Editoriais

Como já referi aqui anteriormente compro religiosamente o Expresso e o Sol.
Esta semana fiquei a saber que os anos de Saraiva à frente do Expresso marcaram o staff editorial, ou que pelo menos ambos os editores (ou equipas) pensarão da mesma maneira.
No Expresso leio sobre o PSD a partir de uma imagem, a de Salomão com as mães que advogam ser a mãe biológica do infante e de como Salomão ao propôr o corte da criança em dois descobre a verdadeira mãe.
No editorial do Sol, Saraiva começa com a imagem de Salomão para falar do PSD…
Este pessoal pensa todo da mesma maneira, ou há algo mais aqui?
Almoços? Espioonagem? Imagem demasiado óbvia? Exemplo clássico na redacção do Expresso?

Enrique Vila-Matas

Comprei há uns bons meses 5 ou 6 livros de Enrique Vila-Matas.
Já li 3 e vou a abrir terreno no 4º.
Adorei O Bartleby & Companhia, sobre o acto de não escrever ou deixar de o fazer, que afinal é sobre a escrita. Um livro delicioso, que maravilha qualquer um que goste de ser leitor.
Falta-me um capítulo para terminar História Abreviada da Literatura Portátil, que é uma análise das loucuras, manias e estilo dos autores da chamada Literatura Portátil (e portanto, desta também).
Deixo-vos uma passagem:
“Por isso emudecemos todos, ao compreender que, entre nós, não havia realmente necessidade de nenhuma conversa audível, pois já conversávamos há muitíssimo tempo, embora sem palavras expressas. Convesávamos em silêncio, e a nossa conversa era das mais interessantes que se pode imaginar; palavras pronunciadas e ordenadas para serem ouvidas nunca poderiam ter tido o efeito deste silêncio.”
(Palavras de Georgia O´Keefe)
Os Odradeks, a máquina de pesar textos, a viagem num submarino que nunca saiu do porto, e que no entanto viajou milhares de quilómetros são outras das maravilhas literárias que se podem conhecer nesta História Abreviada da Literatura Portátil.

Amazed (parte II)

Several years before his death, a remarkable rabbi, Abraham Joshua Heschel, suffered a near-fatal heart attack. His closest male friend was at his bedside. Heschel was so weak he was only able to whisper: “Sam, i feel only gratitude for my life, for evry moment i have lived. I am ready to go. I have seen so many miracles in my lifetime.” The old rabbi was exhausted by his effort to speak. after a long pause, he said, “Sam, never once in my life did i ask God for success or wisdom or power or fame. I asked for wonder, and He gave it to me.”
in Brennan Manning, The Ragamaffin Gospel

Da verdade desportiva

A TSF discutia hoje com os seus ouvintes a praticabilidade de inovações tecnológicas no futebol.
De chips para a bola a passar por um árbitro com uma televisão à frente para melhor discernir a jogada.
Sabemos que a UEFA é, tristemente, contra esta parafernália de possibilidades tecnológicas, que desvirtua o jogo dizem eles.
Parece-me que o problema, como sempre, é o dinheiro.
Em situações normais o jogo da Reboleira teria terminado com a vitória da equipa da casa. Já imaginaram o rombo financeiro que seria para a Liga e para a Carlsberg uma primeira edição da Taça da Liga sem FCP e SLB? A questão é financeira. As decisões polémicas, com excepção dos derbis, favorecem sempre um grande, mesmo que este não esteja presente no jogo. O dinheiro movimentado por determinado clube grande (através de adeptos e simpatizantes) nos estádios e nas receitas televisivas é enorme. Daí que em vez de se lutar pela verdade desportiva, levanta-se para que todos vejam a ideia da virtude do jogo. Haverá virtude sem verdade? Ou desde que um grande ganhe há virtude?
Gostamos de criticar os americanos, mas com excepção do golf e do baseball (para mim, pelo menos) as regras dos desportos foram feitas tendo em conta o prazer do espectador.
Daí a míriade de árbitros nos jogos de basquetball (que mesmo assim erram), a possibilidade de pedir imagens da TV em questão de dúvida da decisão do árbitro no Futebol Americano (com possibilidade de ver agravada a posição da equipa se a decisão tiver sido a correcta), acrescentado a isto a possibilidade existente nos jogos de râgueby que o árbitro tem de pedir ajuda a outro árbitro que com a ajuda de uma televisão decide determinada jogada.
Em Portugal, e no resto do mundo, estas questões futebolísticas são (de)terminadas com a expressão “o árbitro é humano, logo erra”.
E então?
Se de vez em quando, ao ir ao Banco o funcionário se enganar e me sonegar 5€, eu não fico quieto, pois não? Nem acho normal? Já que toda a gente é humana e erra…
Havendo a possibilidade de mitigar o erro (não terminá-lo) porque é que se há-de protelar esta situação?
Termino por onde comecei. Os clubes grandes movimentam milhões, directa e indirectamente. Uma final da Liga dos Campeões entre o Rosenborg e o Besiktas? Uma final da Liga entre o Leixões e o Setúbal? Perdem todos. E isso não interessa a ninguém. Clubes, Federações e Ligas, Televisões, patrocinadores e promotores.

