´Tás na Antena1!

Telefonou-me um amigo a perguntar-me se estava a ouvir a rádio, porque estavam a ler um texto que era meu.
Rapidamente deduzi que o texto fosse o “Marcos” no História Devida, da Antena1. E não me enganei, ainda que pensasse que já não leriam o texto, que foi lido pelo David Fonseca.
Por isso, se estiverem interessados saquem ou ouçam o podcast do programa de dia 27 de Fevereiro.

Será desta?

O Festival de Hip Hop já esteve para acontecer duas ou três vezes. Esteve…
Agora o produtor vem dizer que em Março é que é, «nem que seja na rua. Nem que seja à frente da Embaixada de Angola em Lisboa» disse Riquinho.
Riquinho diz que a culpa é dos managers de 50 Cent (dum lado um tipo chamado Riquinho, e do outro um tipo com nome artístico de 50 centavos, até vecês acham piada a isto, não?), e tanto em Portugal como em Angola os fãs ficam duvidosos.
Aquilo que mais confusão me fez foi o cartaz. Artesanal, com imagens de muito má qualidade e com alguns artistas de renome, e ainda davam um cd que ninguém parece ter comprado (se não vai a bem, vai a mal, que a gente já não tem espaço para o guardar!).
Eu se fosse a vocês não comprava bilhete, mas como vocês não são eu…

James Cameron descobriu a pólvora, o que é o mesmo que dizer que o realizador americano diz que descobriu o túmulo de Jesus, e que este na verdade foi casado com Maria Madalena e teve descendência.
Há aqui vários pontos a considerar.
Um é a questão da fé, a Bíblia aponta para diversos ataques, uns mais inteligentes do que outros para minar a nossa fé.
Um segundo ponto a analisar seria a terrível estupidez e sado-masoquismo das primeiras comunidades, espalharam-se por todo o mundo conhecido pregando a ressurreição de alguém vivo! E isto em perigo de morte, e muitos tendo sido mesmo mortos por apedrejamento, queimados, degolados, crucificados, e mandados aos leões.
Por outro lado, temos a descrição e análise de quem, não sendo cristão, viveu com alguns anos de distância e escreveu sobre o assunto, Josefo, por exemplo, testemunha incólume porque era judeu. Notem que os para os judeus Cristo só podia ser um herege, e mesmo assim Josefo escreve algumas coisas que nos levam a duvidar da suposta conclusão cameroniana.
Depois há a forma como nos vemos e vemos a ciência, achamos que hoje somos mais inteligentes do que todos os que já vieram antes de nós. Achamos que com tudo o que temos somos capazes de descobrir a Verdade, mesmo quando a maior parte não acredita que a Verdade existe. Oh Sweet age of paradoxes.
Enfim…como eu dizia é tudo uma questão de fé.
Uns têm, os outros não, mas podem sempre pedir…

Oração do Pai Nosso (i)

Mateus 6: (5)9-15

Já vimos que Jesus advertira os seus ouvintes, nos quais estamos incluídos, para ao orar não terem como principal objectivo serem vistos pelos homens; que a repetição de palavras, a quantidade destas, não trazem nenhum benefício visível à oração; que orar em secreto é uma relação um a um, é uma conversa entre eu e o Pai, é renovar a minha relação com Deus.

Tentando exemplificar a teoria Jesus diz (v.9) “Orareis assim”

A oração serve de teste final à condição espiritual do Homem.
É mais fácil pregar em público, dar esmolas ou orar em público, enfim fazer alguma coisa para os outros verem que faço do que falar a sós com Deus.
É na presença de Deus que descobrimos o estado da nossa vida espiritual, orar verdadeiramente a Deus é o teste que necessitamos para descobrir o que precisamos de mudar espiritualmente.
Orar sozinho é o mais profundo teste a que pode ser submetida a nossa condição espiritual no que diz respeito à sua autenticidade.

Marcos 1.35 – vemos que Jesus orava.
35
E, levantando-se de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava.

Imaginemos as perguntas dos discípulos:
– o que é que Jesus tem tanto para dizer a Deus?
-o que é que ele diz? Como é que ele ora?
-como é que ele demora tanto tempo? Ao fim de5 minutos já não tenho assunto.
-Não me consigo concentrar.
O que é que devo incluir numa oração?
se Jesus demorava tanto tempo em oração, quanto mais nós?

Lucas11.1 – ensina-nos a orar
1
E ACONTECEU que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.

Penso que um dos objectivos da oração do Pai Nosso é esse, o de ensinar a orar, é dar- -nos um modelo de oração.
Um modelo que aborda tanto o como como o acerca de.

v.9Vamos ver nos próximos estudos como uma oração tão pequena aborda tudo! Um sumário perfeito, daí que seja importante estudarmos os princípios desta oração. Qual a sua estrutura.

