Processo de divórcio com o futebol cá do burgo

Cada vez gosto menos de futebol. São as tricas. O mau espectáculo. Os coros e cantares obscenos, não podem ir antes ao psicólogo, ou mesmo ao psiquiatra? A um psi já resolveria algumas coisas.
Farto-me do discurso dos actores desportivos, que vira mais rapidamente que uma rótula em contacto com o pé do Petit. Eles falam de seriedade, falam de justiça, falam de empenho, de espectáculo, mas é tudo incontinência verbal. Quando são beneficiados pouco falam, antes pelo contrário e se abrem a boca é para se gloriarem. O que interessa é ganhar. Com erros ou sem erros, com golos ou falsos golos. O que interessa é lucrar, mesmo que as pessoas adormeçam nos estádios, com jogos entediantes, sem alma, cheios de tricas, erros e mau futebol. O que interessa é comer e calar, porque se falarem são presos por ter ou não ter cão e, pior, castigados. Mas aqui, como em outras situações não nos importamos de ser fascistas ou ter regras mais rígidas do que os militares. O pior é que parece que o povo gosta. Algum, o afecto a uma das equipas. Experimentemos roubar o povo, frente a algumas pessoas e sair dali sem que nos aconteça nada. O futebol é um mundo à parte. Para alguns estes casos dão ânimo, aumentam a paixão, fazem com que o futebol seja mais falado. E se faltássemos todos, os que vão, eu já não vou, aos campos de futebol? Um fim de semana sem público. Sem dinheiro. Sem ânimo? Utópico? Claro que sim. Amorfanhados por tudo isto, já nos habituámos, esquecendo que o futebol existe por nossa causa. Por e para. Não esquecendo os dirigentes, os empresários e alguns futebolistas. E para quando um castigo severo e real para os árbitros? Que paguem do bolso cada vez que errem. Seria o fim da arbitragem? Era preferível. Terminando, quanto tempo demorou aquela (in)decisão do sr. Lucílio Batista? Quanto tempo demoraria ver o vídeo? O vídeo demora mais tempo? O tempo não interessa, o que interessa são os interesses. E viva o Benfica! Que tão bem ganhou. E viva a campanha do Record, nos editoriais ou o que é aquilo, na parte de trás da capa, logo em cima, que vão defendendo o SLB e atacando os ignóbeis indisciplinados verdes. E nós aqui, olhando para os campos, vendo um senhor do Governo, com um ar sério, falando seriamente mas a brincar connosco.
Futebol Nacional, assina aqui e vamos entregar o processo aos advogados.

O fim já esteve mais longe

Tenho estado afastado do blog, mas minimamente activo no Twitter. É aquela máxima do fazer mais fazendo menos, ou fazer muita coisa sem ter grande trabalho, afinal são somente 140 caracteres.

Entre aulas, a dar e a receber, reuniões de pedagógico e Maiores de 23, preparação de aulas, correcção de trabalhos e outros, o tempo, a vontade e a necessidade de escrever tendem a ficar toldados, e o Twitter resolve essa necessidade. Enfim, quem não escreve também não lê – blogs, entenda-se.

A ver se resolvemos esta ausência, que não deve ser assim tão incomodativa, diga-se de passagem.
E pode ser desta que me dedique a escrever algo mais “folegante”.

