Vão plantar batatas

Acabo de ver duas reportagens sobre o debate quinzenal de ontem na Assembleia.
Se dúvidas existissem, foram dissipadas.
Pagamos àqueles senhores e senhoras para se comportarem como uma canalha mal-educada, que em vez de servir o país, passa o tempo a ver quem consegue dizer mais insultos/desculpas por minuto.
Governo devia ser sinónimo de governar. Aquilo que vi em duas pequenas reportagens é uma vergonha. Insultos, desculpabilização e culpabilização, ataques mútuos. A Assembleia da República parece um programa da Raw, mas sem os combates físicos.
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Patinha Antão quase que se atira a Manuela Ferreira Leite por esta dizer que ninguém ouviu as Propostas do Grupo Parlamentar do PSD.
Não sei se Manuela Ferreira Leite está certa ou não, mas a verdade é que Patinha Antão é das caras menos conhecidas do PSD.
Acrescentaria eu, nem os ouvimos nem o(s) vimos.

Sintam-se Convidados

Lendo nas suas três anteriores edições as poesias de Yolanda Castaño (Callema#01: Sob o signo do desejo), Nuno Júdice (Callema#02: Da noção de poemas às coisas mais simples) e Landeg White (Callema#03: Identidade em branco), este quarto número de Callema agora dado à estampa propõe uma capa distinta, em regime monográfico: um tema, Reescrever a Juventude. Músicos, poetas, escritores, artistas, ensaístas a escrever a ver a juventude, assim dizia o convite. Aceitaram os amigos: Ana Cláudia Santos, Andrea Leyerer, David Lopes, Emília Pinto de Almeida, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Maia, Javier Rodríguez Casado, Luís Fernandes, Luís Quintais, Maria do Rosário Monteiro, Paulo José Miranda, Pedro Relógio Fernandes, Pedro Serra, Rebeca Hernández, Rui Zink, Sara Campino, Tiago Falcoeiras e Valete.

O HEDIONDO SORRISO (excertos)

(…) O imperativo de consciência determina que nunca actuemos de forma a ausentarmo-nos das regras legítimas da socialização. Este Governo tripudia sobre essas regras.
Há dias, no Parlamento, assistimos a um episódio repulsivo: ao sorriso escarninho de Sócrates, quando Santana Lopes se referiu ao problema da fome em Portugal. Independentemente do que possamos pensar das duas personagens, concentremo-nos no facto em si. Sócrates perdeu, em definitivo, o perfil de homem de Estado. Não respondeu, esgueirou-se numa retórica fatigada e fatigante – e sorriu, como se o problema lhe não dissesse respeito, e o Governo não fosse o fundamental instrumento da mediação.
Aliás, o primeiro-ministro está a ausentar-se, cada vez mais, dos conflitos e das explicações que nos deve sobre a sua origem e causas. Coloco à margem deste texto as mentiras, as omissões, o incumprimento de promessas, a celeridade com que se desdiz. Mas relevo a extraordinária decisão de não se envolver na questão dos combustíveis, sob a grotesca legenda de que o «mercado está a funcionar.» Não subscrevo a grosseria de Santana Lopes quando o apelidou de «socialista de meia-tigela»; mas aceito qualquer outra declaração sobre o facto de que o homem não é socialista nem tem nada a ver com socialismo. Falta-lhe grandeza, educação social e política, sensibilidade, falta de prospectiva, capacidade de criar uma relativa igualdade entre as pessoas, admissão das razões do outro – transparência sem ambiguidade e clareza sem ambivalência.

Baptista-Bastos, no DN de Hoje
Itálicos meus.

Leituras

Comprei e li (por esta ordem) o livro de Hugh Laurie, o Vendedor de Armas.
Hugh Laurie é mais conhecido entre nós por Dr. House. Ora, para além de actor, o senhor escreveu este livro em 1996.
Como de costume a edição portuguesa veio tarde.
Já sabia do livro muito antes de ser editado entre nós, e as críticas que ia lendo faziam-me antecipar um prazer prazeiroso.
Infelizmente, há razões para alguns livros não serem editados entre nós, razões que depois são ignoradas quando o autor se torna mais mediático.
O livro tem tudo o que se podia esperar de Laurie, Humor. E também uma boa história.
Mas tirando a primeira página (vá lá, as duas primeiras) li-o mais por dever do que por prazer.
A história é recambulesca, dá voltas e mais voltas e trata da questão das armas. Num todo é interessante, e as digressões do narrador (algumas com muita piada, outras já enervantes) por vezes irritam demasiado.
O estilo cansou-me, tanto o estilo per si, como o palavreado utilizado (será da tradução? Talvez, mas nunca fiando).
Paradoxalmente, o livro teria tido mais impacto se tivesse sido editado há 10 anos. Pelo humor, pela visão negra da realidade. Hoje……faz sentido porque o autor é o Dr. House. Mesmo que não soubéssemos a enorme imagem da contra-capa elucidava-nos.

5/10

Insólito

Josh Whedon diz-vos alguma coisa?
Entre outras coisas, este senhor é o criador de Buffy (argggh), Angel (arrghhhh, com maior enfâse), Firefly (yeah!!!) e o filme que se seguiu a esta série, Serenity (hummmmmmmmmmm).
Há duas ou três semanas foi anunciada a nova série de Whedon, Dollhouse, que estreará nos EUA, em 2009.
Ora, o prematuro cancelamento das séries (prematuro, na minha opinião só o de Firefly, mas pronto) levou a que alguns fãs criassem campanhas para salvar a série, mesmo antes de esta ter estreado.
Estranho? Claro, mas o seguro morreu de velho.
Mais notícias aqui!

Uma das melhores BDs de sempre está a chegar ao cinema. Dificilmente o filme captará os inúmeros níveis de interpretação da obra, mas esta primeira imagem dos Minutemen faz-me salivar.
Em 2009, Watchmen.