Trevas?

Amigo, se não és diz que não e pronto.
Afinal é fácil, é uma questão de coerência. Se concordas diz que sim, se não meneia a cabeça.
Tentam convencer-me que vivo numa sociedade tolerante. Vade retro…
Tolerante? Só se for para com os outros…
Celebrar o natal é uma ofensa. Confesso que não consigo perceber, e admito que o defeito seja meu. Quando as televisões dão tempo de antena ao Ramadão, os jornais entrevistam os futebolistas que o fazem há alguém que se escandalize?
Quando os Gato Fedorento fazem um sketch de Jesus há uma boa opção, desligar a televisão ou mudar de canal.
Lia a notícia de uma trabalhadora da British Airways que foi posta na prateleira por usar uma cruz ao pescoço, e ela contrapõe com o uso de véus e turbantes por outros colegas. Tolerância?
Eu até aceito que não sejamos uma sociedade tolerante, mas ao menos que o digamos.
O que serve para uns, não serve para outros?
Se há um atentado islâmico a culpa é do ocidente. Se os Estado Unidos se mudam para o Iraque a culpa é do Ocidente. Se um líder de Extrema-Direita quase chega ao poder na Áustria todos se revoltam, se o Presidente do Irão convoca um colóquio para provar que não existiu Holocausto ninguém abre a boca. Dois pesos, duas medidas.
Christmas é trocado por holiday, o uso de iconografia religiosa é proibido para não chocar outros.
É isto tolerância? É isto um estado laico? Se é tirem-me daqui.
É proibido fumar. É proibido comer carne. É proibido ser contra o aborto. Ou a favor. É proibido ser extremista. Amiguinhos, é deste modo que se fazem extremistas.
Eu aceito que haja pessoas que tenham como alvo de vida não comer carne, mas impedirem-me de o fazer? Aceito que haja pessoas que sejam contra as touradas, mas daí a chamar nomes e a incentivar à violência para quem está do outro lado. É isto tolerância?
Francisco José Viegas escrevia há dias: Daqui a uns anos, inclusive, o mundo estará cheio de nostálgicos da liberdade. Gente que terá saudade do tempo em que podia festejar o Natal sem ser acusada de estar a insultar os muçulmanos e os ateus; gente que podia publicar cartoons e rir dos outros – que é uma actividade meritória. Haverá nostálgicos do tempo em que podiam fumar um cigarro ou um charuto, comer costeletas de novilho com osso, andar de minissaia sem ser apedrejada, ler um livro sem levantar suspeitas – enfim, sem ser controlado de alguma maneira por Entidades Reguladoras ou por chips electrónicos que armazenam cada passo que damos, cada fronteira que atravessamos, cada doença de que nos queixámos. O ex-ministro Freitas do Amaral tinha razão na ocasião das caricaturas de Maomé ele antecipou um tempo em que teremos medo, medo real – e não medo apenas do seu dedinho espetado, pregando um ralhete aos seus concidadãos “que confundiam liberdade com libertinagem”. Mesmo eu, que não sou católico, reconheço a ameaça policial que os fanáticos dirigem contra a celebração do Natal. Os jornais têm publicado queixas alarmantes de pessoas insuspeitas que relatam casos de auto-censura cada vez mais ridículos (em Espanha, houve escolas que proibiram festejos de Natal e em Inglaterra, Birmingham, a ideia de festejar o nascimento de Cristo foi considerada ofensiva). O ex-ministro Freitas do Amaral tinha razão: teríamos feito bem mandar queimar os “cartoonistas” dinamarqueses. Talvez ele também ache que a celebração do Natal seja uma agressão contra as hordas de desequilibrados que incendiaram embaixadas pelo Médio Oriente fora em nome da sua “ofensa”. Tenham medo. Tenham medo verdadeiro desse tempo. Nada do que façam deixará de ser vigiado. Nada do que digam deixará de ser tido em conta. Nenhuma das vossas crenças deixará de ser considerada ofensiva. Nem mesmo no interior de nossas casa deixará de estar presente esse Big Brother politicamente correcto, vigiando o que comemos, o que comemoramos, o que dizemos. Não contem anedotas, não consumam colesterol, não riam. Deixará de haver uma lei da República que vos garanta a liberdade de fazer; haverá, antes, uma lei que vos restringirá a liberdade de ser o que quiserdes ser. Em nome do Estado, do bem comum, das crenças absolutas dos outros – sempre com a bênção dos que sabem, por nós, o que é melhor para nós. Sim, estamos em guerra pela nossa liberdade.
Na ânsia de sermos tolerantes estaremos a perder o que mais prezamos, a liberdade.
Apelidamos alguns governos de autoritários/fascistas por muito menos, ou será impressão minha?

