Ecletismo…ou não

Quem me conhece sabe que gosto de ver, ouvir e ler de tudo um pouco.

Ultimamente ando a ouvir uma rádio popular, perdoem-me a redundancia mas chama-se mesmo Rádio Popular!

Ora esta rádio tem um programa que, sinceramente(!), dava uma tese sociológica. Passo a dar alguns exemplos, não sem antes explicar uma ou duas coisas.

Uma vez de manhã, outra à tarde e (estavam à espera de quê?) outra à noite existe um programa de discos pedidos. Meus amigos…ouçam! è daqui que quero dar um ou dois exemplos.

O ritual é o seguinte: o ouvinte telefona, diz a frase da hora (por norma, o ouvinte simplesmente repete o que o animador diz; já que não ouviram ou reteram na sua mente), escolhe uma música e dedica-a a algumas pessoas.

Exemplo um:

Animador: Boa noite

Ouvinte: Boa noite:

Animador: Estou a falar com…?

Ouvinte: Comigo!!!

Animador: Hum…E o seu nome é?

Ouvinte: Ah! Maria (qq coisa)

Falam durante um bocadinho…

Animador :E quem é que a sra. quer ouvir?

Ouvinte: A (e diz o nome duma rapariga, que nunca ouvi, mas de quem deve gostar muito!).

Animador: e qual vaiser a música que vamos ouvir?

Ouvinte: hum…O nome? Isso agora não sei, mas pode ser a número dois! (deduzo que a rapariga só tenha um albúm)

Exemplo dois

Edição da meia-noite dos discos pedidos. Telefona uma sra. de provecta idade, com o rádio em casa um pouco alto. quando o animador levanta o auscultador ouve-se um PIIIIIIIIIII estridente mas não muito.

Durante cinco minutos este (des)animador descasca em grande na sra. “É uma falta de respeito”,

“A Sra. não tem respeito por ninguém”, “Podia ter ficado surdo”, “Fiquei muito triste” e afins. A sra. só conseguia a custo dizer “Desculpe, eu não sabia” e o raio do homem lá mandava mais do mesmo.

Tive pena da velhota, a sério. Levou uma tareia em directo que só visto.

Enfim, histórias duma rádio popular, em que os momentos entre as músicas valem a pena.

Já as músicas…às vezes há Bandalusa, e Diapasão:p

“…e depois de pouco tempo as crianças aprendem a distinguir o que é permitido tocar e o que não é e podem mover-se, livres e protegidas, pelas casas, pelo mundo, crianças silenciosas que não aprendem a falar nunca, porque ninguém fala com elas, e por isso não perturba, o silêncio.”

Teolinda Gersão

Leituras II

60 anos depois encontro Simenon. (As aventuras de Maigret estão a ser editadas em português integralmente).

Estou a ler “O homem que via passar os comboios”.

É a história dum holandês normalíssimo chamado Popinga (se é que alguém com um nome deste pode ser normal…) que sentado num café, descobre pela boca do seu patrão que este deu o golpe do baú na empresa, vai teatralizar a sua morte e fugir (pelo menos é vagamente actual!).

A partir daí o sr. Popinga farta-se da sua existência banal, de fazer o que todos os outros esperam dele e… tomem lá disto! Do dia para a noite torna-se num assasino e é a sua história que o livro conta.

Vale a pena ler, mais não seja para nos colocarmos na mente dum assassino…………..(depois não me acusem dos actos que possam praticar!!!)

http://vozdodeserto.blogspot.com/

Diz a voz do deserto que:

Nick Cave tem um disco novo. O do Waits chega em Outubro. Cohen quase, quase.

Yuppi. Como ele comungo do mesmo gosto musical ou quase. O Nick Cave já ouvi um cadinho. Mas como (re)descobri na pilha de cds o boatmans call, parece que o novo vai esperar um pouco mais.

O boatmans call é para mim o melhor de Nick Cave.

Mas estou a contar os minutos para o regresso do Leonard Cohen!

Como dizia uma amiga minha (Olá Martita, sei que me tás a ler aí de Massachussets) um festival de música à maneira para mim seria: Tindersticks; Nick Cave, Tom Waits, Leonard Cohen, e um cadinho de Portishead. Hello?!Alguém que passe isto a uma das empresas que espectáculos?

Isso é que era!

Abraço

Rucka, Greg Rucka

É um dos autores em destaque nos comics americanos.

Antes era (e continua a ser) romancista de policiais, em que a personagem principal é um guarda-costas chamado Kodiak. Li o último (ou o 5º, como quiserem) e vale muito a pena – parta quem gosta do estilo e/ou do género.

Mas, tentem deitar as unhas a duas pérolas (em BD):

Gotham Central: Que ele escreve a meias com o Ed Brubaker (ora escreve um ora escreve o outro), excelente série policial, editada pela DC. Ao nível das melhores séries policiais da TV.

Queen & Country : espionagem, M6 inglês. Li os primeiros 25 números duma assentada. Parece que saiu o primeiro romance Queen & Country. Tenho de ir à Amazon. Aproveitem, porque policias melhores que estes não encontram.

Nem em BD

em TV

ou em romance, daqueles só com letrinhas.

Ouvindo música

Ouvia há uns anos um indiano (Ravi Zacharias) dizer que a música que ouvimos molda-nos.

Acredito. Mas pergunto, será que o mundo em que vivemos não molda a música que ouvimos?

“Fugir para quê? Se o sol nasce, continua a nascer. Correr para onde, se eu aqui vivo. Ou será sobreviver…?”

Alcoolémia.