Coragem

Tenho tido algumas dúvidas acerca do QI do felino que mora lá em casa.
Ontem, a esposa e um dos cunhados foram à varanda, deixando a porta aberta.
A Panhonha não foi de modas e decidiu cohecer uma das poucas zonas que ainda não conhecia – (uma d)as varandas.
A esposa ficou roxa, a gata decidiu passear pelo espaço entre varandas.
Coragem ou QI (baixo)?

Reedição:p

-Olá!-…
-Sinto-me velho, hoje. Quase tão velho como tu. Velho, sem paciência, descarnado, sem pele.
– Deves estar velho mesmo. Descarnado? Com tantas peles penduradas?
-Sim, eu sei. Gordo, irascível. E velho, um velho de 48 anos. Com um filho que não conhece, que não percebe, que não vê. Um filho ausente, mesmo quando não sai de casa.
– E uma mulher que cada vez mais se afasta, foge, se esconde de ti.
-Tinha medo de o pegar, quando nasceu. Sabes? Parecia demasiado frágil, para um tipo sem jeito como eu. Para um tipo que partia copos todos os dias, copo, que partia um copo todos os dias. E olhar para ela, uma estrela naquele quarto. Sorrindo, cansada e dorida. Também de mim. Como se aquele raio que saíra dela podesse fazer-me brilhar. Chamuscou-me.
-Não sei se tem medo de ti, mas…qualquer dia não a encontras. Abafa-la demasiado.
– Como me hei-de dar com os outros, mesmo os do meu sangue se não me percebo a mim mesmo? Se não aceito quem sou. Se não gosto de mim…mesmo quando os outros gostam.
-Ela sabe que não sabes se gostas dela. Pelo menos, na maior parte das vezes.
– Ironia. Porra de realidade. Sentir o amor dos outros, o carinho e não saber retribuir. Evitar olhar nos olhos, ou olhando não saber sorrir, não me interessar pelo que dizem. Fartar-me do som das vozes deles, e ansiar pelo som da minha não voz, dos meus não pensamentos. Sorrir por não reagir. Ou reagir não agindo.
– …
-Não dizes nada? Ou respondes afirmativamente, com o silêncio? Juntando-te a mim na minha opinião?
– Não consigo pensar contigo a falar. Não te calas. Aliás, é esse o teu problema. Falas sempre, mesmo quando não te ouvimos. Mesmo quando não pensas. As mãos não param, a respiração aumenta, o pé bate no chão, para cima e para baixo.
-Vejo um jovem de vinte anos, que mora na mesma casa que eu. Não gostava de o pegar em pequeno. Não tinha paciência para ele, para as perguntas, para os porquês, demasiado agarrado ao trabalho, ao desejo de ser melhor, aos jornais. à realidade. E ele perguntando, porquê, pai? Porquê?Andando, correndo, tirando a coisas do lugar. Vendo tudo com as mãos, e por vezes com a boca. Porquê, Pai? Lambendo, roendo e mordendo. Porquê?
-E ela, ali, a olhar para os dois. Sorrindo. Triste para ti, tentando compreender o que nem tu sabes explicar. Esperando que entendesses o filho que te deu.
– Mordendo uma caneta e ficando com a boca cheia de tinta. Cuspindo para o monitor. Metendo os dedos, e sujando a parede. Porquê, filho?
-Triste, quando o agarravas por uma orelha. Ou quando lhe davas uma ou duas palmadas, a chamavas, e colocando-o fora do escritório, fechavas a porta. Entre ti e eles.
– Que saudades desses momentos.
– Imaginas as lágrimas de um e de outro?
– E aqui estou eu, num quarto de hospital.
– E eles vêem visitar-te?
-Porquê?…Para quê?

Homossexualidade

Um cristão homossexual é uma contradição. Mesmo que alguns o digam ser.
Claro que tudo depende da definição de Cristão.
Uma das coisas de que a fé evangélica se orgulha (e mesmo aqui não se podem incluir todos os evangélicos) é a Sola Scriptura. A noção de que a Bíblia é inspirada por Deus, de que ela é suficiente e de que devemos obedecer ao que ela dita. De que ela é a revelação divina.
Ora, tanto o Antigo Testamento como o Novo são retumbantes na declaração de que a homossexualidade é um pecado.
Já estão carecas de saber que sou fã de The West Wing. Se viram o discurso de Bartlet sobre a homossexualidade, só tenho uma palavra a dizer: fraquinho. Os pressupostos estão errados, pelo menos quando baseados na Bíblia. Bartlet fica-se pelo Antigo Testamento, esquecendo que o Novo Testamento também apelida a homossexualidade de pecado. Se não gostam, escolham outra religião. Esta não é de paninhos quentes.
Para aqueles que dizem que é uma questão de cultura, de evolução das mentalidades…garanto-vos que na mentalidade da época do Novo Testamento (as culturas grega e romana) a homossexualidade era um dado mais adquirido do que na nossa. A homossexualidade era “mais respeitada” do que entre nós. E mesmo assim, o recado ficou dado.
Romanos 1 aborda o assunto de modo claro e específico. 1 Coríntios fala disso ao longo do texto. Havia ex-gays na igreja.

Verdade ou lack of…

O que me espanta no arraial de Teresa Guilherme na SIC é que haja pessoas que se disponham para aquilo.
Desculpem lá, não me espanta nada. Palhaços, loucos e gente parva existem desde sempre.
Espantar-me para quê?
Li a entrevista com o produtor do programa. Diz ele que não deixa as filhas verem o reality-show porque não têm idade. Agora sim, fico confuso. Pensava que a categoria do programa se baseava não numa determinada idade, mas no QI.
My fault.

Olhos quase nos olhos em dois actos

Olhava para ela. Os dois sabiam da existência um do outro. Ela fazia-se despercebida, ele, demasiado inseguro, envergonhado ali estava. Há dez minutos.
Olhava para o corpo dela, sentado, a cara denotava desinteresse, ia teclando no computador mais como desculpa. Compreendia que o evitava.
Levantou-se. Os olhos dela olharam rapidamente para ele. Depois para o computador.

Voltou a sentar-se. Olhou para o relógio. Estou aqui há dez minutos.
Voltou a levantar-se. Dirigiu-se corajosamente a ela.
– Demora muito? A senha dizia que ia ser atendido em cinco minutos, já passaram dez!
Ela desculpou-se e atendeu-o. Desinteressadíma, pouco profissional e lacónica.