Questão de Português e outras questões

Numa altura em que a SIC viu o Benfica fugir do compromisso do canal por palavras injuriosas de um jornalista do Expresso sobre Luís Filipe Vieira ( A Sic e o Expresso pertencem ao mesmo dono), a Bola revela ter cuidado com as palavras, tanto que…
Só um «milagre» permitiu a vitória do Benfica (sic)
A troca de roubo por milagre é simpática e revela muito da capacidade jornalística.
Pela primeira vez A Bola resolve não dar o lugar principal da capa ao Benfica e prefere, justa e logicamente, dar lugar ao Fátima. O que nem sempre acontece. Do mal o menos.
Jesualdo diz que está envergonhado. diria que não é caso para tanto. Devia ter dito que está habituado. As 5 vitórias no campeonato ainda não se traduziram por bom futebol e dificilmente haverá bom futebol com Jesualdo. Eu que vaticinava a saída do técnico em Outubro, por esperar um início de época desastroso, tenho novas esperanças…

Arbitragem

Já devíamos (eu estou) estar habituados a que os jogos em Portugal sejam decididos pela incompetência ou falta de seriedade das equipas de arbitragem.
O Porto perdeu porque não jogou nada, o Benfica ganhou porque a equipa de arbitragem decidiu que sim.
Marcar penálti por a bola bater na cabeça de alguém é…caricato, mostra o grau de eficiência da nossa arbitragem ou a falta de seriedade desta.
Parece que a somar à anedota que é marcar falta sempre que a bola chegue ao guarda-redes por via de um jogador da sua equipa, agora deve-se marcar sempre penálti quando a bola bate ou na cabeça ou em qualquer parte do corpo?
O que mais me irrita é o discurso nojento de quem lidera a arbitragem, que mete sempre a cabeça na areia e em vez de defender o seu ofício mete tudo no mesmo saco (são bons os bons e os maus, os que erram e os que não sabem se acertam ou erram).
Os jogadores são punidos, oos adeptos pagam para ver (nem sempre bons) espectáculos e ainda têm de aturar árbitros sem a mínima qualidade, os treinadores são punidos quando falam mal da arbitragem, mas os árbitros nem sempre sofrem o justo castigo.
Depois queixam-se quando nos distritais às vezes levam uns sopapos ou andam atrás deles com carros. Se um dia acontecer uma chatice a sério, de quem é a culpa?
PS. Esta Taça da Liga comprova uma coisa, não precisávamos de mais jogos. Os que deram na TV foram demasiado fracos. Mais uma competição? Há direito a devolução do dinheiro perante um mau espectáculo? Devia haver…

Fátima

Nem a Santa lhes valeu. Depois de 5 vitórias no campeonato, sem no entanto jogar nada de especial, o FCP hoje foi vulgaríssimo.
Aparentemente Jesualdo até tem razão ao não colocar nenhum dos reforços no 11 inicial. Hoje foram pavorosos.
Destaque apenas para Stepanov. Trocava uma perninha do Ibson pelo Bolatti em forma.

Novo Código Penal

Penso que não seria despropositado, no que diz respeito a penas mais pesadas, obrigar o preso a ver uma vez por dia o jogo do Fátima-FCP.
Para penas mais leves 24 horas seguidas frente ao televisor a ver este jogo seria uma força poderosa de dissuasão.
Vou tentar abrir os olhos frente ao televisor.

Amazed

Uma das razões pelas quais gosto de ler tem a ver com a quantidade de informação que se acrescenta e interliga através de vários estilos e diferentes livros.
Achamos que somos todos diferentes, e depois vemos que já alguém escreveu sobre aquilo daquela forma, que um autor do século XVI já fizera aquele comentário que tínhamos achado pertinente no autor do século XXI.

Na literatura cristã/evangélica isto é uma realidade quiçá mais palpável.
E a forma como a informaçãovai sendo construída em cima de livros e mais livros não me deixa de surpreender.
Em 4 livros lidos, 3 falavam (uns mais do que outros) da necessidade de nos fascinarmos/admirarmos (no original amazed) e de como isso é importante para a nossa vida de adoração. Um dos autores dizia que era adoração (parte indissociável dela), adoramos porque estamos admirados, fascinados com Deus e com o que ele fez por nós, pelo seu sacrifício.
Outro autor falava da necessidade de viver de olhos abertos para este fascínio, de me admirar perante o mundo e a vida, perante a criação.
E tu? Tens te admirado?