobre o conteúdo do Orçamento de Estado.
É impressão minha ou o Governo é constituído por portugueses. A única imagem na minha cabeça é aquela imagem do português e do seu cartão de crédito. Enquanto der, a gente gasta. Quando os bancos já não emprestarem mais… a gente logo vê.
Depois queixam-se que eu prefiro a ficção à realidade. Acho que hoje vou reler os one números de Ex Machina.

30 Days of Night

Os subprodutos, que estão na moda, vampíricos levaram-me ontem a relembrar 30 Days of Night, o filme.

Curiosamente, Josh Hartnett consegue estar bem num filme, ou se quiserem, há um filme com ele que vale a pena, ainda que não seja para toda a gente.
30 Days of Night é a adaptação cinematográfica dos romances gráficos (nome pomposo para BDs) de Steve Niles e Ben Templesmith.
A história é simples. Uma cidade no Alasca, Barrow, é atacada por vampiros no momento em que está mais vulnerável, na altura em que passa por 30 dias de noite (o que acontece uma vez por ano).
Se a história era facilmente transponível para o grande ecrã, a dificuldade maior da adaptação passava pela manutenção do estilo de Templesmith, que é muito próprio.
Há quatro coisas a favor desta adaptação.
É dura, os vampiros não entram na linha romântica e sedutora da onda Twilight, mas são caracterizados como criaturas animalescas (daí que os grunhidos façam sentido e nos incomodem, quando em Destino Imortal são simplesmente ridículos). O carácter animalesco nota-se também na caracterização física e no sangue seco presente na parte inferior do rosto.
Por outro lado, a ambiência do filme. O som tem um papel preponderante neste filme, entre ruídos, gritos, grunhidos e respirações acentudas, a banda sonora transmite-nos a inquietação necessária para se retirar do filme o que os criadores desejam.
É claramente um filme de vampiros, mas é também um filme de resistência. Passamos metade do filme a assistir à tentativa dos humanos sobreviverem dos ataques (directos e indirectos) vampirescos, com o necessário esgotamento (físico e psicológico).
A realização é inteligente. Há sangue, a rodos, mas mais do que mostrar com a câmara em cima, por vezes coloca-se a câmara ao longe, de modo a transmitir a violência e a inutilidade dos esforços de fuga. Há cenas fortes, mas as cenas mais duras, psicologicamente falando, são aquelas em que só ouvimos a acção. Estou-me a lembrar duma cena em que Ben mata um dos seus colegas, entretanto transformado, e a única coisa que vemos (e ouvimos) é Stella, a sua esposa, agachada a uma parede e o som do seu choro.
O filme não é obviamente passável numa tarde de Domingo, é mais pesado do que isso. Mas tem dentro de si as questões que os adolescentes gostam (amor, sacrifício, amizade), embora dadas de forma mais adulta e consistente. Realce-se que não é para mentes sensíveis, a esposa fechou as portas (a da sala e do atelier) por causa dos sons que saíam da televisão, incomodou-a.
Um grande filme, longe da standardização adolescente a que os filmes de Hollywood nos vêm habituando, o que deverá ter tido impacto no sucesso obtido.
Os últimos 20 segundos são antológicos.
Vejam, se forem capazes.

Uma última nota: 30 Days of Night: Dark Days vai ser uma realidade, ainda que directamente para o mercado de DVD.

Acordado, a roer as unhas por causa dum jogo de futebol americano. Estava a gravé-lo, mas queria ver o resultado em directo!
Brett Favre não foi feliz, o que não apaga uma excelente época. De qualquer forma, o SuperBowl é mais ou menos esperado. Colts vs Saints. Promete. Mais uma noitada daqui a duas semanas.