Porque não?

Scolari coloca a hipótese de vir a treinar o FCP, e diz que foi no Porto que sentiu maior apoio (quando perdeu com a Grécia). Vá para o Boavista…
Eu, que não gosto do brasileiro nem pintado, digo-vos que se alguma vez vier a treinar o clube do meu coração que suspendo a admiração pela equipa tripeira, mesmo que o senhor ganhe tudo e mais alguma coisa.
Não gosto do futebol das equipas de Scolari, não gosto das opiniões e da forma como as veicula, do estilo, da postura, das opções técnicas.
Porque não? Por tudo isto.

Noutro campo, surge a notícia de que Figo será o jogador mais bem pago do mundo caso a tranferência para o Al Ittihad, recebendo a módica quantia de 6 milhões de euros por 6 meses.
Porque não?
Para quem já ganhou tudo e mais alguma coisa, este parece ser um bom prémio de final de carreira.

O Livro

A Sara disse-me que ia à Fnac e perguntou-me o que queria que me comprasse.
E eu que não sabia, que me surpreendesse.
Ela disse-me que tinha comprado uma espécie de livro, que não era o que eu estava à espera, que não era o que eu chamava de livro. Tinha-o comprado pela piada.

Entretanto, eu andava à procura do que lhe comprar. Já tinha encomendado um livro na Amazon, acabei por lhe comprar um livro de receitas, que é sempre uma mais valia:p e na Fnac descobri algo que já vira o ano passado.
O Amor É… um livrito do Schultz, com os Peanuts e algumas definições ilustradas sobre o que o amor é.
Comprei-o , pela piada, e juntei uns post-its com uns acrescentos pessoais a cada uma das definições.

No sábado, dia 23, fui levar-lhe os embrulhos e ela quis dar-me uma prenda, já que estando separados no dia de Natal podíamos ao menos trocar uma delas.

Levantou-se e deu-me a espécie de livro, que por acaso era O Amor é…

Sorri, levantei-me e procurei o embrulho correspondente no saco que lhe era destinado.

Enfim…o amor é, também, comprarmos o mesmo um ao outro, nem que seja pela piada adjacente a tudo isto!

E a noite de Natal passou num ápice.
Comemos, vimos um concerto do Andre Rieu, que a televisão é uma seca, não que o meu irmão não estivesse a secar com o concerto.
Jogámos dominó aos pontos. Não, não ganhei.
E abrimos os presentes.
Um porta-chaves lindo da namorada, mais um dvd (Herói), uma barrita de chocolate preto (nham,nham) e um livro foleiro (a história do livro tem piada, depois conto).
Depois dinheiro, cuecas, meias, e pouco mais.
Ontem transformei parte do dinheiro em livros e dvds, dois de cada.
Hoje, já estou na escola a ver se acabo os testes…
Tough job…
See ya.
Ah. A encomenda da Amazon já chegou…mas inda não lhe pus os dedos em cima, só mais logo.

C.S. Lewis

And talking of sleepiness, i entirely agree with you that no one in his sense, if he has any power of ordering his own day, would reserve his chief prayer for bed-time – obvious the worts possible hour for any action wich needs concentration.
(…)
´But why dont you turn into a church?´Partly because, for nine months of theyear, it will be freezingly cold but also bacause i have bad luck with churches. No sooner do i enter one and compose my mind than one or two things happens. Either someone starts paticing the organ, Or else, with resolute tread, there appears from nowhere a pious woman in elastic-side boots, carrying mop, bucket, and dust-pan, and begins beating hassocks and rolling up carpets and doing things to flower vases. Of course (blessing on her) ´work is prayer, and her enacted oratio is probably worth ten times my spoken one. But it doesn´t help mine to become worth more.
(…)
The relevant point is taht kneeling does matter, but other things matter even more.
(…)
(since the osteoporosis i can hardly kneel at all in most places, myself.)

Letter to Malcolm (chapter III)

Comprei um cdzito.
Hip Hop não é muito a minha onda, confesso. E a música que conhecia e gostava é, ainda, a única que gosto.
vamos a ver se entro no cd…
Deixo-vos com o single…

<a href="’>Sam

C.S. Lewis

The perfect church service would be one we were almost unaware of, our attention would have been on God. (…)
…thinking about worship is a different thing from worshipping…
ñovelty may fix our attention not even on the service but on the celebrant (…) There is really some excuse for the man who said, ´I wish they´d remeber that the charge to Peter was Feed my sheep; not Try experiments no my rats, or even, Teach my performing dogs new tricks´.
Letters to Malcolm, Chiefly on Prayer (chapter 1)

Deja Vu

E lá fui eu, e o Nuno, ao cinema. Ainda ficámos indecisos: 20,13 ou Deja Vu?
Optámos pelo último, era meia hora mais tarde.
Deja vu é o mais recente filme de Tony Scott, irmão de Ridley Scott e realizador de Homem em Fúria (também com Denzel Washington), Jogo de Espiões, Dias de Tempestade e Top Gun, só para mencionar alguns.

