Terminei o 3º volume da saga de Stieg Larsson. Sinto-me órfão. Uma enorme trilogia.
A ler e a ver, espero que, nos cinemas nacionais.
Mas já estou à espera de tudo, sendo um filme sueco.

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Comprei, claro!, A rainha no Palácio das Correntes de Ar, de Stieg Larsson, o 3º volume da série Millenium.
Da conversa bem disposta com a empregada da Bertrand que já me conhece passo rapidamente à má disposição.
Até gosto da capa, mas quando virei o livro para ler a sinopse deparei-me com 6 críticas à série. E então? Porra! Deixem-se lá de lérias. O nº 3 está bem visível. Claro que há loucos que começam por ler o 3º volume sem ter dado uma vista de olhos nos outros três, até deve ser legível, mas quem andava a salivar por isto há meses não precisa de ler comentários sobre o que se acha dos volumes anteriores, já os leu. Dêem cabo de mais uma árvore ou duas e coloquem as opinões no início do livro.
Tendo pago a contra-gosto, ainda pensei em comprar edição em inglês, mas depois a senhora pergunta-me se já tenho os outros dois. Olhando para a minha cara, responde ela que sim. Porquê? É que na compra do 3º e do 1º oferecem o 2º. Sempre a praga dos novos leitores. Ofertas para quem chega tarde às colecções, edições posteriores com isto e aquilo. E os fãs iniciais? Os que deram azo ao hype?

No Teu Deserto

Fui de manhã até à Bertrand à coca de dois livros, este No Teu Deserto de Miguel Sousa Tavares e o último de Stieg Larsson (literal e duplamente o último).
Lembro-me que os primeiros textos que li de Miguel Sousa Tavares foram as crónicas de Um Nómada no Óasis, crónicas sobre os anos do cavaquismo. O Nómada seria ele, mostrando uma das suas facetas mais conhecidas hoje, a de polemista e crítico.
Mas fiquei fascinado com a prosa de Sousa Tavares (MST) em dois ou três números da GR, lembro-me vivamente de três crónicas, uma sobre a Amazónia, outra sobre as praias de dunas brasileiras e outra sobre o deserto. Sousa Tavares foi, durante muito tempo, sinónimo de crónicas de viagens, daí o prazer que tenho em, de vez em quando, reler uma ou outra crónica de Sul.
Fui dos que leu e gostou de Equador, mas ficou desiludido com Rio das Flores. Daí que tivesse ficado num misto de emoções ao ler uma das entrevistas numa das revistas semanais, que entre outros assuntos versava sobre este No Teu Deserto.
No Teu Deserto é um livro curto, um quase romance, como se pode ler na capa, livro pessoal, (parece-me) de homenagem a alguém e de “desculpa” pelos desencontros naturais da vida.
Comprei o quase romance pela lembrança da reportagem no deserto. Daquilo que me prendera na altura, há algo ali, as descrições, mas em pouca quantidade e profundidade. O objectivo do livro é outro, ainda que a linguagem utilizada esteja mais próxima das reportagens do que dos romances que lhe grangearam fama do escritor que mais vende em Portugal.
No Teu Deserto conta a história de uma viagem, mas mais do que isso conta a história de um encontro e das memórias desse encontro, da importância que esse encontro (entre duas pessoas) tem no futuro de cada uma delas, ou melhor, da importância que a distância entre essas duas pessoas tem nas memórias que cada um guarda (e do peso) do que foi vivido nessa viagem.
“Mas é verdade que havia uma coisa que, essa sim, era genuína: tínhamos uma possibilidade real de nos perdermos na travessia, de ficarmos dias e dias a fio, como nos aconteceu de facto, sem cruzar vivalma – homem, veículo ou animal. Ou seja, o deserto então era verdadeiramente deserto, travessia e descoberta.” (Pág. 24)
Mais do que a travessia no deserto, o livro é atravessado pela relação entre Cláudia e o narrador (MST). Há momentos em que parece que se perdem, mas sabem onde estão, atravessam juntos a imensidão de areia, óleo e pedras, descobrem-se um ao outro, mas será depois do deserto que a vida, os interesses, o tempo, os fará perderem-se quase um do outro.
“- Escrever não é falar.
– Não? Qual é a diferença?
– É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.” (Pág. 100)
Fala-se demais, mas também de menos. Por vezes, sentimo-nos impotentes perante o tempo, o contexto, as situações. Este livro terá o objectivo de desnudar o que ficou por dizer, de homenagear a amizade perdida.
O deserto já não será o físico, mas o da falta de alguém. O deserto dela, o que ela deixou.

Eu ia escrever qualquer coisa, mas varreu-se-me do pensamento. Ah, já sei!
(É incrível a quantidade de informação que passa pelo meu cérebro, que quero agarrar para com ela dizer ou escrever qualquer coisa e momentos depois PFFFFUUUI!)