Sócrates

A bem da verdade, Sócrates percorreu um longo caminho desde a sua presença no Governo de Guterres.
Não concordo com todas as opções, ou com poucas, se quiserem, muito menos com o estilo.
Comparam-nos muitas vezes, Sócrates e o estilo, a Cavaco. Só o tempo o dirá, mas parece-me que Cavaco era mais assertivo, mais confiante, mais teimoso. Não vejo Sócrates a comer um bolo rei, ou a aceitar uma buzinadela na Ponte 25 de Abril. E não consigo ver a comparação com os protestos dos professores.
Do que me lembro, afinal tudo acaba por ser uma questão de memória, Cavaco era mais solidário com os seus ministros e falava mais, era ele que dava a cara, coisa que Sócrates, por vezes, bem ou mal, evita.
Uma das coisas que mais me irrita em Sócrates é a diarreia verbal sem consistência. Rejubila-se por ir duas vezes ao Parlamento, mas raras são as vezes em que responde ao que lhe é perguntado, muitas das vezes faz campanha pura e dura, nas restantes distorce e foge da pergunta e fala do que quer. Outra coisa que me irrita solenemente, acto demasiado português, é o responder sempre voltando ao passado,infelizmente só com fins acusativos, e poucas vezes com a intenção de dar um passo em frente. Critica o PSD, Paulo Portas, o BE, o PCP, enfim, fá-lo com a lógica de mostrar que é diferente, muitas vezes mostrando, paradoxalmente ou não, que é igual aos outros.
Este longo texto nasceu ontem de uma ideia.
Lembrei-me de Vale e Azevedo, não pelas trafulhices e enganos mil, mas pela unanimidade. Lembro-me de uma AG, em que houve violência, mas ainda assim unanimidade. Vale e Azevedo era uma vítima, todos estavam do lado dele.
Sócrates está feliz, o PS é ele e pouco mais. Toda a gente está do lado dele, malhando à direita e à esquerda.
A Comunicação Social, mesmo com as campanhas negras, tem sido benevolente com o nosso PM, bem mais do que com os Governos e Governantes anteriores.
Até quando?
Deverá ser por mais quatro anos. Duvido que não chegue à maioria absoluta. Como? Porquê?
Sócrates secou tudo à sua volta, com ou sem ajuda. Estou a pensar nos tiros nos pés do PSD. As pessoas preferem votar no diabo que conhecem…
Por outro lado, os portugueses, historicamente, socialmente, psicologicamente, tendem a ficar sentados à espera de um salvador. Somos gente de fé, em Dom Sebastião, no 5º Império, mas deixámos a acção para outros. A ideia de que os governantes são todos uns chulos, toldou-nos a mente. Nós trabalhamos, eles roubam. Nós votamos neles, cada vez menos, eles servem-se dos tachos. Tudo isto para quê? Estamos consignados à sorte que nos calhar, e quanto menos fizermos para mudar iso melhor. A culpa será sempre deles.
Porque no fim, a culpa é sempre nossa.

Tenho acompanhado, todas as semanas, com prazer a série Águas Profundas (Surface).
Sei que não vou ver um final, a série foi cancelada ao fim da primeira época. E é isso que me chateia. Não sendo nenhum graal televisivo, não é tão mau como algumas que se mantêm no ar durante bem mais tempo.
Enfim, são as audiências a ditar a pena de morte de várias séries.

24

Já não é a minha série favorita, mas terá sido aquela que mais vezes vi em menos tempo.
Lembro-me de quando comprei a primeira e a segunda série, quase em simultaneo e vi, cada uma, em dois e três dias úteis. Deitava-me às tantas, ia à Faculdade e quando chegava, sentava-me em frente ao televisor e eram 7 ou 8 episódios de seguida.
Com o tempo, ou seja, com as séries o entusiasmo foi-se desvanecendo. A determinada altura chateei-me com a realidade, os autores de 24 encaravam a série como uma telenovela. Tudo acontecia, de forma igual, nos mesmo momentos nas diferentes séries. As divisões em arc-stories, a descoberta que o inimigo era somente um lacaio para o verdadeiro vilão, e por aí adiante.
Depois da morte de quase todos os personagens secundários, perdi um bocado a paciência.
Ontem papei 4 episódios de rajada. Não é tão boa, esta 7ª série, como as primeiras, ou melhor, ainda não é tão boa, mas está no bom caminho e já me fez esquecer as 5ª e 6ª séries.
Jack Bauer continua a ser o melhor no que faz, mas agora, sinal dos tempos, sem torturar os seus inimigos.
Im hooked again.

Temos visto, antes de nos deitarmos, às refeições a 1ª season de Mad About You.

Temo-nos rido bsatante, mas eu admiro-me por ver a forma como algumas situações pelas quais passamos ali retratadas.

Uma excelente série de humor, e um bom retrato de algumas das nossas vivências enquanto casal.