O filme descreve-se com alguma facilidade e, ao mesmo tempo, dificuldade.
Assistimos a um atentado à bomba, em Nova Orleães, à destruição e mortes e através da personagem de Denzel (Carlin) ao início da investigação. O que começa por ser uma simples investigação, nos moldes tradicionais, acaba num projecto secreto que permite ver o que aconteceu à 4 dias e algumas horas atrás.
Será que é possível alterar o passado? É o tempo fluído? Há uma ou mais realidades? Conseguiremos descobrir o culpado? Estas são algumas das perguntas feitas ao longo do filme.
O filme não é ciência pura e dura, algumas das opções feitas são discutíveis (opções no que diz respeito à alteração temporal, entenda-se) mas vê-se bem; não é tão duro e dorido quanto Man on Fire, é mais comercial, mas não desliza no facilitismo geral. Talvez por isso, transmita por vezes uma sensação de deja vu, ainda que não em demasia. Estava à espera de um filme mais preenchido por clichés, falha o final, mais deja vu é difícil, mas por que outro final se optaria? Ficamos com algum amargo de boca, mas outro final afastaria alguns milhares de espectadores.
É um filme que não sendo nada de novo, vê-se muito bem. Eu que já não via um filme, no cinema ou não, há muito tempo deixei-me embalar por este Deja Vu e descontraídamente descansei na cadeira do cinema.
Resumindo, posso considerá-lo um bom filme de acção inteligente, bem realizado, com alguma previsibilidade final, mas que consegue o seu objectivo.

Antes de me ir deixem-me só chamar a atenção para Jim/James Caviezel, não deixei de sentir a ironia do papel de Caviezel.
Caviezel tem aqui um papel paradigmático em relação a dois já interpretados.
Depois, de em A Paixão ter sido Jesus, o salvador do mundo, encarna, aqui, mais uma vez, uma espécie de salvador humano, dorido e que nos leva a novas (ou não tão batidas) interpretações sobre o terrorismo, o que salta à vista é a contenção na construção da personagem.
Depois, acaba por encarnar uma personagem contrária à interpretada em Frequência, filme em que ajuda (com 30 anos de distância) o pai a não ser morto. Não deixa de ser interessante que a personagem de Frequência é análoga à de Denzel Washington em Deja Vu.
Não sei se os produtores, realizador e equipa de casting tiveram isto em conta, mas achei extremamente interessante a análise destas três personagens, a partir de um mesmo actor. Um grande actor, já agora.
Se quiserem fugir aos filmes infantis, à história de Natal e às comédias Deja vu é uma excelente opção. Poderá perder audiência por estrear nesta altura, em que os corações estão mais virados para outros estilos, mas…aconselho vivamente.

Ao magro salário acrescenta o 13º mês. Não fora o Natal e a expectativa das crianças e o mês seria menos remendado.
Os dois filhos, um com 14 e outro com 8 anseiam de forma diferente pela época festiva.
O mais velho já é mais consciente das dificuldades financeiras dos pais, o mais novo ainda saliva a ver os intermináveis anúncios na televisão.
Numa visita esporádica a um dos Continentes trouxeram um catálogo para crianças, o filho mais velho viu-o, voltou a ver mas não deixou nenhuma cruz, afinal o mais novo já marcara todos os brinquedos que um rapaz gostava de ter.
Ao pai, por vezes, embarga-se a voz quando vê o catálogo. Os olhos ficam vidrados.
Será este o sentido do Natal? Conta os euros, e tenta escolher uma das prendas mais baratas, afinal os filhos, e ele e a esposa, precisam de roupa. O mais velho aproxima-se do pai, e sussurando-lhe diz-lhe que não é necessário ter uma prenda na meia. Que basta um chocolate.
Será isto o Natal?
Lembra-se da narrativa bíblica, de um menino a nascer na miséria e a ser presenteado com presentes por alguns reis magos. Mas ele era Deus, assim segue a narrativa. E os seus filhos, que não têm reis magos que lhes ofereçam nada.
O que é o Natal?