Como: Quantas vezes eu oro e em vez de virar atenção para Deus, a oração está focada em mim?
Job 40-4 diz-nos que Job colocou a mão na boca, coloquemos de vez em quando a nossa mão na boca, para não dizermos tudo o que nos vem à cabeça sem termos em conta primeiro a relação entre Deus e mim, sobre quem é Deus.
Pai Nosso: relacionamento entre Deus e os seus Filhos.
Orar é falar com Deus, tendo bem presente a sua presença.
Importante sabermos quem e como estamos invocando Deus. Orar é também um acto de louvor e adoração.
Daniel 9, João 17, Filipenses 4.6 (com acções de graças).

João17.12 Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse –
João 8:44Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira
Relacionamento especial com o Pai, daí o Pai Nosso (João 17.9) Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

O Pai Nosso é significado da nossa condição espiritual e do amor e graça divinos.
Por natureza somos filhos da ira (Ef.2.3), do diabo (João 8.44) e do mundo (Lc16.8), só em Cristo, como nosso –Salvador e Senhor somos redimidos dos nossos pecados (Rom.8.15)

Mundo não gosta, nem aceita estes termos: pecador e salvação, daí que Paulo diga que pregar Cristo Crucificado é loucura.
Temos chegado perto de Deus agradecidos e em adoração e agradecimento pela sua adopção, salvação?
É Deus meu pai? Conheço-o como Pai, tenho agido como um filho ou como um estranho?
Ao ensinar estas palavras Jesus já apontava para a nossa condição de filhos adoptados, e para a sua condição como nosso sacrifício e salvador, já que a Bíblia não chama a todos de Filhos de Deus.

Pai nosso que estás nos céus, e a diferença entre Deus e os pais terrenos é elevada. Este Pai é um Pai diferente. E se para muitos a noção de pai não traz grandes recordações aqui a diferença é exaltada, este Pai traz à memória a palavra/sentimento amor. Um Deus que nos buscou, nós que não o buscámos, um Deus que deu o seu único filho para morrer por nós.
Pai Nosso que estás nos céus.
Ao orar pensamos neste dom de Deus, neste presente, nesta oportunidade que é falar com este Deus? O Deus criador, sustentador, omnisciente, omnipresente, majestoso, grandioso, justo, eterno, gracioso ele ouve as minhas orações, ele quer ter um relacionamento comigo, homem pecador, filho da ira, do diabo, do mundo, ele quer-me adoptar.
Quando oramos lembramo-nos de Hebreus 4.13 (todas as coisas estão nuas e patentes aos seus olhos?), nada posso esconder de Deus, e por isso é que se eu for sincero comigo mesmo a oração é um teste e uma resposta de Deus à minha condição espiritual.
Falamos muito de estar na presença de Deus! Reconhecemos o que é estar na presença de Deus que tudo vê? Que é Santo?
Atitude lógica é irmos a ele em humilhação, arrependimento e honestidade.
Hebreus 12.28-9 diz-nos que Deus é fogo consumidor!
Cuidado com a forma como me tenho achegado a Deus, cheguemo-nos a Deus com humildade, reverência e em arrependimento.

Como continua a oração? Interessante ver que a oração ensinada por Jesus inicia-se depois da invocação pela adoração e só depois para as minhas necessidades.
6 ou 7 petições, 3 respeito a Deus e à sua glória, e só depois respeito às minhas necessidades.
Faz-me confusão! Porque é que eu não hei-de ser directo? Começar pelo que me aflige?
Antes de batermos à porta, devemos guardar tempo e espaço para glorificar a Deus.
Temos adorado a Deus nas nossas orações? Temo-lo invocado por ser uma fórmula inicial, quanto tempo temos dedicado a Deus na nossa oração?
Mas, por vezes perdemos esta noção de Deus enquanto Deus! Deus dá-me e eu só peço. É para isso que ele serve! Obviamente que Deus, e penso que ficou claro no último estudo, Deus nos quer abençoar, ele quer-nos dar coisas (efésios 3.20 –pode fazer mais do que eu peço ou penso). Mas a oração do Pai Nosso mostra a importância da adoração.

Santificado seja o teu nome
a) já reconhecemos estar na presença de Deus
b) b) que ele é o nosso Pai
Agora chegamos ao nosso desejo de que o seu nome seja Santificado!
Santificado – reverenciado, considerado justo.
Que nome de Deus?
Ouvimos no estudo de Abraão alguns nomes, pelo menos um, de Deus.
Para os Hebreus Deus tinha-se apresentado com vários nomes, e perdemos isso na nossa tradução.
Os nomes de Deus apresentavam a sua natureza, o seu poder, os seus atributos.
Deus apresentou-se a Moisés como Jeová, eu sou o que sou, Deus auto-existente
El ou El Elhoim – poder, nome que mostrava o seu poder, a sua força
Jeová- Jireh – o senhor proverá
Jeová Nissi – O Senhor é o nosso pendão
Jeová Rapha – o Senhor cura
Jeová Shalom – o Senhor é a nossa paz
Jeová ra-ah- o Senhor é o nosso pastor
Jeová Shamah – o Senhor está presente

Através dos seus nomes conhecemos quem Deus é, e ao orarmos para que o nome ou nomes de Deus sejam santificados queremos que Deus seja conhecido desta maneira.
Quantos de nós conhecemos ou pensamos Deus desta maneira? Quantas vezes a nossa noção de Deus é completamente diferente da apresentação feita pela Bíblia?
Muitas vezes temos tido dificuldades ao ler, apresentar a Bíblia a outros, o que vão eles pensar? Que são histórias da carochinha. Quantas vezes estas pessoas ouviram/leram a Bíblia? Não sabem quem é, ou como é o Deus da Bíblia.
Ao orarmos Santificado seja o teu nome estamos a tomar uma decisão, eu vou falar aos outros deste Deus, na minha vida, na minha boca Deus será santificado, exaltado, apresentado.