Destino Imortal

A TVI abriu as hostilidades ontem, estreando a mini-série de vampiros, Destino Imortal. Para a semana é a vez da SIC.
Que me lembre não há grande nenhuma tradição vampiresca em Portugal. Desconheço livros, filmes ou outra coisa qualquer sobre vampiros de produção nacional, pelo menos com mais de 10 anos.
Todos sabemos da febre (eminentemente juvenil) actual com vampiros. Liga-se a tv, vai-se a uma livraria e é sabido que dificilmente não somos brindados com algum produto com os caninos mais afiados. Daí que as tvs aproveitem, ou tentem aproveitar, o filão.
Depois de uma estreia de quase duas horas o que se pode dizer de Destino Imortal?
Comecemos pela sinopse.
Miguel (Pedro Barroso) perde a mãe, num acidente automóvel e vai viver com a avó para Sintra. Na faculdade, conhece Sofia (Catarina Wallenstein), uma vampira que suporta a luz e os raios solares, por quem se apaixona.
O primeiro episódio mostra-nos o regresso de Miguel a Sintra, a tentativa de enquadramento na Universidade e num novo grupo de amigos (que neste momento é constituído por duas pessoas) e o início do relacionamento com Sofia. Sofia, que pertence a um clã (parece que com ela são quatro), suporta a luz do sol e o seu pai tenta replicar essa característica para benefício da sua raça.
Descobrimos que Viktor, o criador do pai de Sofia, está em Sintra. E acontecem alguns crimes.
Ah, e a irmã de Sofia, Valentina (Evelina PEreira), que de longe parece uma das irmãs de Edward de Lua Nova, é má como as cobras.
Já agora, uma das professoras tem uma forma peculiar de pronunciar faraó, “Fáráó”. O que é bonito!
As minhas expectativas eram baixas, mas não sendo um clássico consegue ser melhorzita do que estava à espera. Pelo menos vi até ao fim, sem adormecer, o que não posso dizer de Crepúsculo.
Explico.
Destino Imortal cola-se a Crespúculo e Lua Nova. Pela temática, pela divisão entre vampiros bons e maus, mas acrescenta um pouco mais, um Dampyr ou Dampiro (não, não é um vampiro do Norte), que é o filho de um vampiro e uma humana e a tal vampira que suporta a luz do sol (ainda que seja mais pálida que uma sueca.)
O pastiche é óbvio, em algum guarda-roupa (de Valéria, essencialmente), na ausência de Baseball, coloca-se o personagem principal a jogar Rugby, a atracção entre um humano (mais ou menos) e uma vampira e o ar de ligação proibida que aquilo tem, para eles e para a família dela. A série é feita para cativar a quantidade de gente que leu e viu os filmes da série Lua Nova.
O que é que falha?
Muita coisa. O guarda-roupa é pavoroso, na cena em que o clã de Sofia é apresentado, Rogério Samora e Maria João Luís parecem artistas de circo demodé. A tentativa de dar uma aura gótica a Sofia funciona de vez em quando, mas às vezes ela é simplesmente foleira. O vestido cor de rosa com o espartilho preto berrava de tão mal que lhe ficava.
A escolha por Sintra parece acertada, mas a realização não a aproveita. Sintra poderia ser um dos personagens principais, a serra vai aparecendo, pouco, podia ser outra serra qualquer, mas a vila, por enquanto, está lá só porque sim. Um desperdício…
A universidade (o exterior) parece saída de um filme do Harry Potter com falta de fundos e ainda não percebi que curso é que aquelas criaturas estão a tirar. Já percebemos que é História, mas o aproveitamento das matérias é demasiado maniqueísta. De louvar ver uma professora a tirar o casaco de costas para a plateia. São assim os nossos professores, ou só os universitários? Os colegas dos personagens principais, para alunos de história, são um pouco burros no que à História diz respeito.
Os satânicos são um bando de gajos rebarbados que encontraram uma forma simpática (satanismo) de fazer-se às gajas. Fico mais convencido com os góticos da margem sul, mas está bem.
Os actores são fracos, mas não menos do que estamos habituados e um pouco melhores do que os dos Morangos. Não gosto da Catarina Wallenstein. Demasiado pálida, quieta, morta para o meu gosto. No entanto consegue ser mais viva que a rapariguita da Lua Nova, tendo em conta que a portuguesa está morta e a outra viva – um a zero para a Sofia.
Os efeitos especiais são fraquitos, mas funcionam, ainda mais quando pensamos que é uma série portuguesa. Se começarmos a fazer comprações, vamo-nos divertir muito. Os rosnares animalescos dos vampiros eram dispensáveis, ninguém viu o Gary Oldman? Os efeitos visuais para dar um ar animalesco desculpam-se. Nas cenas que lidam com os mortos nota-se alguma inteligência, notamos a falta de meios, mas preferimos isto a cenas foleiras.
A cena em que as duas irmãs se angalfinham as duas e pulam, era dispensável, é rídícula e a encenação demasiado primária.
A realização é fraquinha e por vezes hilariante. Uma das cenas em que Viktor aparece no canto esquerdo do ecrã, é tão ridícula que quase apago a tv.
O que é que funciona?
É uma mini-série. São só seis episódios, com objectivo de se seguirem mais algumas mini-séries. Gabe-se a sabedoria. Parece que a série da SIC são cento e muitos episódios….
Há uma noção do que se pode ou não fazer e fizeram-se algumas escolhas acertadas.
Não é pior do que Crepúsculo ou Lua Nova, tendo em conta a falta de dinheiro e meios, até consegue ser mais tolerável. Pena é o pastiche.
Não vai ser um grande marco, pelo menos no plano estético e no plano narrativo. Continuamos a não perceber o que conseguimos fazer com grande qualidade e, caindo nas modas, tentamos (parece-me que com algum sucesso) tirar proveito delas. Sinceramente, esperava pior. Consegue ser melhor do que os Morangos, Floribella ou outros produtos de sucesso. Não preza pela inovação, mas consegue ser um escape (divertido).

