Breves Narrativas fesquinhas, aqui.

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Repete-se ad nauseam.
Os alunos bocejam, evitam fechar os olhos. Evitam, em vão. Alguns chegam mesmo a adormecer.
Acordam com o som do corpo do docente a cair, fulminado por um avc.
Muitos não conseguem evitar um sorriso suspirante.

Há três dias que tem dificuldades em adormecer.
A Euribor a subir, juntamente com a barriga da esposa, o trabalho de cresce na mesa de trabalho e na caixa de correio electrónico, o curso de especialização que o obrigaram a tirar.
Há três dias que tem dificuldades em adormecer.
Ele que não ressona, atordoou a turma com um ressonar pesado e descansado.
O professor, boquiaberto, acordou-o violentamente.
Há três dias que tem dificuldades em adormecer. Hoje não será diferente.

A Mão

A caneta escorrega entre os dedos. Tenta mexer a mão, com sucesso. Agarra novamente a caneta.
Esta escorrega-lhe novamente entre os dedos.
A dormência desaparece rapidamente.
Encontra-se entre o temor e a curiosidade.
Agarra a garrafa de água com a mão. A dormência não volta. Com a esquerda desatarracha a tampa e bebe um trago.
Olha para a mão, belisca-a e sente o ardor.
Olha para a caneta e agarra-a com a mão esquerda. Faz uns rabiscos. Nada acontece.
Agarra novamente a caneta com a mão direita. “Automaticamente” a mão adormece.
Olha para a caneta, atira-a para o caixote do lixo. Senta-se ao computador e escreve o texto pretendido.

A Mão

A caneta escorrega entre os dedos. Tenta mexer a mão, com sucesso. Agarra novamente a caneta.
Esta escorrega-lhe novamente entre os dedos.
A dormência desaparece rapidamente.
Encontra-se entre o temor e a curiosidade.
Agarra a garrafa de água com a mão. A dormência não volta. Com a esquerda desatarracha a tampa e bebe um trago.
Olha para a mão, belisca-a e sente o ardor.
Olha para a caneta e agarra-a com a mão esquerda. Faz uns rabiscos. Nada acontece.
Agarra novamente a caneta com a mão direita. “Automaticamente” a mão adormece.
Olha para a caneta, atira-a para o caixote do lixo. Senta-se ao computador e escreve o texto pretendido.

Hesito. A ponta da caneta vai sujando o papel, sem que uma letra ou palavra se distinga.
Tento que seja a caneta a escolher o caminho, que seja ela a pensar.
No entanto, os pontos, rabiscos e traços não ganham personalidade linguística.
Começo a passear mentalmente pelo alfabeto. Com que palavra começarei o texto?
E começarei com um verbo, um artigo ou um adjectivo?
Para quê perder tempo com o tamanho do texto se ainda não lhe descobri o tema? Ou que tipo de texto será?
Deixo a caneta a olhar para o papel, de cima para baixo.

Hesito. A ponta da caneta vai sujando o papel, sem que uma letra ou palavra se distinga.
Tento que seja a caneta a escolher o caminho, que seja ela a pensar.
No entanto, os pontos, rabiscos e traços não ganham personalidade linguística.
Começo a passear mentalmente pelo alfabeto. Com que palavra começarei o texto?
E começarei com um verbo, um artigo ou um adjectivo?
Para quê perder tempo com o tamanho do texto se ainda não lhe descobri o tema? Ou que tipo de texto será?
Deixo a caneta a olhar para o papel, de cima para baixo.

Do Reino do Dragão

Muitos me têm perguntado sobre a actual crise tripeira.
O meu comentário é multiforme. Começo por questionar o uso da palavra actual.
O ano passado quando dizia mal de Jesualdo (e sempre o fiz) acusavam-me de dizer mal de barriga cheia. Que estava à frente do campeonato, que o ganhei com 20 pontos de avanço, que era simplesmente má língua.
Fui-me ficando.
Jesualdo tem um ponto a favor. Fez o Porto ganhar campeonatos outras vez, depois da saída de Mourinho. O problema é que, na minha óptica, nada do que foi feito teve a sua base em Jesualdo. Jesualdo aproveitou o bom trabalho de Adriaanse, que tinha contra si ser um mau gestor de homens. Era a táctica do General, que deu nos resultados que deu. Mas não podemos tirar algo que pertence a Adriaanse – a capacidade do ponto de vista táctico. Adriaanse colocou alguns jogadores a praticar excelente futebol. A equipa cresceu tacticamente. Infelizmente, a personalidade não se revelou a melhor. E foi-se buscar Jesualdo, que é o contrário. Do ponto de vista humano não é excelente mas é bem melhor que o anterior, do ponto de vista táctico é uma nulidade. Fala muito, e concretiza pouco. Aliás, ele e a equipa.
Os jogadores, para além de não saberem o que devem fazer, não estão motivados, as substituições são sempre as mesmas e ao mesmo minuto. A conversa tenta convencer, a equipa nem por isso.
A resposta dada depois de ter levado 4-0 do Arsenal devia ter dado origem a uma reprimenda vinda de cima, pelo menos. Não deu.
O Porto, parece, que não vejo, joga pior a cada jogo que passa. E a desculpa é a de ter muitos jogadores novos. Que foi a mesma quando ganhou o primeiro jogo de Liga dos Campeões.
O ano passado adormeci muitas vezes a ver jogos do Porto. Este ano, sem SPORTV, não sofro dessa maleita.
O Benfica foi campeão com Trapattoni num campeonato que parece tirado a papel químico deste (pelo menos a avaliar pelas primeiras jornadas). Equipas fracas, campeonato nivelado por baixo e o grande que estiver menos mal ganha no fim. Não por mérito próprio, mas por demérito dos outros.
Claramente que este Porto não vai a lado nenhum seja com que jogadores for. O Quaresma o ano passado precisava de 10 cantos para acertar um. Isto não se resolve nos treinos? Não? Troca-se de jogador! Mas nunca houve coragem- Este ano é mais grave, parece que ninguém o pode fazer. Ninguém sabe. E a capacidade física, sem Azenha, é bem pior.
As constantes viagens de avião servem de desculpa, o número de jogadores novos serve de desculpa, o azar serve de desculpa.
Jesualdo nunca ganhou nada antes de vir para o Porto. Conseguiu-o no Porto.
Esperemos que o clube o continue a fazer depois de Jesualdo sair.

E quanto mais cedo melhor.

Nunca gostei de Jesualdo, por isso é mais fácil.

Filmes para adultos?

A RTP ontem fez serviço público, vá meio serviço público.
Deu o excelente Infernal Affairs 2 (Infiltrados 2). Meio serviço público porque dá o filme depois da meia-noite. Meio porque sendo o filme do meio de uma trilogia ganhava com a projecção dos outros dois, que eu saiba não aconteceu num período de tempo curto. Meio porque acharam que o filme era digno da cotação de Adultos, vulgo bolinha vermelha no canto direito do televisor.
Quem me lê há algum tempo sabe da minha paixão por esta trilogia. E o segundo é mesmo o favorito. Mas pergunto-me o porquê da cotação para adultos? Pela violência? Dão filmes mais violentos aos fins de semana à tarde. Pelas asneiras? Não tem. Ao contrário da maioria dos filmes que passam sem bolinha vermelha. Por ser de Hong-Kong?
Alguém que me explique por favor.