Na oração sacerdotal o desejo de Jesus era este, que o Pai fosse glorificado, que o seu povo conhecesse Deus.
Quantas vezes temos invocado o nome de Deus em vão?
Quantas vezes tenho contado aos outros ou em voz alta as bênçãos? Tenho percebido e contado a bondade, o amor, a providência de Deus?

Oração do Pai Nosso convida-nos a conhecer Deus deste modo, relacional, que eu o conheça e que os outros através de mim o possam também conhecer.
Salmo 34-3 – Engrandecei ao SENHOR comigo; e juntos exaltemos o seu nome. Deus não se vai tornar maior pelas minhas acções, mas a sua grandeza e graça vai ser mais conhecida entre os homens.
Magnifiquemos ao Senhor – que as nossas palavras, acções, vidas espelhem a grandeza, o perdão, o amor de Deus. Sede meus imitadores, sede santos porque eu sou santo.

Santificado seja o teu nome –desejo que os outros se prostrem diante de Deus, em adoração à sua pessoa, em reverência, louvor e honra e acções de graças. Este Deus que é Pai Nosso.

Temos pensado assim? Orado assim? Que Deus é digno de todo o louvor e adoração? Que Ele é grande entre as nações? Que ele é soberano? Que ele cura? Que ele sustenta? Que ele é o nosso pastor?

E apesar dessa glória que tens, tu te importas comigo também – Deus enviou o seu filho para morrer pelo seu povo.
Salmo 111.10 – O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre. Temor reverente a Deus, iniciemos as nossas orações em adoração, reconhecendo a minha posição, reconhecendo a graça divina que adoptou filho da ira.

Não houve grandes surpresas nos Óscares, embora tenha ficado triste pelo Labirinto do Fauno não ter ganho o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Quanto a Scorcese, ainda não vi o The Departed (sou fã do original, o filme de Hong Kong – Infernal Affairs) mas parece-me que o prémio foi merecido, embora tenha sido mais um prémio de carreira do que outra coisa.

Um primo meu, de 26 anos, chorou no cinema, a ver o Rocky Balboa.
Confesso que agora fiquei dividido, será o filme realmente interessante ou precisará o meu primo de ir a uma consulta?

A um dos meus Afilhados

Querido e generoso afilhado,
sabes bem que eu preciso de novas entradas usb ou de uma formatação(zita), um disco rígido de 1956 dispenso.
Eu avisei-te que poderias perder informação se não a utilizasses logo na altura, mais para mais o técnico de computadores és tu, e se eu consegui, tu não consegues?
Vê lá a bílis, vai ao médico para ele te dar uns xaxaxs, querido afilhado!
Do teu querido padrinho

O Labirinto do Fauno

O Labirinto do Fauno

Guillermo del Touro assina aqui um fortíssimo filme sobre violência, sacrifício e uma parábola sobre a Espanha Franquista.

A história conta-se em poucas palavras, Carmen uma viúva com uma filha (Ofélia) muda-se para o campo, para junto do seu novo marido o amoral Vidal, capitão Franquista que luta contra os resistentes.
Ofélia conta histórias ao seu irmão por nascer e é leitora ávida de livros de fantasia. O narrador diz-nos que ela é uma princesa de um mundo mágico, que se perdeu ao visitar o nosso mundo. Na sua nova casa conhece um fauno, que em troca de três provas promete-lhe devolvê-la ao seu verdadeiro mundo.
Penso que o filme tem sido vendido como algo que em verdade não é, mais do que um filme fantástico, é antes demais um filmo brutal e realista, ainda que com um indissociável toque de magia. Ora, publicitar o filme como um filme fantástico pode afastar muitos dos que gostarão do filme se o virem, é que é possível aos adultos cépticos e realistas gostar (e muito) deste filme.

O filme é belíssimo, visualmente é estonteante, mas a história é humana e dramática, fiquei indeciso sobre qual narrativa (o filme tem duas) é mais forte, mas a partir do momento que o espectador decida qual o sentido do filme torna-se claro qual ganha maior importância.
A violência do regime franquista é descrita brutalmente, e a rigidez (a)moral é descrita cruelmente. A par disso somos levados a um mundo mágico mas nem por isso menos perigososo. Ficamos indecisos sobre a posição moral do fauno e esse é um dos aspectos positivos do filme, o facto de não sabermos em que terrenos estamos a pisar.
De resto, o filme é uma parábola sobre os regimes autoritários, sobre o sonho, sobre o perigo, sobre sacrifício, sobre amor, sobre resistência.
Um dos filmes do ano de um excelente realizador, que parece apontar para maiores e mais complexas produções.