Não sei se as pessoas nos conhecem tão bem como esperariam ou se nos moldam como gostariam que fossemos. Por causa de algumas discussões e posts (aqui e no facebook) lembrei-me de um ou outro episódio.
Claro que tenho amigos que me “tentam mudar”, no bom sentido, sabem quais as minhas limitações e tentam convencer-me a fazer algo ou adoptar hábitos que me levem à supressão de alguns defeitos. Claro que uns, na sua boa vontade, adoptam estratégias fadadas ao insucesso. Claro que não temos de mudar ninguém, mas por vezes podemos tentar ajudá-los, co-ajudá-los (não sei se a ideia que quero passar está efectivamente a passar).
Outros fazem uma imagem de mim que não é a correcta, ou aspiram a fazer de mim outro que não aquele que sou. Não percebo.
Lembro-me de um caso escabroso, que pode ilustrar mais facilmente o que quero dizer. Há uns anos, valentes, um amigo decidiu organizar-me um blind date. Conhecia-me suficientemente bem ou pelo menos achava que sim (tanto eu, como ele). Por piada, entrando na brincadeira, fui. Claro que nada deu certo. Quando falo de nada falo de tudo menos de relações amorosas, que seria a última coisa que me passava pela cabeça. Fui pela piada. Lembro-me de estar em casa dele e ele dizer-me que tinha de conhecer uma amiga dele. Que já lhe tinha falado de mim e que achava que ela seria indicada para mim e eu para ela. Pois… Temo e angustio-me perante mestres casadoiros, mas nada como provar que estão errados.
Ele, sabendo como eu sou com marcações, pega no telefone, telefona-lhe e coloca-nos a falar um com o outro. Marcamos um café.
Dois estranhos tentados por outrém a uma conversa. Os interesses dela não eram os meus, nem estaria interessado nos interesses dela. Poderíamos ter sido amigos, mas não sabíamos, na altura, como. Enquanto homem, aquela seria a última mulher para quem olharia. Penso que ela pensou o mesmo. Possibilidade de algo mais do que uma amizade? Menos 100. Possibilidade de uma amizade? Nula. Porquê? Não faço a mínima ideia.
Aparentemente estas situações são recorrentes. Noutra ocasião, pensando que andava demasiado só, uma das minhas melhores amigas disse e se saíres com x? Eu olhei para ela, disse que não e a conversa acabou por ali. Claro que não. Mas há pessoas que percebem à primeira.
Por isso é que me faz impressão as pessoas, que na maior das boas intenções, tentam juntar duas pessoas que conhecem e gostam. Sinceramente? Não se metam nisso. O Coração foge à razão, não é matemático.
Não será por mal, mas tentamos por vezes juntar as pessoas que gostamos, inconscientes de que nada têm a ver uma com a outra. Fazendo isto, por vezes podemos estar a “cavar uma sepultura” não só para nós, mas para os outros.

Tenho vontade de ler mas não consigo consubstanciá-la. Ando cansado. Os livros que tenho em mãos não me chamam, por alguma razão. Comprei anteontem um policial argentino passado em França (devia querer dizer qualquer coisa. Isso e os dois euros que custou), não consigo passar da página 6.
A minha única consolação é saber que daqui a uma semana começo a ler o material para a tese. Aí sim…quer goste ou não, não vou poder fugir.

O FCP cada vez joga melhor. Ontem foi um alívio ver o jogo, uma resposta para mim que andava temeroso face aos fracos resultados. Aquilo sim… jogo bem jogado, jogadores motivados, poucas perdas de bola, lances perigosos, jogadas bem pensadas.
Agora falando mais a sério, já se corria com o Jesualdo, não?

As notícias nos jornais sobre agressões entre Liedson e Sá Pinto são uma machadada na imagem de Sá Pinto. Fica-se com uma noção mais clara da recusa de Paulo Bento em tê-lo na equipa. E escolheu mal a vítima, Liedosn é bem querido dos sócios e resiliente, acredito que ganhou a fist fight. E agora?

Evangelicalismos

“For the modern evangelical, worship is defined exclusevely in terms of the individual´s experience. Worship, then, is not about adoring God but about being nourished with religious feelings, so much that the worshiper has become the object of worship.
Others – probably the majority in modern American evangelicalism – have utterly negelected any commitment to the content of the Word and have ended in a sea of subjectivism and calls it ´being bathed´ in the presence of the Holy Spirit. These people come to church exclusively to ´feel´ God. Some churches have even decided to call their worship services ´experiences´”.
Monte E. Wilson