Bem, agora que já me lembrei, voltemos a ela. Cada vez leio mais policiais, são o género que mais me agrada. Depois de Henning Mankell pouco mais há que valha a pena, tirando um ou outro clássico. Mankell agrada-me pela dinâmica da trama, pela definição e descrição dos personagens, pela (des)humanidade destes, pela forma como vemos o mundo e as suas incongruências. Falo, atenção, do Mankell que escreve policiais, o outro não me apela tanto, embora as temáticas continuem lá.

Ah sweet contradictions! oh, well!

Quem me conhece ou à minha dvdteca sabe que o policial, em especial as séries policiais, ocupa um local bem definido e guardado. Há por lá séries policiais inglesas e nórdicas, poucas americanas. E por uma boa razão, os americanos às vezes são demasiado americanos para o meu gosto. Comparem-se as boas séries policiais americanas, que são poucas (posso estar a ser injusto, mas a bem do meu argumento tem de ser assim!), com as boas séries policiais europeias (assim do pé para a mão – Rebus, Van Veeteren, Wallander, Prime Suspect, Silent Witness, entre outras. Ah, Wire in the Blood, uma série tão boa quanto violenta, mas que devia ser essencial para os amantes do género. Para os que têm estômago para ela, claro!) e vemos uma diferença essencial. A profundidade das personagens, dentro e fora do seu espaço de acção, nomeadamente a definição do eu.

É isso que me cativa em Mankell, eu sei quem e como é Wallander, às vezes mais do que quereria, mas é isso que faz a série tão boa, e isto aplica-se tanto a Wallander, como aos restantes personagens, quer co-adjuvantes quer vilões.

Ai, a verborreia…

Daí que tenha andado à procura de outros autores nórdicos, essencialmente, para ler alguma coisita boa e sangrenta no verão. Como se a qualidade fosse uma característica geográfica. Se calhar é, onde andam os policiais portugueses? Não há?

Assim passei alguns minutitos na net à procura. Os sites Scandinavian Books e Euro Crime valem a pena e dão-nos algumas dicas.
Por 12 euros comprei quatro livros, três de Arnaldur Indridason.
Claro que caí na esparrela da compração, e claro que a comparação era com Mankell, claro que todas as comparações são pífias. Claro que não é tão bom, e algumas das características me afastaram um pouco. Claro que Erlendur (personagem principal) é divorciado, é bom polícia, irrita os colegas, é obcecado, come comida empacotada, é divorciado e lá para meio da série vêmo-lo com alguém na cama. Podia ser Wallander, mas não é.

Os romances são diferentes dos de Mankell, a começar pela ambiência.

Passam-se na Islândia, mas há menos contexto social, análise social do que em Mankell. Há menos frio, menos neve, ou melhor o ambiente está lá, mas só como contexto nunca como uma realidade que nos atinge.
Erlundur tem uma filha toxicodependente. Confesso que foi uma das coisas que me afastou. O relacionamento com a filha até pode ser verosímil, mas a ideia de um homem que abandonou a mulher e os filhos, que mais tarde o buscam, na verdade é a filha que o busca conscientemente, não me interessa minimamente. Inevitavelmente, cai-se nos clichés, ainda que com algumas variantes interessantes.
Li Tainted Blood e Silence of the Grave sem grande interesse. Fui lendo, conhecendo os personagens, mas nunca verdadeiramente empolgado.
Ainda bem que comprei três livros de Indridason, porque foi o terceiro, penso que o quarto da colecção, que realmente me agradou, não sei se converteu.
The Draining Lake aborda o comunismo na Islândia e os “erasmus” Islandeses em países comunistas na década de 50 e 60. É um romance negro, dorido e desencantado com o comunismo. Há por ali berros contra o comunismo e os seus efeitos, a diferença entre comunismo e socialismo, a caça às bruxas e a caça aos não comunistas.
The Draining Lake consegue ser uma boa suma do que já tinha lido, mas acaba por ser mais concreto e objectivo. No entanto, The Draining Lake não é um policial, é a história de uma investigação policial, o que é importante.
Há um crime, perpetado há 40 anos, não há uma caça ao homem, há uma espera, a do criminoso, pelos investigadores.
Penso que esta é a principal diferença quando comparamos com Mankell. Em Mankell há uma investigação, mas uma perseguição e fuga, aqui há somente a investigação. O assassino admira-se do tempo que demora ser apanhado/encontrado.

Mestrado só em Setembro.
Das 10 cadeiras no programa, 9 ficaram feitas.
Uma, infelizmente, com 12.
Ainda assim, o saldo é positivo. Média de 16.2.
Não queria mas tem de ser, tenho de fazer melhoria àquele 12.

Gostamos de premiar os menos capazes.
Já por duas vezes que o Belenses fica na 1ª divisão (estou ciente que tem outro nome,mas sou assim…), embora o que tenha feito no campo o devesse atirar para outra liga.
Decide-se premiar quem devia descer em vez de se premiar quem ficou a um posto de subir. É isto que não me entra. Premiamos os que foram maus, em vez dos que foram menos bons.
Continuo a achar estranho.