Infiltrados


Infiltrados (Infernal Affairs) parte de uma das ideias mais interessantes dos últimos tempos em cinema.
Um jovem, aspirante a polícia, Chan Wing-yan é seleccionado na escola de cadetes da polícia de Hong Kong para se infiltrar no submundo do crime. Paralelamente, Lau Kin-ming , um dos homens da tríade de Sam, é seleccionado, inversamente, para se alistar na polícia.
Dez anos depois, Polícias e mafiosos começam a caça às toupeiras. Yan é um dos braços direitos de Sam, e Lau, agora inspector, tem como missão descobrir a toupeira dentro da Polícia (ele próprio).
Infiltrados não é um filme de acção no sentido de violência, mas é um excelente filme de acção no sentido literário (de trama). Tem dois excelentes actores principais, e um bom leque de secundários.
Não é à partida algo de novo, já vimos estas situações num ou noutro filme, e os filmes asiáticos, como alguns americanos têm focado alguns destes aspectos. Mas, ter um agente da lei e um ladrão infiltrados ao mesmo tempo em campos opostos, não me lembro.
A realização é série e interessante e o filme leva-se a sério, ainda que tenha alguns problemas de construção. Mas, estes problemas advêm de séries como CSI, já que para tudo estamos à espera de escutas telefónicas, impressões digitais e outros que tais, que para aqui não são relevantes, nem tidos em conta.
Sem querer foi um êxito enorme em Hong Kong, e fez algum furor nos EUA. Deu origem a duas sequelas, ainda que uma delas seja na realidade uma prequela, enquanto o terceiro filme passa-se dez meses depois do final do primeiro.
(In)Felizmente, haverá um remake americano, realizado por Scorcese e com DiCaprio e Matt Damon nos papéis principais.

Por isso, aproveitem a versão original enquanto podem, vale a pena e está acima de muitos outros produtos “de primeira” que nos chegam dos EUA.Termino com um esgar de dor e uma pergunta, o esgar tem a ver com a edição portuguesa do filme, em DVD, não ter disponível o som em versão original, restando-nos a versão dobrada!!! A pergunta é se alguém sabe se as sequelas se encontram à venda em Portugal?

Exposição De Bernard Jeunet

Levado, instigado e convencido pela namorada lá fui ver uma exposição ao Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Parque da Cidade, no Barreiro.
É a exposição de um artista francês, Bernard Jeunet, que esculpe ilustrações para livros infantis.
Explico, trata-se de uma exposição de “Papéis Esculpidos”. Todas as “ilustrações” são de papel, mas somente o cenário é estático e unidimensional, tudo o resto encontra-se em relevo e em aparente movimento. Desde cães a gatos, de pessoas a árvores, passando por móveis e fivelas tudo é feito em papel, e o pormenor de cada elemento é saboroso.
De referir que há “esculturas” mais pequenas, uma ou duas em tamanhos bem generosos e depois somente algumas ilustrações, nas “esculturas” é de pasmar o trabalho feito em enquadramento, pormenor, perspectiva, rigor e profundidade.
Visitem e fiquem boquiabertos com o que se pode fazer com papel!!!
As portas abrem às 17h e fecham às 22h, de 3ª Feira a Domingo, e a exposição estará patente ao público até 31 de Julho.
Nota: Pena que não tenha encontrado nenhuma imagem que mostre, na realidade, o pormenor e génio do trabalho apresentado na exposição.

24

E a 5ª série já acabou.
24 continua com o mesmo espírito, com a mesma pujança, com a mesma trama, enfim, continua igual.
Mas…
Mas, a verdade é que este ano fiquei farto da série. Se inicialmente, as mortes (e não foram poucas) de algumas personagens “clássicas” me fizeram mais do que apreensão, respeitar os produtores, rapidamente constatei que as mortes pouco ou nenhum valor tiveram para o plot em si.
A identidade do principal vilão é uma boa surpresa, mas se a personagem não fosse tão irritante e fraca ao longo dos episódios, o resultado teria sido bastante interessante.
Sempre foi assim, mas esta época a principal fraqueza da série é que todos os acontecimentos, todas as acções fazem sentido no contexto de um episódio, mas perdem força no conjunto. Olhando para a série no seu todo notamos muitas fraquezas, e o estilo telenovelesco tende a chatear qualquer um. Já sabemos qual a estrutura da série, já sabemos em que episódio há uma traição ou morre alguém, Há necessidade de renovação, e talvez seja esta a principal causa da limpeza, quase total, do elenco.
No geral, considero esta a mais fraca das 5 séries até agora feitas. Há muitas mortes, muito sangue, muitas decisões e cliffhangers, mas é tudo relativamente previsível. Há surpresa e surpresas, mas estão enredadas no meio de uma estrutura demasiado conhecida e preconcebida pelos produtores como ideal, a verdade é que 24 é sinónimo de traição (mesmo no meio das grandes agências governamentais e do próprio governo) e inverosimilhança, e tem que se alterar isto.
Enfim…uma série para os addicted e fãs, mas bem abaixo das 4 anteriores.
O final não será uma grande surpresa, aliás era a continuação lógica da série anterior, e surpresa era ainda não termos sido confrontados com esta situação.A 6ª série promete mais, se conseguir manter a acção, o suspense e fugir da estrutura telenovelesca (eu sei, já estou a chatear…).

Festa do Seixal

Lá vai o tempo em que eu ia animado e deslumbrado à festa do Seixal (Festa de São Pedro).
Todas as noites dava um pulinho ou para beber qualquer coisa, ou para tar com os amigos, ou para ouvir algum concerto.
Hoje, os prazeres são outros.
Realmente, vale a pena dar um pulinho até ao Seixal mais não seja para visitar as barraquinhas do artesanato e dos comes e bebes tradicionais.
Ontem, bebi um licor de Funcho (e trouxe uma garrafinha para casa), uma ginginha e um pastel de feijão (mais vale a ginginha do que o pastel) e uma sangria (branca, e nada de especial) e uma sandes de lombinhos de porco preto (espectacular).
Portanto, se quiserem comer ou beber qualquer coisita fora do comum, num ambiente festivo, dêem um pulo ao Seixal.
Até 2 de Julho.